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Atitude Coletiva

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Setembro Amarelo: o chilique de Carlinhos Maia sobre suicídio revela a importância de debater o tema

Precisamos falar sobre o assunto de maneira responsável e aberta.

Já falamos sobre como o humorista e influenciador digital Carlinhos Maia, ao compactuar com comentários que debochavam da depressão do também humorista e influenciador Whindersson Nunes, mostrou que não entende nada da doença (leia a matéria completa aqui).

Após o ocorrido, Carlinhos afirmou que não precisa fazer mal a ninguém, seja com palavras ou gestos; e pediu desculpas pelo seu comportamento:

Errei como ser humano que explode, que dá atenção a coisas que não é para dar”, pontuou o humorista.

Apesar do pedido de desculpas, um comportamento recente do humorista deixou claro que ele ainda não foi capaz de assimilar a gravidade de comportamentos depressivos ou suicidas.

Em um tom exaltado, o influenciador – que acaba de ganhar um programa no Multishow – fez comentários no mínimo insensíveis sobre mensagens que afirmou receber de seus seguidores.

Eu vejo meninos aqui com 16 anos me mandando ‘eu quero me matar’. Vai, ô imbecil. Vai se matar porque você nem começou a vida ainda”, esbravejou nos stories do Instagram.

Após polêmica com a repercussão dos vídeos, eles foram deletados da conta do humorista, mas internautas já haviam salvo o conteúdo que se espalhou rapidamente pelas redes sociais:

Alguns internautas, na tentativa de ‘justificar’ as falas de Carlinhos, entenderam seu comportamento como uma forma de “dar uma dura” nos adolescentes que mencionou. A maioria deles, porém, destacou o quanto as falas de Maia podem servir de gatilho para adolescentes depressivos, com pensamentos suicidas.

Outros influenciadores de peso, como Felipe Castanhari e Felipe Neto, se posicionaram contra a fala do humorista; inclusive dando força à vítima.

Como resposta às falas polêmicas, Carlinhos vem perdendo seguidores – em menos de 12 horas, mais de 10 mil pessoas deixaram de seguir seu perfil no Instagram.

Vale lembrar que, segundo levantamento feito pelo Instagram, o humorista é o segundo influenciador com stories mais visualizados do mundo, ficando atrás apenas de Kim Kardashian. Até o momento desta publicação, Carlinhos ainda não se pronunciou publicamente sobre o assunto.

Apesar do comportamento dele refletir o que pensam muitos brasileiros, o chilique de Carlinhos Maia nos ensinou algo valioso:

Precisamos falar sobre depressão e suicídio, com responsabilidade!

Se existe uma ‘lição’ que podemos tirar desse comportamento reincidente de Carlinhos Maia, que continuou extremamente popular mesmo após o caso anterior, é que não podemos deixar de falar sobre depressão e suicídio, é necessário evitar tratar o assunto como um tabu; mas precisamos fazer isso de forma responsável.

Alguns dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a saúde mental dos adolescentes ilustram a importância de se tratar o assunto com responsabilidade:

  • 16% das doenças e lesões em pessoas com idade entre 10 e 19 anos têm origem nas condições de saúde mental;

  • A depressão é uma das principais causas de doenças e incapacidade entre adolescentes no mundo todo;

  • O suicídio é a terceira principal causa de morte de adolescentes entre 15 e 19 anos;

  • Metade de todas as condições de saúde mental tem início, em média, aos 14 anos de idade – a maior parte não é detectada nem tratada.

O mesmo documento da OMS menciona, ainda, que as consequências do não tratamento de condições de saúde mental nos adolescentes podem prejudicar a vida adulta destas pessoas, afetando tanto a saúde física quanto mental.

A promoção da saúde mental e a prevenção de transtornos são fundamentais para ajudar adolescentes a prosperar”, destaca a OMS.

Confira alguns dos sintomas que devem ser acompanhados e levados a sério:

  • tristeza persistente;

  • postagens relacionadas a suicídio ou depressão profunda nas redes sociais;

  • perda de interesse em atividades que antes davam prazer;

  • fadiga;

  • falta de energia;

  • alteração no sono;

  • irritabilidade;

  • alterações no apetite;

  • choro sem razão aparente;

  • ideias de morte;

  • dores e sentimento de inutilidade.

Setembro Amarelo

Ironicamente, toda essa polêmica aconteceu justamente no começo do mês que o Brasil dedica para a prevenção do suicídio. A campanha Setembro Amarelo existe no Brasil desde 2015, uma iniciativa do Conselho de Valorização da Vida (CVV), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

A proposta, segundo o site da campanha, é trazer discussões sobre o assunto durante todo o mês de setembro, já que no dia 10 de setembro acontece o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.

Ao contrário do humorista, o CVV trabalha de maneira séria na prevenção de suicídio, oferecendo em plataformas diferentes suporte para quem deseja ser ouvido e receber ajuda.

Para atingir a população, são feitas ações de rua, como caminhadas e passeios de bicicleta que conscientizam as pessoas sobre a importância de conversar sobre o tema e procurar acompanhamento psicológico ou psiquiátrico.

Se você precisa ou conhece alguém que pode precisar de ajuda, peça ajuda. Ofereça ajuda.

  • O chat do CVV conta com voluntários treinados para oferecer suporte emocional – mantendo a identidade e conteúdo da conversa em sigilo absoluto. Para ir ao chat, clique aqui;

  • O mesmo suporte é oferecido também por e-mail. Para enviar, clique aqui;

  • O CVV conta também com alguns postos de atendimento presencial espalhados pelo país. Para consultar se existe um perto de você, clique aqui;

  • Por fim, é possível falar com um voluntário do CVV também por telefone, ligando para o número 188. A ligação é gratuita, pode ser feita de celulares e o atendimento ocorre todos os dias, 24h por dia.

Fonte(s): Escola da inteligencia
Daiane Oliveira
Jornalista, feminista e mãe. Discute religião, política, sexo e hábitos sustentáveis. Não discute futebol porque não entende. Quem sabe um dia.

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