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Terapia grátis: como se consultar com psicólogos gratuitamente

19 de março de 2021
Postado por Ana Cláudia Oliveira

O atendimento psicológico se faz cada vez mais necessário. Porém, o custo da sessão de terapia é alto para a maioria das pessoas. Para te ajudar, organizamos algumas formas de ter acesso gastando nada ou muito pouco. Tome nota!

 

Como fazer terapia grátis ou de baixo custo

Não é exatamente fácil conseguir obter terapia gratuita. Se comparado a forma tradicional que você escolhe o dia, paga e tem acesso rápido ao profissional, no caso de pagar pouco ou nada, quase sempre é necessário passar por algum tipo de triagem e lista de espera.

As formas de conseguir terapia grátis ou com baixo custo são através do:

  • SUS – Sistema Único de Saúde;
  • clínicas e instituições filantrópicas;
  • atendimento social;
  • e escolas de saúde.

Além desses, há também o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), que, apesar de lidar com doenças da mente, é específico casos mais graves que exigem intervenção psiquiátrica.

Confira agora como funciona cada um desses lugares.

 

Como funciona a terapia gratuita no SUS

Vale dizer, já de antemão, que o serviço psicológico no SUS pode ser difícil de ser encontrado, tomando como referência Salvador, cidade onde Ludmila trabalha; a profissional lamenta os poucos postos de atendimento na capital baiana.

Uma das formas para conseguir atendimento é nos Multicentros de Saúde, que fazem agendamento pessoalmente; não adianta ligar para a triagem desse tipo.

Você também pode ir aos Postos de Saúde e perguntar sobre o processo de triagem da sua cidade, a partir daí fazer os processos necessários para conseguir a terapia grátis pelo SUS. Infelizmente, cada município tem um trâmite diferente.

Caso não tenham profissionais disponíveis, existe uma lista de clínicas e entidades filantrópicas de terapia psicológica onde podem encaminhar os pacientes, já que há essa dificuldade dentro do sistema público de saúde.

 

Como funciona o atendimento social

O atendimento social é uma forma que os profissionais de psicologia ou coletivos (grupo de profissionais juntos auxiliam pessoas com necessidades psicológicas) podem aderir para ajudar pessoas que até podem pagar por uma terapia, mas não dispõe de valores altos por mês ou seções.

A psicóloga Natália Lima explica que o atendimento social “é o suporte psicológico ofertado por profissionais de psicologia de forma gratuita ou à preços simbólicos.”

Tudo que acontece nesse modelo de atendimento, segundo a especialista, é previamente combinado com o paciente.

“Funciona quase nos mesmos moldes do processo terapêutico convencional. Os acordos como preço (se for simbólico), tempo de duração das sessões, horários etc. são combinados entre o profissional e o paciente. Geralmente o profissional ou coletivo que oferta esse serviço já tem alguns horários preestabelecidos.”

O Almanaque SOS já indicou algumas iniciativas com valor de baixo custo (e gratuitas) para pessoas que estejam precisando de atendimento psicológico na pandemia; veja aqui. Além dessas, existem diversas entidades que oferecem esse serviço, basta pesquisar por “atendimento social psicologia“.

 

Terapia grátis em Escolas de Saúde

Além do serviço público como um todo, há a possibilidade de terapia grátis na chamadas Escolas de Saúde. As Faculdades da área de saúde oferecem atendimento através de estudantes em estágio, supervisionado por algum profissional já formado.

Dessa maneira, a comunidade que fica no entorno de uma Escola de Saúde pode conseguir assistência psicológica a baixo custo ou até realmente uma terapia grátis, tudo varia de acordo as regras que instituição estipula para o atendimento.

Helder Vidal, estudante de psicologia e com estágio no Centro Universitário Jorge Amado, já está habilitado para atendimentos. Ele explica que o “serviço de saúde [da instituição] oferece um excelente atendimento a comunidade, e tem professores supervisores que são referências nas áreas.”

Reprodução, https://www.instagram.com/p/CBN18MehIzq/

Atendimento da escola de Saúde do Centro Universitário Jorge Amado é gratuito e está sendo feito a distância.

Também conversamos com a estudante de psicologia Daniele Gomes, 24, que relata ter procurado terapia na própria faculdade, UNIME. A estudante afirma que o receio de ser atendida por outros universitários durou pouco tempo:

“Fui muito bem atendida e principalmente acolhida, a princípio fiquei com certo receio por serem estudantes como eu, mas aos poucos fui me sentindo bem confortável em ser atendida no local”, conta.

Os dois estudantes asseguram que o serviço não deixa de ser bom por ser feito por quem ainda não é formado, nem muito menos por ser gratuito. Daniele aponta, apenas, a demora no processo de triagem.

Helder explica que para participar, basta agendar a triagem com a instituição e fazer o processo de identificação com eles para entender o tipo de atendimento, como será a abordagem e outros detalhes pontuais.

 

Atendimento psiquiátrico via CAPS

Ambos dão assistência a comunidade, sendo que os CAPS são geridos pelo Governo do Estado e o CRAS é organizado pela Prefeitura. A intenção desses órgãos públicos é dar assistência à comunidade.

Como não podem atuar em todos os casos, não oferecem auxilio psicológico, apesar de ajudar quando necessário.

CAPS: atendimento de casos psiquiátricos mais graves

Ludmila Vieira, psicóloga do CAPS II no Bairro de São Caetano em Salvador – BA, conta que a especialidade onde trabalha são pessoas com problemas psiquiátricos mais graves.

“A entrada é por demanda espontânea ou por encaminhamento de UBS – Unidade Básica de Saúde, UPA – Unidade de Pronto Atendimento, hospitais psiquiátricos etc. Mas a pessoa precisa verificar qual CAPS atende o bairro onde ela mora”, explica.

Então, por exemplo, quando uma pessoa tem algum tipo de surto, a família ou ela mesma, pode ir diretamente ao CAPS mais próximo, ao posto de saúde ou a emergência que será encaminhado até lá se for um caso aparente de psiquiatria.

Se for um quadro ameno, ainda que vá direto ao CAPS, irá receber apoio e orientação para procurar atendimento psicológico no SUS – falo sobre isso a seguir.

CRAS: oferta de serviços socioassistenciais

E no caso do CRAS, unidade pública descentralizada da política de assistência social, Ludmila explica que o trabalho é pontual e mais focado na assistência social.

“Basicamente com acompanhamento de pessoas e família em situação de vulnerabilidade social. Encaminha para benefícios sociais, dão orientação psicológica (mas não dão assistência contínua como uma terapia).”

Vale reforçar que o psicólogo do CRAS não é habilitado para fazer clínica ou atendimento terapêutico.

 

E na pandemia, como andam os atendimentos?

A respeito do CAPS, não há atendimento durante a pandemia.

Já as outras modalidades detalhadas aqui, todas têm a flexibilização para atendimentos virtuais, salvo questões de triagem que podem exigir presença do paciente. Mas as sessões de terapia, em sua maioria, se adaptaram ao formato de vídeo chamada.

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