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Yoga e Meditação estão mudando a vida de crianças periféricas do Brasil

E você pode ajudar esses projetos sem sair de casa.

Um pequeno período de pausa na rotina pode tornar a vida de adultos e crianças mais calmas e tranquilas. A prática de yoga e meditação para os pequenos tornou-se uma das formas de contribuir para o desenvolvimento de habilidades, capacidade de atenção e sucesso escolar.

Por apresentar tantos benefícios na qualidade de vida, essas práticas que ajudam a diminuir a inquietação, estresse e ansiedade em jovens e crianças, estão sendo implantadas em escolas e comunidades no mundo inteiro, inclusive no Brasil.

A implementação de programas que incentivem essas práticas em idade infantil, como a realizada pela Fundação Iyá, está mudando a vida de crianças da periferia que vivem em situação de risco.

A eficácia da meditação

Em uma pesquisa, ao compararem o cérebro de praticantes de meditação com os de não praticantes, cientistas observaram impactantes diferenças na estrutura cerebral dos grupos. Foi constatado que durante repouso, a conectividade funcional do cérebro entre praticantes de meditação ficou consideravelmente mais serena em comparação aos não praticantes.

Houve também a diminuição estrutural no tamanho da amígdala, região em que é processado o medo, ansiedade e agressividade, nos praticantes, e a região cerebral responsável pela memória, aumentou de tamanho.

Tais indícios levaram neurocientistas envolvidos no estudo a concluir que a meditação é realmente responsável por mudanças reais na vida daqueles que a praticam.

O poder da yoga e meditação na vida de crianças

Um estudo realizado em 6 pré-escolas urbanas, com 68 crianças de diversas etnias provou a capacidade de melhorar o desenvolvimento acadêmico e social, execução de tarefas e autorregulação de crianças participantes de aulas baseadas em yoga e meditação.

O programa, chamado Kindness Curriculum (currículo da bondade, em português), foi realizado o longo de 12 semanas, com duas sessões semanais de 30 minutos. Nele, foram enfatizados valores como empatia, gratidão e partilha, por meio de várias modalidades, incluindo música, literatura e movimentos.

O resultado do estudo mostrou como a prática da meditação fortalece as competências de autorregulação de crianças em idade escolar. Esse resultado apareceu principalmente em crianças que apresentavam níveis baixos de atenção e precisavam de ajuda para concentração em sala de aula.

Psicólogos realizaram uma análise na Universidade de Chicago, incluindo 270.034 crianças de 213 escolas que implantaram a meditação. Foi concluído que além de melhorar as relações sociais e emocionais das crianças, a técnica aumentou o desempenho acadêmico em 11 pontos.

De acordo com a tese da pedagoga Mariana Rocha, publicada pela UFRGS, o hábito diário da meditação nas escolas, apresenta melhora na parte cognitiva e motora da criança. A prática de exercícios de yoga, auxilia a criança na busca de suas vivências e saberes de forma significativa. O intuito em desenvolver estratégias de meditação nas escolas, tem como interesse:

  • diminuir taxas de faltas;
  • evitar suspensões;
  • erradicar hostilidade e comportamento violento;
  • evitar infração de regras estudantis;
  • diminuir déficits de atenção e TDAH;
  • aumentar o desempenho escolar e de relacionamento;
  • acolher e empoderar;
  • formar uma criança saudável fisicamente e emocionalmente.

Segundo o estudo realizado com crianças do sexto ano em uma escola de Ponta Grossa, no Paraná, pelo educador físico Silvio César Prestes Prado, e publicado no Caderno do Programa de Desenvolvimento da Escola (PDE), os benefícios puderam ser observados com apenas 8 semanas.

As crianças que foram submetidas a sessões de meditação nos primeiros 15 minutos das aulas de educação física, apresentaram redução no estresse, aumento no bem-estar e maior eficiência na aprendizagem.

A equipe ainda observou melhorias nas relações interpessoais, e enriquecimento no modo de agir dentro da escola, desfrutando mais de seu tempo. Tais benefícios adquiridos pela criança durante sessões de meditação e yoga são de longo prazo, pois também causam impacto na vida futura da criança e adolescente.

Como a meditação e a yoga estão mudando a vida de crianças periféricas no Brasil?

Em regiões periféricas, como favelas e comunidades carentes, fatores como violência, estresse e desrespeito fazem parte da realidade dos moradores. Tais problemas levaram pessoas a promoverem a prática de yoga e meditação para crianças em ambientes de risco.

