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Atitude Coletiva

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Sem medo do TESÃO (de ser solteiro/a)

Levante a mão se você conhece alguém que reclama constantemente por não estar namorando!

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Levante a mão se você conhece alguém que reclama constantemente por não estar namorando!

A sina de um dos meus melhores amigos é se queixar de como terminará pra titio, de como namorar ajudaria a tornar problemas mais fáceis e como o casamento dos sonhos nunca vai rolar porque ele:

a) não encontra ninguém interessante — mas quando encontra, começa a inventar problemas onde não há;

b) se sente feio — porque tá com espinha. Porque precisa malhar. Porque se compara com modelos de beleza que não tem nada a ver com o biotipo dele;

c) acha que nasceu pra sofrer, já que a vida de todo mundo é melhor que a dele — mas a verdade é que tá todo mundo tão atolado na merda quanto coliformes fecais.

O problema piora quando ele fica com tesão, abre aplicativos e transa com o primeiro cara interessante que surge, só pra depois se queixar de como foi ruim e que se sente culpado por se dar tão facilmente para quem não fez nada para merecê-lo — no meu caso, só de me querer, a pessoa já me merece 😉

Essa ideia de que “transar por transar é feio” vem de imposições culturais arcaicas e hipócritas que não cabem nesse texto. O que cabe é que sentir e matar esse tesão, transando sem compromisso com quem surgir — desde que com camisinhanão é razão para se sentir culpado.

Afinal, culpado pelo quê?

a) De apreciar alguém desejando seu corpo, abrindo sua roupa como quem rasga um pacote de alcaçuz durante a larica?

b) De explorar o corpo de alguém que te quer tanto quanto você a quer — ao menos nos próximos quarenta minutos?

c) De explodir em orgasmo, atingindo o Nirvana melado de suor, líquidos sexuais e baba?

Tá. Me diz qual parte disso é ruim a ponto de você precisar se culpar, porque não tô entendendo.

Tive medo de assumir minha fome sexual durante anos. Não queria que me vissem como uma criatura que gosta de chupar pinto. Não por ser gay, mas porque, nas conversas em família, perder a imagem de garoto no modelinho moral me fazia sentir um piranha — como se ser piranha fosse errado…

Achei que nunca falaria de sexo anal com minha mãe ou irmãs. Que nunca sentiria ondas de tesão às três da manhã e correria pro aplicativo sem medo de mostrar minha cara no perfil e avisar: “hoje preciso de alguém pra (me) comer”, esperar o cara me buscar pra um sexo gostoso e voltar pra casa satisfeito, me sentindo muito mais atraente e dono de quem sou por não me assustar ou me arrepender do que quero!

Transas ocasionais não diminuem o caráter de ninguém. Não te torna menos capacitado para um relacionamento monogâmico.

O que fode (de forma negativa, óbvio) é a quantidade de cruzes que pregamos nas costas por obedecermos um desejo natural que serve de remédio para estresse, e que quando discutida com normalidade chega a curar hipocrisia numa jornada de autoconhecimento não apenas física, mas psicológica.

Aprendemos sobre limites, nos tornamos ousados em outras áreas da vida, e diferenciamos o que é felicidade: a que estará nas mãos/pau/pepeca/bumbum de alguém e que ainda nem existe, ou se está na nossa capacidade de aceitar o que somos, mudar o que queremos e gozarmos de nossas vontades sem complicação!

Sabe aquela parada do “relaxa e goza”? Deixe o futuro no futuro. Até lá, vá se assanhando safadamente com o presente — e com quem você quiser presente dentro das suas calças —, deixando de temer seu apetite sexual porque ele faz parte da nossa constituição biológica.

Confia. Ele só quer seu bem.

 

Enrique Coimbra
"Sem H" mesmo. Escreveu os livros "Sobre um garoto que beija garotos", "Um Gay Suicida em Shangri-la" e "Os Hereges de Santa Cruz". Também grava vídeos para o canal "enriquesemh" do YouTube, é capista, e criou o site Discípulos de Peter Pan , sobre comportamento e bem-estar!

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