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Vai, planeta!

Quem são os políticos que produzem a febre que está “matando” o Brasil

Ruralômetro ajuda a ver quem compõe a Bancada Ruralista.

Século XXI, para quem achava que íamos ter teletransporte e carros voadores, pior do que saber que estamos andando milênios para trás, é perceber que na verdade o que chamam de “desenvolvimento” é uma mentira deslavada que inventaram.

E a coisa mais evoluída pela qual temos que lutar hoje é a forma de plantar nossa comida. Uma sabedoria que adquirimos há 10 mil anos atrás e está, hoje, sendo literalmente usurpada.

Eu não acredito que eu ainda tenho que protestar contra essa #*&@#

Então começo com uma afirmação: é possível alimentar todas as pessoas do mundo com agricultura orgânica. É isso que mostra um sem fim de dados e estudos. Um deles é esse, feito pela Universidade de Washington.

Dito isso, é fácil perceber que os agrotóxicos defendidos pelos deputados e ministros brasileiros da bancada ruralista não passam de moeda de troca, que está sendo paga aos que permitiram que eles fossem eleitos, os financiadores de suas campanhas.

Para chegar a essa conclusão, partimos de um banco de dados, criado pela agência Repórter Brasil junto com uma equipe multidisciplinar.

É uma ferramenta interativa que mede como os deputados federais eleitos em 2014 agiram frente a projetos de lei e medidas provisórias que têm impactos sobre o meio ambiente, os povos indígenas e os trabalhadores rurais. O Ruralômetro.

Intuitiva e fácil de usar, a ferramenta avaliou os votos e os projetos de lei propostos pelos deputados federais eleitos em 2014 até o fim do ano de 2017.

Cada deputado ganhou uma pontuação individual, essa pontuação foi aplicada à escala de temperatura corporal humana: quanto mais projetos com impacto negativo o deputado votou ou propôs, mais alta é sua temperatura, podendo chegar a níveis de febre.

O Ruralômetro cruza essa informação com outros dados: é possível descobrir quais deputados já foram multados pelo Ibama (inclusive antes de serem eleitos) e quais deputados receberam doações de empresas ou pessoas que usam trabalho escravo ou que foram multadas por crimes ambientais.

O terceiro filtro permite descobrir quais deputados possuem empresas que não pagaram INSS referente a seus trabalhadores. Esses filtros também podem ser combinados entre si, ou seja, com a ferramenta fica fácil perceber que tipo de pessoa ou empresa financiou o deputado e como isso está influenciando as propostas de lei que ele vota ou propõe. 

Essa ferramenta fica especialmente importante agora!

Já que mais uma vez foi votado o PL 6299/2002 que analisa mudanças na lei de registro de agrotóxicos. O Projeto de Lei foi batizado por diversas instituições de Pacote de Veneno. E não é para menos!

A votação foi transmitida ao vivo (16/05):

ATUALIZANDO (26/06/2018): O projeto infelizmente foi aprovado pela maioria dos deputados da comissão, obviamente todos da bancada ruralista.

Bom, voltemos ao que falei lá em cima: os deputados da bancada ruralista dizem que esse projeto visa “modernizar o processo de registro e liberação dos produtos químicos usados no campo”, sendo que não existe algo mais ultrapassado que agrotóxico.

A primeira medida que trata o Projeto de Lei é mudar o nome “agrotóxico” para “defensivo fitossanitário”. Os deputados (tirando um pequeno sarro com a nossa inteligência) dizem que a palavra “agrotóxico” é o que assusta as pessoas.

Bom, a mim, pessoalmente, o que assusta é o fato desses agrotóxicos que eles querem liberar serem sabidamente cancerígenos e causadores de danos reprodutivos, hormonais e até má-formações fetais. Eles poderiam chamar de “pozinho de pirlimpimpim” que nada mudaria.

Outra medida que o projeto propõe é que a decisão final para liberação dos agrotóxicos seja tomada APENAS pelo Ministério da Agricultura. Atualmente essa decisão está a cargo do Ibama e da Anvisa, além do Ministério da Agricultura. Hoje os três órgãos têm o mesmo peso na decisão, e é isso que eles querem alterar.

