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“Sobre tomar no c*”

Se está precisando de um tempo dos estresses cotidianos, fica a dica.

Enrique Coimbra Publicado: 06/11/2015 17:04 | Atualizado: 23/01/2020 17:13

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Outro dia passei duas horas com a operadora do celular tentando resolver um problema simples. Como é de se imaginar, duas horas pareceram anos falando com pessoas que me tomam de idiota, indispostas a resolver qualquer merda.

Quando desliguei, tudo que eu queria fazer era xingar, mas notei que meu arsenal de palavreados está meio desfalcado:

a) Porque ser filho da puta não é ruim e não há nada errado em ser/trabalhar como puta — e seria injusto comparar putas com operadoras de telefonia (que estão mais para ladrões que prestadores de serviço);

b) Chamar de veado, ainda mais por eu ser um, não é nada ofensivo — e não pretendo propagar esse adjetivo maravilhoso como algo terrível, como foi no passado;

c) Mandá-los para a casa do caralho também não parece forte como já foi — afinal é a casa do caralho! Imagina como deve ser divertido morar lá;

d) E tomar no cu é bom demais para mandar pessoas que, no momento da raiva, merecem algo bem mais terrível.

Aí fiquei vidrado nesse pensamento. Mandar alguém tomar no cu era ofensa pesadíssima há uma década. Atualmente não ligo se alguém me manda tomar no cu porque tomar no cu é bom.

Na cama sou hoje o que chamam de versátil: não me limito a isso e aquilo. Me limito ao que acho pertinente com quem transo e faço o que dá na telha. Por isso dei minha bunda poucas vezes, mas o suficiente para percorrer todo o processo da vergonha, de não admitir a curiosidade de dar a bunda, até o que aconteceu há poucos dias:

As preliminares estavam tão boas e a gente se empolgou tanto que o cara pareceu muito a fim de passear por meu popô. Com vontade de não deixar o climão da preliminar cair, na curiosidade de experimentar meu corpo e satisfazer alguém que prezo, dei o bumbum como poucas vezes.

Foi fácil, prazeroso e rápido — porque é uma área tão sensível que quando meus nervos sentiram o atrito, cheguei ao orgasmo em menos de um minuto. Nem preciso falar que o cara transando comigo explodiu também, né?

Como mandar alguém tomar no cu pode ser ruim?

Ruim é ter a bunda esfolada, óbvio, e acho que o sentido do palavrão é esse, ao menos hoje, porque dar a bunda antigamente, ou querer comer a bunda de uma mulher e falar disso em público era sinônimo de ser gay.

E ser gay sempre foi errado para essa sociedade(zinha) hipócrita que condena tudo ligado à “putaria”, porém consome mais sexo que Pac-Man papando fantasmas. Em vez de usar “vai tomar no cu” como xingamento, salvo a frase para amigos ou amigas, héteros ou gays, que se mostram tensos por alguma razão:

“Olha, vai tomar no cu, comer um cu, transar, ler um livro, ver uma série…”

Cu é corpo, um buraco cheio de nervos usado não só para dispensar inutilidades orgânicas, mas para receber um pinto, um dedo, ou qualquer coisa que estimule essa área mágica — desde que com segurança, higiene e camisinha.

E se você, meu caro leitor, está precisando de um tempo dos estresses cotidianos, fica a dica: vá tomar no olho do seu cu. Ou faça alguém tomar, se é o que você curte.

Se cu não for mesmo sua praia, serve tomar um suquinho de maracujá*. O que não serve é a gente encarar sexo com tanto preconceito, agressividade ou apontamento de dedos, pois até onde experimentei, orgasmo vale mais a pena quando vem sem culpa.

*Piada sem graça. Não me odeie. Não pude deixar passar.

Enrique Coimbra
"Sem H" mesmo. Escreveu os livros "Sobre um garoto que beija garotos", "Um Gay Suicida em Shangri-la" e "Os Hereges de Santa Cruz". Também grava vídeos para o canal "enriquesemh" do YouTube, é capista, e criou o site Discípulos de Peter Pan , sobre comportamento e bem-estar!

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