Precisamos aprender que Toddy, Nescau e Ovomaltine são açúcar (e não chocolate!)
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Precisamos aprender que Toddy, Nescau e Ovomaltine são açúcar (e não chocolate!)

E o Toddynho também não tem tanto leite quanto dizem.

Eliza Inaê Publicado: 19/09/2018 12:27 | Atualizado: 19/09/2018 13:27

Alguma vez já se perguntou como algo tão gostoso como os achocolatados podem ficar dentro de uma lata ou caixinha por tanto tempo e ainda serem “nutritivos”?

Essa é a questão. O Toddynho, assim como a maioria dos achocolatados, não são nutritivos, isso porque, além do alto índice de sódio, contêm uma grande quantidade de açúcar.

Essa substância em abundância e a longo prazo, pode desenvolver enormes problemas de saúde, principalmente em crianças. Acompanhe conosco e conheça a verdadeira composição dos achocolatados e os malefícios que eles causam à sua saúde!

Companheiro de aventuras açúcar

Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que sejam consumidos até 25 gramas de açúcar por dia. De acordo com as informações nutricionais contidas na embalagem do Toddynho, cada deliciosa caixinha contém 29 gramas de açúcar, o de garrafinha chega a ter 36 gramas.

Repare que no lado direito tem **, ou seja, valores diários não estabelecidos. Acontece que a OMS já estabeleceu e é menor do que a quantidade presente no produto.

Uma caixinha é equivalente a quase duas colheres e meia de sopa de açúcar (isso sem considerar o valor assustador presente na garrafinha). E fica pior quando você leva em consideração o leite.

2 Colheres e 1/2 (sopa) de Açúcar em 200 mls de “Leite”!

Apenas uma caixinha ou garrafinha de Toddynho, passa com tranquilidade a quantidade recomendada para o consumo diário.

Mesmo na versão Levinho (Light), com 50% menos de gorduras e 35% menos de açúcares, a bebida apresenta leite integral reconstituído (mistura de água com leite em pó adicionado ou não, de gordura láctea).

Segundo o estudo “Achocolatados: uma análise química”, o uso do leite em pó integral não é indicado, devido a alterações oxidativas, que podem limitar a vida útil do produto.

“Leite”, mas que leite é esse?

A ABIR (Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas não Alcoólicas) afirma que em conformidade à Instrução Normativa nº 16/2005, esses achocolatados são classificados como bebidas lácteas pasteurizadas com adição.

Isso significa que é resultado da mistura de leite e soro, com outra substância alimentícia (cacau ou calda de cacau). Essa norma ainda determina que a base láctea das bebidas deve ser de pelo menos 51% do total de ingredientes do produto.

Traduzindo: As deliciosas bebidas achocolatadas podem ter em sua composição quase a metade de outros produtos que não sejam relativos ao leite!

Mais açúcar que chocolate

Ainda de acordo com o estudo, o consumo dos achocolatados cresce continuamente. Com isso, as marcas disponibilizam grande variedade dos produtos, com preços competitivos. Mas o processamento, ingredientes, e concentrações utilizadas nem sempre são os mesmos, resultando em variações nas propriedades nutricionais.

Se você observar o rótulo dos achocolatados, que por lei estão em ordem decrescente (mostrando a substância com maior quantidade até a com menos), é possível perceber que em sua maioria, as quantidades de açúcar são superiores às de cacau por exemplo.

Tem até sal.

Além disso, apresentam consideráveis quantidades de carboidratos, sódio, gorduras e maltodextrina (substância que quando ingerida, se transforma em açúcar).

A nutricionista infantil Bruna Grimm nos alerta também para a presença de gordura hidrogenada nas bebidas:

“nos ingredientes encontramos gordura vegetal hidrogenada. Uma combinação de açúcar e gordura vegetal hidrogenada é extremamente prejudicial para todas as pessoas. Especialmente para crianças que estão em desenvolvimento e podem se tornar adultos obesos, diabéticos, com dislipidemias e com câncer ao consumirem excesso destes ingredientes.”

Achocolatados em pó, o açúcar vem primeiro!

Maltodextrina é um tipo de açúcar com alto índice glicêmico (comum em achocolatados lights)

Isso demonstra que açúcar é a substância com maior quantidade contida no produto.

Veja a quantia de açúcar por porção segundo as informações nas embalagens mais vendidas do Nescau, Toddy e Ovomaltine:

Ou seja, os achocolatados nada mais são do que açúcar com gosto de chocolate.

Daí o termo: açúcar achocolatado. E tem gente que ainda coloca mais açúcar no copo junto do achocolatado… Ai ai ai.

Conforme nos informou a nutricionista e engenheira de alimentos Camila Baroza, os achocolatados se enquadram no grupo de ultraprocessados, e diz:

“O grande problema desses produtos é a quantidade de açúcares adicionados e de aditivos, e que o maior consumidor deles são as crianças”.

