• Colabore!
  • Sobre nós
  • Contato
  • Anuncie

Atitude Coletiva

chevron_left
chevron_right

Selfies perigosas: o futuro dos conteúdos falsos pode depender do seu perfil no Instagram

Deep fake pode usar imagens para criar vídeos falsos com perfeição.

Se você não aguenta mais ouvir falar em fake news segure a sua onda, parça, pois essa treta toda ainda nem começou!

A série documental do BuzzFeed News em parceria com a Netflix, “Seguindo os Fatos”, revela no episódio “O Futuro dos Conteúdos Falsos” que o que vem por aí é ainda muito pior.

No episódio, o repórter Charlie Warzel, especialista em escrever o que chama de “coisas estranhas da internet”, destaca a simplicidade que há no fenômeno em que uma pessoa escreve uma notícia falsa, compartilha, e ela se torna viral.

Apesar de termos nos habituado a pensar que veículos tradicionais só falam a verdade, grande parte da população começou a questionar isso. Tanto que, segundo o Datafolha, 47% da população brasileira acreditou nas notícias (falsas ou não) veiculadas em grupos do Whatsapp, durante as eleições de 2018.

Se esse número já assusta, imagine se ao invés de apenas a notícia em texto com foto (editada ou não), as pessoas recebessem um vídeo mostrando a cena:

“Atriz de Harry Potter faz revelação bombástica: ‘Na verdade meu nome é Sofia Vergara!'”

Ok, aí fica evidente para a maioria das pessoas que é uma brincadeira. Mas e se a notícia for mais problemática:

“Barack Obama diz que jamais contrataria pessoas brancas”

Ou então…

“Atriz de Mulher-Maravilha fez vídeo adulto no início da carreira”

Não há uma pesquisa sobre o assunto, mas é certo que apenas as pessoas mais atentas ou os especialistas iriam desconfiar de tais vídeos, também conhecidos como deepfake, tanto que a polêmica envolvendo o “filme adulto de Gal Gadot” se tornou um marco na nossa história recente. Falamos sobre isso aqui.

E isso está presente ao alcance dos dedos, por exemplo, pela tecnologia chamada de Face Swap (troca de cara), que muitos de nós estamos habituados a utilizar no Instagram e outros aplicativos, para trocar nosso rosto de lugar com nossos amigos,

Face Swap

O algoritmo desses aplicativos é capaz de pegar um vídeo e separar cada um de seus frames (imagens, que postas em sequência dão a noção de movimento), converter cada um e juntá-los em um novo vídeo, que mantém as expressões do original, reproduzindo-as no rosto inserido.

Ou seja, sua tia não tem culpa alguma dos vídeos que vai mandar para você a partir de agora.

Para John Knoll, mestre dos efeitos especiais que ficou conhecido pela saga Star Wars e por ser um dos desenvolvedores do Photoshop, as ferramentas são fantásticas, cabe a sociedade cobrar seu uso ético.

Uso da tecnologia trouxe o falecido ator Peter Cushing à vida no filme Rogue One, da saga Star Wars.

O que já está disponível para qualquer pessoa?

Existe o Lyre Bird, que é capaz de reproduzir vozes. Para isso, basta repetir algumas frases prontas para a inteligência artificial aprender sua voz e pronto: é só digitar um texto que ele gera o áudio de sua voz falando.

O repórter testou o resultado com sua própria mãe pelo telefone. Para sua surpresa, ela não percebeu que estava falando com um aplicativo.

Mas e o Instagram?

Segundo Hao Li, da Pinscreen, empresa especializada em criar avatares realistas de pessoas para games, para reproduzir o rosto em movimento de uma pessoa basta que se tenha em mãos uma foto com a expressão neutra. Ou seja, uma selfie.

Hao Li brinca com seu próprio avatar.

Isso é possível porque a empresa treinou uma inteligência artificial com milhares de expressões de diferentes pessoas, traçando dessa forma uma previsão de reação facial para cada tipo de sentimento.

Só que o mais bizarro disso é que para que aconteça, basta usar, por exemplo, uma foto de perfil do Facebook, que é pública.

Pelo potencial de impacto, isso faz com que celebridades e figuras públicas sejam o grande alvo, ainda mais pela quantidade de vídeos e áudios disponíveis nas redes. Quanto mais exposto, mais vulnerável você está.

O que as redes sociais dizem sobre isso?

O jornalista entrou em contato com algumas das principais redes sociais, como Facebook/Instagram e Reddit, tentando marcar uma reunião, mas de todas recebeu uma resposta quase pronta dizendo que os desenvolvedores das empresas estão trabalhando para garantir a nossa privacidade. A gente sabe, Zuckerberg…

Oh, e agora quem poderá nos defender?

Apesar do próprio fundador do Facebook dizer que está mexendo os pauzinhos para melhorar a privacidade dos usuários, sobre o uso das imagens e sons (deep fake) até agora ninguém se pronunciou.

Por isso Aviv Ovadya, chefe de tecnologia do Centro de Responsabilidade para Mídias Sociais, que previu o “Infocalipse”, apocalipse das notícias falsas, alerta que é preciso criar uma infraestrutura de responsabilização nessas empresas.

O documentário encerra com uma triste constatação: do jeito que as coisas vão, muito mais em breve do que pensávamos, não seremos mais capazes de distinguir realidade e ficção. Por isso o que acontecerá no futuro, depende do que fizermos agora.

Fonte(s): Seguindo os Fatos
Claussen Munhoz
Gaúcho paulistano. Colorado de nascimento, formado em mundanidades e viciado em inutilidades. Tarado por informação, literatura e churrasco. Roteirista, jornalista e ex-produtor de Hermes e Renato que gosta de estudar e de batata. Só mais um entre tantos meninos perdidos.

Tá na rede!

Quero mais!

Veja mais artigos!

Em caso de chefe
clique aqui