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Atitude Coletiva

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Qual a hora certa para desistir dos sonhos?

Vivendo e aprendendo a jogar.

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Incontáveis são textos na internet que dizem como nunca desistir dos sonhos como uma alegre música da Xuxa — a não ser que seja ouvida de trás para frente. Sempre tento te motivar a levar objetivos até pontos extremos para que sobrevivam e sejam bem sucedidos nesse caminho de pedras, cocô de cachorro e estilhaços de vidro — no caso do Rio de Janeiro, com muitas facadas!

Só que em alguns momentos a gente precisa aprender a olhar para um sonho e aceitar que ele se tornou inviável. Podendo até se transformar num erro que repetimos e repetimos, dando de cabeça no muro porque nos negamos a aceitar que a chance de fazer algo funcionar acabou — que é a mesma decepção dilacerante de encontrar um pote de sorvete no freezer e abri-lo para dar de cara com feijão congelado, e só quem passou por isso sabe como dói na alma!

Saber quando dar adeus a um sonho que só atrasa é tão necessário quanto dizer adeus, por exemplo, a pais que impedem amadurecimento social, namoros que fazem você se sentir um lixo ou amizades que só te puxam para repetir padrões que atrasam o desenvolvimento da sua vida.

QUANDO UM SONHO FAZ MAL?

Não dá para viver sem sonhos. Quando falo “sonhos”, falo de objetivos que nos fazem levantar todos os dias com vontade de vencer. Sonhos são motivadores para que sobrevivamos aos períodos mais terríveis e nos seguremos na ínfima esperança de que quando o mundo virar toda a maré escatológica contra nós, ainda poderemos vencer nessa porra!

Só que mesmo com benefícios tão intrínsecos e poéticos — falei bonito, não falei? —, um sonho pode se tornar um câncer emocional quando:

Criamos expectativas fora do alcançável e nos frustramos repetidamente

É quando você define que seu sonho é ganhar na loteria enquanto dorme ou entrar para o cursinho de teatro do bairro “Esquecidos De Judas” almejando chegar nos blockbusters de Hollywood. Impossível? Não. Mas expectativas irreais podem fazer você acreditar que chegará lá sem passar por perrengues, ignorando chances sólidas que se você não se mexer de verdade, suando um bocadinho para colocar complexidades no lugar, não vai dar para chegar onde quer — como querer chegar sem atraso na entrevista de emprego da agência que você ama sem querer pegar um ônibus lotado com cheiro de cecê e gente com cara azeda, esperando um transporte vazio que simplesmente não vem.

O usamos como desculpa para negar a realidade e não sairmos da zona de conforto

Já assistiu ao filme “Frances Ha”? Conta a história de uma mulher perto dos trinta que sonha em entrar para uma grande companhia de dança. Ela faz curso e se esforça como pode, mas não percebe que as capacidades de melhorar além do que ela é chegam num limite, se negando a entender que o sonho de se tornar uma grande dançarina está fora do alcance. Empregos surgem para que ela pague o aluguel e explore o sonho da dança como coreógrafa, mas ela bate com a cara na parede e passa por dificuldades financeiras pois não quer ser coreógrafa, apenas bailarina — e isso, em Nova Iorque, é impossível para ela. Se identificou?

COMO DESISTIR DE UM SONHO E SE MANTER MOTIVADO A VIVER?

A melhor maneira de superar o fato de que um de seus sonhos não poderá se tornar realidade é tendo mais de um sonho! Não dá para se tornar bilionário como o maior ator de Hollywood? Que tal escrever peças? Não dá para escrever peças? Que tal produzir peças? Deu para entender? Sonhos extras, “plano b, c, d etc”, não precisam estar conectados um com o outro.

Eu queria ser ator de musicais. Trabalhei com teatro e passei um ano no curso de canto e sapateado. Me esforçava tanto e gastava tanto dinheiro com aquilo que no dia em que meus pais deixaram de me sustentar, meu sonho se tornou inviável porque é difícil ser ator iniciante aos 20 anos na zona oeste do Rio, ter de pagar contas, pegar ônibus, se alimentar e se divertir ao mesmo tempo!

Foi aí que entrei para a faculdade, comecei a estagiar, e não deu para manter o teatro sobrando tempo para aproveitar o dinheiro que ganhava com tanto estresse. Desisti da carreira de ator, continuei na faculdade e percebi que ela não me fazia feliz. Foi então que desisti da carreira de designer e investi no sonho de escrever livros, ter um blog e um canal no YouTube — que é o que faço hoje.

Todo o esforço está dando resultados, mas ainda me questiono se meus objetivos são válidos, se o gasto energético para construir o sonho ainda faz bem e já me mantenho pronto para, se as coisas desandarem drasticamente, pular para outro sonho da lista sem achar que minha vida se transformou numa grande latrina.

Nem sempre desistir é sinônimo de covardia. Saber quando desistir é um ato de coragem extrema, pois você precisa ser totalmente honesto com o que quer, filtrar o que os outros dizem para você fazer — um bando de fofoqueiros! —, respirar fundo e meter a cara em outra coisa. Só não vale enfiar a cara no chocolate que você não pode pagar e esperar os problemas se resolverem sozinhos — pois eles não vão se resolver assim!

Não tenha medo de experimentar. A vida é curta para defini-la incrível ou fracassada durante a jornada, seja qual for sua idade. Aproveite o caminho, aprenda dos erros e goze loucamente a cada vitória — porque merdas acontecem, mas cultivar orgasmos a cada seis da manhã é um favor justo de você para você mesmo*!

*Nem que seja na punhetinha/siririca.

Enrique Coimbra
"Sem H" mesmo. Escreveu os livros "Sobre um garoto que beija garotos", "Um Gay Suicida em Shangri-la" e "Os Hereges de Santa Cruz". Também grava vídeos para o canal "enriquesemh" do YouTube, é capista, e criou o site Discípulos de Peter Pan , sobre comportamento e bem-estar!

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