Segundo a psicologia: quanto mais incompetente uma pessoa, mais confiante ela é
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Segundo a psicologia: quanto mais incompetente uma pessoa, mais confiante ela é

Uma mente ignorante não é vazia; ela tem muitas ideias preconcebidas.

Taís Lenny Publicado: 25/09/2018 12:21 | Atualizado: 16/10/2018 11:49

A internet nos deu amplitude. Hoje em dia qualquer um pode falar sobre o sentido da vida, o formato da terra ou a opinião de um autor, que já morreu, sobre seu livro reeditado. Tudo é certeza, nada se discute.

Todos sabem sobre direitos humanos, são historiadores, estatísticos e cientistas políticos, sem nunca ter estudado profundamente esses assuntos.

No cotidiano isso também acontece. Quem não conhece aquele amigo que se acha o cantor dos cantores ou o comediante mais engraçado do mundo? Todo mundo é assim, tende a superestimar suas aptidões, tanto sociais quanto intelectuais.

A psicologia tem um nome para esse “fenômeno”: efeito Dunning-Kruger.

O pessoal do Minutos Psíquicos, que discute neurociência, psicologia e até o universo, fez um vídeo bem interessante sobre o assunto no seu canal do YouTube (veja ao final desse artigo). E é sobre isso que vamos falar agora:

“Quanto mais incompetente, mais confiante”

Esse teu amigo que acredita cantar horrores, pode ser incompetente nessa área e não tem condições para perceber que canta mal. Para ele seus shows no chuveiro são fantásticos e a plateia está indo à loucura.

Isso acontece, pois, é preciso um certo nível de competência para perceber que não somos tão bons assim em algo. É bem irônico, mas a pessoa incompetente é bem mais confiante no seu desempenho, do que alguém muito mais apto que ela. E temos provas disso!

O experimento Dunning-Kruger

Num estudo publicado em 1999, David Dunning e Justin Kruger explicaram sobre essa “superioridade ilusória”.

Tudo começou quando Dunning, professor de psicologia da Universidade de Cornell, leu que um assaltante invadiu o banco sem máscara e de dia. Claro que ele foi preso. Mas depois, descobriram que ele fez isso porque acreditou que aplicando suco de limão no rosto, ficaria invisível para as câmeras de segurança.

Ele realmente acreditou nisso, por conta de uma história que ouviu de amigos. Até testou essa hipótese antes do crime, espalhou suco de limão no rosto e então tirou uma foto. Pasmem, o limão o cegou e não permitiu que ele focasse o seu rosto e sim o teto ao bater a foto… assim, acreditou que estava invisível.

Dunning, então, ficou se perguntando como alguém poderia ser tão idiota? Por isso, propôs ao seu discípulo, Justin Kruger, que investigassem se realmente seria possível um incompetente não ter consciência de sua própria incompetência.

Organizaram um grupo de voluntários e realizaram o experimento Dunning-Kruger. Perguntaram aos voluntários o nível de eficiência deles em três áreas: gramática, raciocínio lógico e humor. Em seguida, fizeram um teste para avaliar a real competência de cada um nessas áreas.

Não é preciso ter uma bola de cristal para saber: os resultados confirmaram o que Dunning e Kruper desconfiavam.

Os mais confiantes, antes de fazer a prova, tiraram as piores notas, ou seja, aqueles que se definiram como “muito competentes” em alguma área, tiveram menor nota na prova sobre esse assunto. Já os que se achavam incompetentes, tiveram melhores resultados.

Competentes são mais cuidadosos

Quando uma pessoa entende muito de um assunto, como física por exemplo, quer dizer que ela tem muito conhecimento sobre o tema e tem bons parâmetros para discutir e avaliar coisas desse universo.

Sabendo muito sobre física, ela não vai correr o risco de dizer que o assunto não é complexo, pelo contrário. Por conta disso, conhecer muito sobre física vai dar a essa pessoa a capacidade de se tornar menos confiante ao falar sobre isso, já que entende como o assunto pode ser complicado. Ela vai ser muito mais cuidadosa e detalhista quando for explicar sobre o tema aos outros.

