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Atitude Coletiva

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“Tenho tesão em ficar sozinho”

Solitude não tem nada a ver com desgostar de outras pessoas, ou ser adepto do narcisismo.

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Não é de se espantar que eu seja solitário: passo mais tempo na frente do computador, me divertindo e trabalhando, do que lidando com gente ao vivo. Prefiro assim.

Abracei a solitude como parte de mim, a glória no silêncio da minha casa, de não medir comportamentos e agir sem me preocupar com quem está olhando. Em outras palavras, o poder de tirar meleca, fazer bolinha e jogar longe, sem neurose.

Tem dias que solitude vira solidão e ficar sozinho machuca. Fico imaginando um amigo “perfeito”, que pudesse ler minha mente e achar graça da mesma piada que só eu sinto dores de tanto rir. Talvez alguém para dormir de conchinha ou transar casualmente, sem complexidades, apenas para exercitar o corpo e curtir o do outro. Ou alguém igualzinho a mim, que veja as coisas como eu vejo.

BANG! Me fodi.

Porque o mundo é composto por pessoas diferentes umas das outras. O legal do convívio em sociedade é aprender a respeitar o que é diferente de mim e conviver com isso. Então se quero alguém parecido comigo a níveis atômicos, por que não me contentar comigo mesmo?

Tá, essa carência repentina e avassaladora existe, mesmo que rara, e geralmente surge após um grande momento de estresse, durante uma fadiga emocional ou depois de várias noites mal dormidas. É como se meu cérebro pedisse por companhias para se situar novamente na realidade, para que eu não esqueça que a Terra continua girando fora da minha casa.

Mas não se engane: eu tenho amigos. Muitos. Quando nos encontramos, as primeiras horas conseguem ser divertidas e me dão um novo ar para respirar. O problema é que essa vontade de estar acompanhado acaba rápido — digo que meu mana social” acabou, que nem RPG — e tudo que peço mentalmente é que esses amigos encontrem coisas mais divertidas para fazer longe de mim.

Isso não quer dizer que gosto menos deles ou que passo tardes masturbando meu reflexo no espelho.

Pela internet posso controlar o fluxo de contato social. Posso desligar o computador, fechar o WhatsApp, desaparecer. Pela internet ninguém fica ao meu lado fisicamente, eliminando as duas coisas que mais prezo: minha privacidade e a liberdade de ser apenas para mim.

Sozinho não preciso segurar o peido. Sozinho converso comigo sobre a vida e respondo personagens de séries (como se estivesse em cena com eles) para treinar meu inglês — tudo em voz alta como o bom maluco que sou. Uma cerveja, um beck, os álbuns certos e tá tudo bem, ninguém reclama da música. Ninguém fala durante o filme. Ninguém nada.

Só que mesmo na mais gostosa solitude, não há como fugir de outros seres humanos. Precisamos lidar com eles para qualquer coisa nesse planeta! Porém, não acho nada ruim preferir se isolar na maior parte do tempo. Quando aceitei essa minha “peculiaridade”, passei a ser mais satisfeito comigo e a economizar meu “mana social” para gastar nas horas certas.

Equilíbrio é a palavra-chave da minha vida e o ditado “antes só do que mal acompanhado” sairia constantemente da minha boca se eu tivesse com quem conversar — mas prefiro postar no Twitter, uma rede onde o “social” é efêmero: na mesma velocidade que algo nasce, morre. Igualzinho ao meu desejo de socializar.

Abençoada seja a internet.

Enrique Coimbra
"Sem H" mesmo. Escreveu os livros "Sobre um garoto que beija garotos", "Um Gay Suicida em Shangri-la" e "Os Hereges de Santa Cruz". Também grava vídeos para o canal "enriquesemh" do YouTube, é capista, e criou o site Discípulos de Peter Pan , sobre comportamento e bem-estar!

Tá na rede!

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