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Atitude Coletiva

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Primeiro manifesto dos solteiros

É preciso ter coragem para ser solteiro e enfrentar uma sociedade que não se estruturou para esses seres estranhos.


Man alone at restaurant

 

É preciso ter coragem para ser solteiro e enfrentar uma sociedade que não se estruturou para esses seres estranhos, que vagam pelas ruas, vão ao cinema, frequentam baladas, sentam-se à mesa dos restaurantes sem companhia e podem ser vistos, aqui e ali, como sombras obscuras, perdidos na multidão. Podem ser vistos com olhares de compaixão ou de exclusão. Ou sua solteirice ser avaliada como uma condição provisória, circunstancial, merecedora de palavras de otimismo, tais como “um dia você vai encontrar sua alma gêmea e ser feliz”.

Por mais que essa avaliação seja equivocada, é compreensível. Os hominídeos, nossos primos primatas, deram um salto qualitativo na evolução da espécie porque passaram a se organizar em sociedades, formadas pelas células familiares, ou seja, casais. A organização dos papéis do homem e da mulher, juntamente com outros fatores, permitiu um combate mais eficiente à escassez, ao fortalecimento da espécie, ao desenvolvimento de tecnologias — e que hoje nos permitem dirigir carros, construir estádios, conhecer Bora-Bora e tomar sorvete em pleno verão.

Ou seja, vivemos numa sociedade baseada em casais. Claro, homens e mulheres solteiras sempre existiram. Mas, de repente, sob as luzes da vida contemporânea, começa a se proliferar esse ente solitário, invadindo o ambiente exclusivo de casais felizes, que fazem grandes refeições, assistem TV em aparelhos paquidérmicos, têm filhos viciados em games e sofrem de um temor desproporcional a tudo o que pode ameaçar esse equilíbrio dinâmico.

Os solteiros devem ser excluídos!

Quem há de tolerar suas infelicidades, seus desejos inadequados, sua liberdade intransigente, suas pequenas compras de supermercado?

A verdade, no entanto, é que ser solteiro não é uma punição que o indivíduo recebe por não ter sido competente socialmente para estar acompanhado. Não é motivo de pena, de compaixão e muito menos de exclusão. Não deveria, pelo menos. O solteiro, homem ou mulher, pode ser um estilo de vida, uma opção momentânea ou definitiva, um desejo de lidar com a vida de uma maneira mais solitária, sem ter que arcar com o peso da evolução da espécie. Não é melhor ou pior que os casais, é apenas diferente.

Nós queremos poções menores nos supermercados, mesas confortáveis para um só nos restaurantes, pacotes de viagens e estadias em hotéis promocionais para solteiros, programas de TV sobre  a solteirice e preços mais amigáveis nas baladas da vida.

E principalmente, que ninguém nos lance olhares diagonais quando resolvermos, simpaticamente, acompanhar casais em programas da noite.

 

Apoio

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Roberto Amado
57 anos, é jornalista com atuação na imprensa paulistana, escritor e romancista indicado ao Prêmio Jabuti, solteiro com algumas recaídas e com vocação para cantor de tango que nunca foi realizada e nem será. Dono do blog Poucas Palavras .

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