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Atitude Coletiva

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As Drag Queens você conhece, mas já ouviu falar nos Drag Kings?

Mulheres que se transformam em homens pelo bem da arte.

As Drag Queens estão realmente com tudo. Pabllo Vittar, a drag brasileira que quebrou vários recordes da música e entrou para lista das 50 pessoas mais influentes do mundo, está aí para não nos deixar mentir.

Mas e o termo ‘Drag King‘, você conhece ou está pior que caviar, nunca viu e nem ouviu falar? Segura esse “close certo”, que a gente explica!

Drag King é um movimento bastante similar ao já conhecido universo das Queens: expressão artística onde pessoas de um gênero se vestem, se maquiam e se comportam de acordo com o “padrão” do gênero oposto. E claro, fazem shows e performances, como diria a internet, lacradoras.

Mas neste caso é a mulher que se veste de homem e não o contrário, por isso o termo Queen, que significa “rainha”, é substituído pelo termo King, “rei” em português.

Apesar de ter tido seu auge lá nos anos 1980/90, esse movimento feminino de se “transformar” em homens em prol da arte e do entretenimento, teve seu início lá no século XIX, precisamente no teatro europeu, onde muitas atrizes trajavam “roupas de homem” para representar personagens masculinos.

Drag Kings de Londres

Olha a Make!

Exatamente como acontece com os meninos que se montam de divas reluzentes, as garotas que desejam exibir o lado masculino que existe dentro delas também precisam investir pesado na maquiagem e em todo o processo de caracterização.

Fitas adesivas, no melhor estilo “silver tape“, são usadas para afastar os seios, tornando a região peitoral mais reta. Sobrancelhas são engrossadas, pelos são colados no rosto para reproduzir a barba e muita maquiagem para dar traços masculinos ao personagem.

Durante a Queer Week, um grande evento em prol da comunidade LGBTQ que rola todos os anos em Paris, existe até um espaço para ensinar às mulheres todos os segredos dessa arte, através de oficinas e workshops com artistas já renomadas no meio.

O que faz um King?

Então você deve estar se perguntando o que de fato os Drag Kings fazem no palco, já que se fossem usar o esteriótipo masculino como base para construção de suas personagens, assim como os meninos que se montam de meninas fazem, eles ficariam segurando uma caneca de cerveja enquanto esperam sua vez de jogar sinuca, certo?

Errado! Em seus shows, os Kings geralmente dançam, cantam, dublam, atuam em pequenos monólogos, fazem comédia stand-up, ou um pouquinho de todas essas opções.

Isso é o mais atrativo nos shows dos Kings, a quebra de certos padrões masculinos que temos. É difícil imaginar um cara no “lip-sync for your life” (“duble pela sua vida” – frase do reality de Drags Queens,RuPaul’s Drag Race“), não é mesmo?

Lá veremos um cara (muitas vezes másculo e viril) fazendo exatamente isso. Não é encorajador?

Onde estão?

Apesar do destaque que essas artistas receberam no passado, hoje em dia é bem difícil encontrarmos shows com esse tipo de performance, ainda mais aqui no Brasil.

Alguns situações esporádicas, como a apresentação de Lady Gaga, onde ela interpreta sua personagem Jo Calderone, ou aqui no Brasil com a youtuber Charlie, do canal Drag-se, que ensina alguns truques de make para as meninas que querem ficar com um visual mais masculino, são alguns raros exemplos dessa arte.

Lady Gaga como Jo Calderone

Infelizmente uma boa parcela de culpa dos Kings não receberem o mesmo destaque que as Queens pode ser, novamente, o machismo.

De acordo com a escocesa Donnamarie Carol, Drag King que interpreta Eli Buck, a falta de notoriedade para seu trabalho e tantas outras artistas Kings se deve ao fato da sociedade ser orientada exclusivamente para os homens.

“Talvez seja porque a nossa comunidade é orientada para homens. Os Kings sempre estiveram por perto, nós talvez não estivemos tão alto quanto nossas irmãs. Acho que os clubes e as noites sempre reservarão uma Queen sobre um King porque talvez eles pensem que vão vender mais ingressos.” – disse a artista ao Huffington Post.

Mas há esperanças. Graças as discussões sobre gênero, o empoderamento feminino e tantas outras iniciativas e movimentos que estão despontando nos últimos tempos, algumas barreiras do preconceito parecem começar a estremecer.

Um exemplo de que os Kings podem estar voltando aos holofotes foi a iniciativa da página do Facebook da revista Elle, que publicou um vídeo com a transformação do King, Spikey Van Dykey, e já atingiu até o momento dessa publicação, quase duas milhões de visualizações e mais de 14 mil compartilhamentos.

Vamos torcer para que um dia, Kings e Queens consigam habitar o mesmo castelo, não é mesmo? Vida longa ao Rei!

Fonte(s): Gazeta Online, UOL, Revista Lado A, Huffington Post
Redação - Almanaque SOS
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