Desemprego à vista? Precisamos falar sobre Inteligência Artificial
  • Colabore!
  • Sobre nós
  • Contato
  • Anuncie

Setor Bugiganga

Desemprego à vista? Precisamos falar sobre Inteligência Artificial

É melhor acordar, o futuro chegou!

Tati Santana Publicado: 08/05/2018 16:10 | Atualizado: 24/07/2018 13:33

Quem não adoraria ter em casa um robô capaz de fazer todas as tarefas domésticas com apenas um comando; e quem sabe até dar uma ajudinha naquelas horas de carência?

Esta tecnologia se chama inteligência artificial e não está nem um pouco distante do nosso dia-a-dia. Os assistentes virtuais de smartphones (Siri e Cortana), por exemplo, são provas de que a IA já está bem próxima de nós, cada vez mais acessível e evoluída.

Mas para quem aplaude toda essa automatização de serviços, como os caixas de supermercado ou lanchonetes, acreditando que a inteligência artificial vai trazer apenas benefícios para a sociedade, sugerimos que pense melhor.

Um dos maiores problemas que envolvem sua utilização – e que tem deixado os trabalhadores com uma pulga atrás da orelha – é o fato de que, aquela vaga de emprego tão sonhada e até mesmo a que você já ocupa, poderá ser “roubada” por uma máquina bem mais cedo do que você imagina.

Humanos vs. Robôs 

Histórias que envolvem a inteligência artificial, assim como seus benefícios e riscos para a sociedade, estão presentes há muito tempo na literatura, no cinema, na música e em várias outras vertentes da arte.

Seja no famoso livro Eu, Robô, em que o escritor Isaac Asimov conta incríveis histórias sobre a interação humano vs. máquina e os riscos que ela representa, ou nos filmes 2001: Uma Odisseia no Espaço e Ex-machina, onde o quase infalível computador HAL 9000 e a linda robô Ava se rebelam contra os seus usuários, os riscos que envolvem a utilização da inteligência artificial são temas que sempre nos deixam de cabelo em pé.

A produção da Netflix, Black Mirror, por exemplo, talvez seja o exemplo mais atual e crível dos rumos que o mundo pode tomar em um futuro super tecnológico e muito próximo da realidade que estamos vivendo.

Mas não é apenas esses casos de possível rebeldia das máquinas que tem preocupado cientistas e pesquisadores. Mesmo obedientes, podem ser mais nocivas à nossa sociedade do que imaginamos.

Um futuro sem trabalho?

O falecido físico, Stephen Hawking, alertou em uma coluna do The Guardian sobre a possibilidade de que a inteligência artificial diminuirá ainda mais as funções exercidas pela classe trabalhadora, causando um impacto gigantesco em todo o mundo.

Com máquinas capazes de realizar trabalhos complexos, hoje exercidos apenas por seres humanos, a tendência é um crescente nível de desemprego, impactando em especial a classe média, um cenário surreal onde os trabalhadores de carne e osso serão massivamente substituídos.

Algo muito mais violento do que foi visto na Revolução Industrial, 14 vezes mais impactante, para ser exato – visto que na época o planeta tinha cerca de 500 milhões de pessoas, hoje já somos mais de 7 bilhões.

“A automação das fábricas já dizimou empregos na manufatura tradicional, e a ascensão da inteligência artificial provavelmente irá ampliar profundamente esta destruição do trabalho para as classes médias, sobrando apenas os cargos que demandam mais cuidado, criatividade ou supervisão.”- disse o especialista à publicação

De acordo com um relatório publicado pelo Citi GPS em parceria com a Universidade de Oxford, 35% dos empregos no Reino Unido, 47% dos empregos nos EUA e até 77% dos empregos na China correm o risco de serem substituídos pela automação nos próximos anos.

Já imaginou no Brasil?

Robô “pedreiro”, constrói uma casa 500 vezes mais rápido que pedreiros humanos.

Já em outro estudo realizado por Michael A. Osborne e Carl Benedikt Frey, também da Universidade de Oxford, mostra que os empregos que correm o risco de desaparecer nos próximos 20 anos com o avanço da IA são especialmente os que estão relacionados aos setores de transporte, logística, apoio administrativo e indústria de serviços.

Mas as coisas podem ir além, já que até no campo criativo podemos sofrer ameaças. Nós inclusive publicamos um artigo que apresentava um novo software capaz de escrever histórias automaticamente, bem mais rápido (e sem erros) que um humano.

Ataque dos robôs

Com este possível cenário onde máquinas exercerão grande parte dos trabalhos, podem surgir também outros problemas. Marcelo Zuffo, coordenador do Centro Interdiciplinar em Tecnologias Interativas da USP, falou sobre os riscos da inteligência artificial, usando como base para seu argumento os filmes de ficção científica, em um programa da TV Cultura:

“A temética é a ‘sindrome de Frankstein’. Como apenas nós humanos somos os únicos, supostamente, inteligentes do planeta, temos essa obsessão em criar coisas tão ou mais inteligentes do que nós. E em uma dimensão espiritual, se você consegue fazer isso, a máquina vai te perseguir e te punir.

O fato é que nós nunca estivemos tão próximos disso realmente acontecer. Por isso é fundamental discutirmos ética, legislação e não exagerar na dose, para não evitarmos a inovação neste campo”. – afirma Zuffo.

Zuffo também afirmou que, teoricamente, é possível monitorar as máquinas para que elas não assumam o poder; o problema é cometer (não intencionalmente ou maliciosamente) um erro no processo de construção destas tecnologias. E pelo visto, isto poderia causar sérios problemas.

O programa também falou sobre um acidente que ocorreu nos Estados Unidos, onde um robô K5 com mais ou menos um metro e meio de altura e cerca de 136kg, derrubou uma criança de um ano e quatro meses enquanto fazia a segurança de um shopping.