Mas esse “drama” que os deputados estão fazendo para “proteger os fazendeiros de perderem sua plantação” não é verdadeiro. Contado apenas o período 2015-2017, foram importados para o Brasil 14 venenos agrícolas extremamente tóxicos e altamente perigosos ao meio ambiente.

E esse dado não expõe o verdadeiro cenário em que se dá o comércio e o uso de agrotóxicos. Os auditores da Secretaria de Controle Externo da Agricultura e do Meio Ambiente, do TCU (Tribunal de Contas da União), identificaram:

  • contrabando e uso de agrotóxicos ilegais;
  • importação de produtos não permitidos no país;
  • aplicação do veneno em culturas para as quais o produto não foi registrado;
  • intoxicação aguda e crônica da população;
  • irregularidades na presença de resíduos de agrotóxicos em água para o consumo humano e nos alimentos;
  • falta de informação ao consumidor sobre a presença de agrotóxicos nos alimentos;
  • e imposição, aos trabalhadores agrícolas, da exigência de uso de agrotóxicos para obtenção de crédito rural.

Traduzindo, os latifundiários/empresários do agrotóxico no país são bandidos.

Eles não seguem as leis, e o que eles querem é afrouxa-las ainda mais, para que não existam penas. O cenário já é muito grave e vai piorar, caso a Câmara dos Deputados aprove essas propostas.

Uma das pessoas que está encabeçando a resistência contra esse projeto de lei é a chef Paola Carosella:

Chef Paola Carosella

Ela sabe que a questão dos agrotóxicos no Brasil, além de ambiental, é social, e gravíssima.

Em uma busca rápida no Google…

Comparei o preço de um quilo de tomate, ao pedir entrega em casa, em dois grandes hipermercados com entregas de sites de orgânicos. A diferença do quilo de tomate é de uma média de 4 reais o quilo do com agrotóxico para uma média de 12 reais o quilo do orgânico.

Rico no Brasil compra orgânico e ainda ganha dinheiro com o veneno na mesa dos outros.  Ou você acha que os donos das grandes redes de produtos alimentícios comem o que eles vendem? E por que a diferença é tão gritante? Porque a concorrência é desleal.

Se não tem um produtor do lado da sua casa, os orgânicos acabam ficando caros POR CULPA da produção que usa o combo transgênico + agrotóxicos + fertilizante. Simplesmente fica impossível para os produtores orgânicos concorrerem com fazendas que usam trabalho escravo, jogam veneno de pequenos aviões, sonegam impostos, não pagam direitos trabalhistas e não precisam se preocupar com o solo e com a água. Simplesmente não rola.

Gigantescas multinacionais faturam 10 bilhões de dólares por ano vendendo agrotóxicos no Brasil. Em menos de 15 anos, o faturamento delas aqui cresceu quase 400%, enquanto a quantidade de veneno vendida aumentou 188%. Elas financiam direitinho os deputados delas. Não se enganem com esse discurso de “proteger as plantinhas das pragas”. É tudo pelo dinheiro!

Isso significa que brigar por regulação no uso de agrotóxicos é brigar pela nossa SAÚDE. A nossa, porque a saúde dos deputados que estão aprovando esse Pacote de Veneno na Câmara, e a de suas famílias, garanto que está bem assegurada.

Para tentar segurar esse atraso, Paola Carosella sugere que a população assine uma petição, CLIQUE AQUI PARA ASSINAR, para mostrar que não aceita mais agrotóxicos no prato, bem como pressionar os deputados nas redes sociais:

[ATUALIZANDO]

Após a votação do projeto ser adiada pela terceira vez, a próxima reunião para discutir o PL, de autoria do atual Ministro da Agricultura Blairo Maggi, está marcada para terça-feira, 29 de maio, às 10h.

Com esse prazo, a câmara disponibilizou uma enquete para coletar a opinião das pessoas. Se você é contra o Projeto de Lei, opte por DISCORDO.

Clique aqui para acessar a enquete

Fonte(s): Ciclo Vivo, Ruralômetro, Almanaque SOS, Revista Globo Rural, Revista Carta Capital, Revista Globo Rural
Roberta Nader
Ativista pra mudar o mundo. Roteirista, cronista, editora, observadora de bichos e plantas, mergulhadora, leitora compulsiva. Viajante dos mundos: o nosso e o meu. mais em: robertanader.com

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