No Jardim Peri, bairro da periferia da zona norte de São Paulo, a meditação faz parte da realidade dos alunos do Centro de Educação Infantil Lar de Crianças Ananda Marga.

Crianças meditando em escola na periferia de São Paulo.

Responsável pela atividade, o educador Al Crisppinn conta em entrevista para o site Porvir que busca desenvolver atividades lúdicas que sejam agradáveis para as crianças. Diariamente, realizam a prática da meditação participando do Círculo do Amor, atividade em que são convidadas a conversar sobre si mesmas e a cantar.

Na Vila de São Francisco, 8 km de distância do centro de Belmiro Braga, Minas Gerais, o Centro Educacional Infantil Sol Nascente também leva a prática de yoga e meditação para crianças da comunidade carente.

De acordo com o site Yoga, a escola utiliza a educação Neo-Humanista, sistema que propicia desenvolvimento de todas as habilidades latentes da criança, e é orientada e administrada pela comunidade yogue Fazenda Ananda Kiirtana.

No bairro Consolação, em Vitória, Espírito Santo, o Instituto João XXIII ministra aulas de yoga e meditação. As práticas contribuem na construção de vínculos afetivos e fortalecimento familiar, explica a coordenadora executiva do projeto, Karyne Fontes Barros, para o Gazeta Online.

Yoga e meditação em projeto para comunidades de Vitória.

Na escola municipal Dom Pedro I, na barra da Tijuca, Rio de Janeiro, a prática é executada de forma voluntária pela instrutora Bruna Andrade.

Em entrevista para o O Globo, Bruna conta que levou a ideia para a diretora do colégio, que aceitou imediatamente. As aulas são aplicadas por uma hora em grupos de adolescentes de 13 a 15 anos.

Conversamos com a publicitária, produtora cultural e arte educadora Aura Gabriela Maximiliano Souza, que é fundadora e idealizadora da Fundação Iyá, organização não governamental que tem como proposta a efetivação de ações e projetos destinados à crianças, baseados na Cultura da Paz e valores humanos.

Crianças praticando yoga e meditação em escola na periferia de Olinda.

Aura teve a ideia de iniciar a prática de yoga e meditação para crianças em 2015, após vivenciar momentos de violência com seu ex-companheiro, em Recife e Olinda:

“Questionamos mudar de estado ou país. Porém, a partir de minha experiência no Greenpeace e em outras ONGs, decidimos ficar e pensar em estratégias de ações que poderiam ser efetivas para diminuir a violência.”

Segundo Aura, os objetivos buscados nesse trabalho são a redução da violência na infância, a promoção de um ambiente de escuta e acolhimento, estimular o conhecimento sobre sentimentos de carinho, afeto e amor.

Além disso, incentivar essas práticas em escolas para que sejam adotadas, e relembrar os sentimentos de cuidado e empatia com as crianças, principalmente aquelas que vivem em situações de risco.

“Em pouco tempo de prática é possível perceber diferenças, como melhora no comportamento, na autoestima, maior concentração, relação de maior afeto entre elas e os professores”, nos conta Aura.

O projeto “Ressoar – Construindo a paz”

Seguindo essa ideia, Aura criou o projeto Ressoar – Construindo a paz, que busca realizar práticas lúdicas e vivências de yoga e meditação para crianças em alguns estados brasileiros.

Criança praticando yoga no Projeto Ressoar.

A ideia do projeto é levar uma imersão de 9 meses, em 3 diferentes estados, Bahia, São Paulo e Pernambuco, onde o projeto já acontece uma vez por semana em um colégio de Santa Tereza, em que atende 4 periferias de Olinda (Santa Tereza, V8, V9 e Ilha do Maruim).

Conforme Aura, as crianças mesmo não entendendo o projeto no primeiro momento, aceitam de braços abertos, e assim que participam das atividades, tornam-se dispostas a praticar mais vezes. Para os alunos mais “difíceis”, o trabalho é executado com maior ênfase, e em pouco tempo acabam tornando-se os mais participativos.

A educadora nos fala sobre um aluno em especial, na qual a mudança em curto período de prática foi extremamente perceptível. Em uma das escolas havia um aluno de 9 anos da qual cogitava-se realizar a expulsão. Era uma criança violenta e raivosa, por ter isso como base em seu convívio familiar. Em apenas 3 aulas, a diferença de comportamento foi incrivelmente positiva.