Mas não se engane, não se trata dos especialistas saberem menos ou mais, eles apenas acreditam que outros também podem saber bastante sobre o tema que dominam.

Agora, quem entende pouco de física não pensa da mesma maneira e sai por aí falando um monte de coisas, sem medo algum de falar bobagem. Só que acaba fazendo exatamente isso.

Ignorância é um perigo

Soa familiar, né? É o que acontece nas redes sociais onde todo mundo se sente especialista e opina sobre tudo como se dominasse cada tópico apresentado na internet. Aí, é um festival, todo mundo desqualificando o trabalho do outro, mesmo que este “outro” tenha estudado anos sobre o assunto em questão.

Embaixada alemã afirmou que nazismo é de direita em sua página do Facebook e recebeu comentários de usuários que discordam desse fato.

O experimento de Dunning-Kunger mostra que as pessoas tendem a exagerar sua própria competência e falham ao reconhecer a competência de alguém.

O próprio Dunning publicou um artigo em 2014, dizendo que as pessoas menos qualificadas num determinado setor não tem a experiência necessária para saber o que estão fazendo de errado naquela arte que imaginam dominar.

Uma mente ignorante não é vazia, mas tem muitas ideias preconcebidas, pressentimentos, intuições e conceitos importados de outras áreas e conhecimentos.

Aquele defensor de uma teoria alternativa vai mesmo ter dificuldade em reconhecer a sua falta de noção sobre o assunto que ele ama discursar nas rodinhas. Vai ainda criticar e ver de forma negativa a opinião de quem realmente entende daquele assunto.

Não seja essa pessoa

Esse tipo de gente pode levar as pessoas a conclusões e decisões precipitadas, como não levar os filhos para vacinar, por exemplo.

Você sabia que desde 2013, a cobertura de vacinação no Brasil vem caindo? As pessoas estão deixando de vacinar seus filhos contra doenças como sarampo, rubéola e caxumba. Com isso, podem criar epidemias de doenças antigas, mas fatais.

Para que você tenha consciência e não pague mico por aí, fique atento às dicas:

  • Será que não está muito confiante sobre um assunto ou atividade?
  • Acredita ser muito bom quando fala de política ou economia?
  • Se considera muito habilidoso em alguma coisa?
  • É o candidato mais dotado a ser o próximo youtuber de sucesso nas paradas?

Bom, pare e pense com calma. É bom você explorar o seu nível de ignorância sobre a sua própria capacidade de não saber tudo. Além disso, preste atenção quando alguém te criticar a respeito de uma opinião que emitiu ou pelo seu desempenho naquela festinha com karaokê. Vai que você está contaminado pelo vírus Dunning-Kruger?

Não tente responder essa pessoa dizendo que ela não entende nada ou é burra demais para perceber sua inteligência ou domínio da voz.

Encare a crítica como uma ótima oportunidade para entender que você não é tao bom assim.

Pode ser que a pessoa esteja falando bobagem, mas há uma grande chance de você estar mal preparado para desempenhar alguma função e não percebeu.

Esteja aberto para conhecer opiniões diferentes da sua e procure por indicações para aprender mais sobre o que for apresentado a você.

A ignorância pode custar bem caro para uma sociedade e ninguém além de nós pode se libertar de uma mente ignorante.

Conhecimento nunca é demais!

 

Veja o vídeo completo:

Fonte(s): Minutos Psíquicos - YouTube, A Mente é Maravilhosa, Pacific Standard, El País
Taís Lenny
Jornalista e leitora voraz (do chick lit ao clássico). Acredita que a curiosidade deve ser alimentada tanto pelas coisas comuns quanto as complexas. Pode escrever sobre leis ou o mais simples ato humano. Afinal, o homem não é um ser fascinante?

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