Máquinas de inteligência artificial estão sujeitas a falhas estruturais, assim como podem ser utilizadas para fins sombrios contra a sociedade, como a criação de robôs assassinos e sua utilização em guerras.

Uma reflexão nada otimista

Após a publicação de um artigo da Forbes, dizendo que a previsão de 2020 é que existam caixas automatizados que substituirão os atendentes tradicionais em toda a rede americana dos EUA, do McDonald’s, a página Pense, é grátis fez uma reflexão importante:

“A maioria dos atendentes nessas lojas tem a partir de 16 anos, até porque o salário e os benefícios já não são lá essas coisas e não interessa aos mais velhos e melhor preparados (talvez).

O Indeed informa que o valor pago por hora é de $ 8,61 – ou seja, em média, pouco mais de U$ 18.000/ano em uma jornada de 8 horas. Uma outra matéria sobre automação para atendentes informa que um autômato custa U$ 35.000 – se paga em apenas alguns meses, se formos considerar que ele trabalha 24 horas/dia.

Realmente não há como competir, mesmo que o trabalhador abaixe ao máximo sua expectativa de receber o mínimo para comer! É similar ao período da era industrial, onde as pessoas não tinham direito algum, e ganhavam o insuficiente para suas necessidades básicas – e a concorrência por emprego era enorme. Um prato cheio para os empresários!

Nesse mesmo artigo [Forbes], mais um fato que é óbvio: outras redes tendem a seguir essa mesma “solução” para se tornarem mais competitivas…

Esses valores salariais parecem altos – para quem recebe em real, especialmente. Porém, é necessário avaliar o custo de vida local, para concluir se é realmente um salário alto ou não.

A título de comparação, usando a plataforma Expastitan que permite comparar o custo de vida entre cidades do mundo todo, de forma atualizada, temos que viver em Orlando, EUA custa 62% mais do que em São Paulo, capital.

O que será dessa mão-de-obra a partir de sua demissão em massa, e provável extinção da categoria? Um rapaz de 16 anos já estar formado em outra atividade para conseguir um emprego que se adapte a futura realidade que bate nas nossas portas? Existirão empregos, ou somente empresas e lucros?

A turma do “tem que se adaptar” e “o Estado tem que prover soluções, deixa o empresário trabalhar” talvez não tenha se tocado que eles estarão no mesmo barco de concorrência (afinal, todo mundo é dispensável), e que ela será acirrada, mas pelo menor preço sempre.

E que enquanto o empresário pensa no seu lucro individual, o resto de nós deveria parar para pensar sobre como será esse mundo onde nós não teremos voz alguma e cada vez menos dinheiro para circular a economia. É o retorno do século XIX, numa versão mais moderna.

Lamentável!”

Caixas automáticos do McDonald’s

Mas nem tudo está perdido

Apesar dos riscos, o relatório publicado pelo Citi GPS é otimista em relação ao futuro das tecnologias de inteligência artificial no local de trabalho, mas alerta que os governos e a população terão que se preparar para as rápidas mudanças, e que o investimento na educação pode ajudar a reduzir o impacto da IA e da automação.

Uma melhor capacitação profissional da população em áreas diversificadas fará com que mais pessoas possam ter acesso à empregos que exijam uma qualificação mais alta e que não façam parte das áreas profissionais que serão mais afetadas pela implantação das tecnologias de inteligência artificial.

Todo mundo sabe que um profissional bem capacitado tem muito mais chances de não perder seu lugar no mercado, e daqui a algumas décadas isto poderá ser crucial para que ele não seja substituído por um robô.

Um investimento maior em educação tecnológica também poderá fazer com que as crianças tenham um melhor futuro profissional na era da inteligência artificial, com muito mais conhecimento sobre as novas tecnologias.

Uma alternativa um tanto quanto utópica (e a nossa favorita) é focar mais no ser humano. Se robôs fazem todo o trabalho, não seria a hora de termos mais tempo para aproveitar a vida? A dignidade é um direito fundamental à todos, tendo um emprego ou não.

Em suma, como inteligência artificial é um caminho sem volta, precisamos compreender que a tecnologia deve atender à sociedade e não ao capital.

Já o jornalista e fundador do Olhar Digital, Wharrysson Lacerda, em entrevista ao programa da TV Cultura, diz que concorda com os pensamentos do escritor russo Garry Kasparov, que não acredita que essa “revolução dos robôs” realmente vá acontecer. Para o russo, tudo isso estaria mais para uma jogada midiática do que uma previsão científica.

“Existe sim um risco, toda inovação tecnológica trás embutida um risco, isso faz parte da história humana, como quando inventaram os automóveis que traziam riscos as pessoas que andavam de charrete nas ruas. 

Mas eu acho que a gente já aprendeu, umas das características importantes dessa nossa era, pós começo da revolução digital, é que começamos a perceber como esses ciclos podem ser controlados. Esta é a mudança fundamental.

A gente nunca teve antes a possibilidade de testemunhar uma revolução e enxergar os resultados dela como estamos tendo com a revolução digital. Nós seremos capazes, com todos as questões éticas e legais resolvidas, transformar e usar a tecnologia para expandir nossa capacidade humana e não nos substituir.”  – disse Lacerda à TV Cultura.

Fonte(s): Futurism, Business Insider UK, Revista JRS, Jornalismo TV Cultura, Oxford Martin School, The Guardian
Tati Santana
Baiana com muito dendê, estudou Marketing e Cinema, mas seu maior crush é escrever. Adora noites de lua cheia, papo esotérico e o jeitinho "rock'n roll meio nonsense" de levar a vida.

Tá na rede!

Quero mais!

Veja mais artigos!

Em caso de chefe
clique aqui