“Na aula seguinte ele se concentrou e entrou na respiração e meditação, sem que eu precisasse pedir atenção para isso acontecer. Esse é um exemplo de como os benefícios são graduais e podem ser percebidos em tão pouco tempo. É fundamental a escuta e o acolhimento dessas crianças.”

Financiando um documentário

Aura Gabriela durante a prática de yoga e meditação em escola de Olinda

O projeto, ainda embrionário, conta com a parceria da jornalista, fotógrafa e documentarista Lívia Neves, do Movimento Criando Memórias e projeto Fonte de Luz. Lívia acompanha Aura registrando todas as vivências com sensibilidade, para o que em breve se tornará um documentário. Aura explica como surgiu a ideia do documentário:

“Começamos a olhar com maior profundidade o impacto que o trabalho tem na vida dessas crianças, a diferença perceptível. A ideia surgiu para incentivar a prática em locais em que isso não acontece. Relembrar praticantes de yoga e meditação, e também os simpatizantes, que as crianças são nossa responsabilidade, e nos fazer questionar: em qual momento perdemos essa percepção?

Lívia é fotógrafa há 5 anos, dedicando-se a Fotografia Documental do Nascer a Infância. Há alguns anos atua também como fotógrafa em algumas ONGs.

Ela nos conta que em uma conversa despretensiosa, Aura lhe apresentou as vivência da yoga e meditação para crianças, que já acontecia há um ano de forma voluntária na escola de Santa Tereza. A partir daquele diálogo, a ideia do projeto surgiu com um propósito maior: documentar a infância — universo em que as duas já vivenciavam em suas práticas.

“Meu sonho era poder transformar minha profissão numa responsabilidade social e educacional. Que viesse a ser para além da sócio-educação dedicada ao meu filho. A proposta do documentário e essa imersão em acompanhar as vivências da Yoga e Meditação com crianças de comunidades e escolas públicas, trás um olhar sensível voltado para a infância. O desejo de uma denúncia poética e necessária para o despertar social. Fincar raízes numa construção de relação pacífica uns com os outros e mostrar a efetividade dessas práticas. A redução do comportamento quase sempre normalizado e mergulhado em um cotidiano violento, na comunidade escolar”, conta Lívia.

A fotógrafa Lívia Neves documentando aula de yoga em escola de Olinda.

Lívia explica como sua participação no projeto mudou de documentarista para responsável social para com as crianças, participando das vivências e práticas semanais junto com Aura.

“Durante as vivências, há inquietude de um e outro, e também a presença da violência e do destrato. Nesses casos sempre interfiro trazendo o que chamo de sensibilização do olhar. A fotografia me permite o lugar de observadora. Antes de olharmos uns para os outros é preciso praticarmos o respeito, o entendimento que somos pessoas com vidas, criações e atitudes diferentes. Sensibilizar o olhar diante do outro, nos coloca numa posição de compreensão e respeito que temos que aprender desde crianças”.

A intenção do projeto é ir além da fotografia: é olhar o outro e aprender a respirar de forma consciente, tornando as crianças protagonistas da situação. Lívia conseguiu câmeras digitais doadas de um parceiro de trabalho, Rafael Matos, para que futuramente, as crianças possam aprender a manuseá-las e auxiliar nas filmagens do documentário. Tornando-os protagonistas diante dos próprios amigos.

Acreditando nessa necessidade de reconexão e responsabilidade, Aura e Lívia criaram um financiamento coletivo para a realização do documentário que exibirá os processos: inquietação, a presença e o dissipar de comportamentos violentos naturalizados nessas crianças.

Para conferir a proposta no financiamento coletivo, acesse o site do Catarse.

As crianças de hoje serão os adultos em um futuro próximo que poderão transmitir esses benefícios às próximas gerações. Pensando nisso, é essencial cuidarmos e tornarmos as crianças nossa responsabilidade, levando o melhor para cada uma que pudermos.

Fonte(s): Unicidade, Mindifulness in Schools, Meditando no dia a dia, Dia a dia educação, Lume Ufrgs, Fundacion Botin
Eliza Inaê
Redatora freelancer, sagitariana e canhota. Apaixonada por séries, livros, Florence + The Machine, sol e comida. Aprendendo a bordar, enxergar o melhor nas pessoas, e a fazer uma bio maneira.

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