Crianças e o consumo prolongado de açúcar

Os achocolatados tem como público principal o infantil. Mesmo que a quantidade de açúcar (em geral 70% enquanto só 30% é cacau) não cause efeitos graves imediatamente no organismo, o consumo frequente e em excesso, é prejudicial. Imagine uma criança consumindo uma caixinha desse produto diariamente por um longo período de tempo?!

“Os principais efeitos negativos são a obesidade e suas consequências, como diabetes, hipertensão arterial sistêmica, doenças do sistema circulatório, entre outras”, diz o nutricionista Alex­­sandro Wosniaki, do Conselho Regional de Nutrição do Paraná em entrevista para o TNH1.

Além das citadas acima, Bruna expõe outros danos:

“Dislipidemias (hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia), hiperatividade e câncer, além de levarem à recusa de alimentos mais nutritivos. Devido à sua composição baixa em nutrientes e rica em substâncias químicas (conservantes, gordura hidrogenada) e devido ao alto consumo.”

Além dos problemas citados, o excesso de substâncias contidas nos achocolatados pode causar cáries, hiperatividade, colesterol alto e recusa de alimentos nutritivos. Tudo isso devido à baixa composição em nutrientes e alta presença de substâncias químicas.

O excesso de açúcar ainda estimula a produção da dopamina — hormônio responsável pela sensação de bem-estar e prazer — desenvolvendo certo grau de dependência no organismo, como constatou o pesquisador Serge Ahmed.

Giphy, https://giphy.com/gifs/sugar-effects-cocaine-DiiiY9bEdLjl6

Em 2007 Ahmed realizou um estudo em que comprovou que o açúcar tem um potencial de dependência maior que o da cocaína. O pesquisador afirmou ainda que o poder de adição do açúcar aumenta à medida que a pessoa ganha peso.

Para jovens e crianças é difícil entender como algo tão saboroso pode ter, a longo prazo, efeitos negativos para a saúde. Segundo Bruna, as crianças devem consumir alimentos de verdade (provenientes da natureza) para garantir saúde a curto e longo prazo:

“devemos desconfiar da quantidade de conservantes e produtos químicos que estão dentro dele para ficarem palatáveis meses após produzidos. Além disso, quando a criança consome um líquido extremamente calórico, fica saciada por longos períodos. Isso pode diminuir a sua ingestão de alimentos saudáveis nas refeições principais, gerando um ciclo vicioso de recusa”. 

Vale ressaltar que capuccino e café com leite em pó também tem mais açúcar do que qualquer outro ingrediente. Resumindo: açúcar com gostinho de café.

Alternativas menos prejudiciais

São muitas as variedades de marcas presentes hoje no mercado. No entanto, é difícil escolher uma que seja mais saudável que a outra, já que todas contém quase as mesmas substâncias químicas. A engenheira Camila sugere:

“A melhor alternativa é evitar o seu consumo, e se caso consumir, tentar fazer um caseiro”.

A nutricionista Bruna concorda e acrescenta:

Leia sempre a lista de ingredientes ao procurar este tipo de produto no supermercado. Quanto mais nomes estranhos e desconhecidos tiver, menos saudável ele será!”

“A melhor alternativa é preparar um leite com cacau e açúcar mascavo/demerara em casa!”

O ideal seria não consumir os ultraprocessados. No entanto, nem sempre é possível manter as crianças (e os adultos) longe dessas delicinhas. Por isso, Bruna apresenta uma solução:

“Se a criança está acostumada a consumir excesso destes produtos alimentícios, o ideal é que seja feita uma redução gradativa.

Aos poucos iniciar a oferta de produtos de maior qualidade nutricional, como o leite integral pasteurizado, adicionado ao cacau em pó e açúcar mascavo, para substituir em alguns momentos.”

Separamos a receita de achocolatado natural com açúcar demerara da Talitta Macial que, assim como o mascavo, também é menos processado e, consequentemente, conserva alguns nutrientes, diferente do que acontece com o açúcar refinado.

Essa alternativa diminui os prejuízos à saúde e permite que esses produtos sejam consumidos raramente.

É preciso pensar que estamos colocando cada vez mais cedo essas substâncias no organismo das crianças, deixando-as predispostas a doenças que aparecerão a longo prazo, provavelmente no início da vida adulta.

Fonte(s): Scielo, OMS, ABIR, TNH1, Brasil Nutrição, Huffington Post, Luis Pellegrini, Tabela Nutricional, Nestlé, Toddynho
Eliza Inaê
Redatora freelancer, sagitariana e canhota. Apaixonada por séries, livros, Florence + The Machine, sol e comida. Aprendendo a bordar, enxergar o melhor nas pessoas, e a fazer uma bio maneira.

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