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Por que temos tendências obscuras e agressivas? Psicólogos explicam

Buscar autoconhecimento é fundamental para lidar com diversas situações.

Silvio Suehiro Publicado: 11/12/2020 11:34 | Atualizado: 11/12/2020 11:51

Ao longo da vida, costumamos ter várias dúvidas. Incertezas sobre a origem de nossas atitudes tendem a surgir em nossa mente. Um questionamento bastante comum é o porquê de tomarmos determinadas ações.

 

Se você já se questionou sobre suas próprias atitudes? Ótimo.

As tendências obscuras e agressivas que a humanidade reproduz podem trazer consequências para nós e para as pessoas à nossa volta. Vamos falar um pouco mais sobre como lidar diante disso.

Ao conhecermos outras pessoas e nós mesmos, percebemos a complexidade do ser humano. Por conta disso, é importante ter uma reflexão sobre as tendências comportamentais que reproduzimos.

 

Compreensão do ser humano

Realmente, entender o ser humano pode parecer bastante complicado, não é mesmo? Muitas vezes, tomamos decisões que não gostaríamos que fossem tomadas — e, às vezes, não fazemos o que deveria ser feito.

O psicólogo clínico, professor universitário e Mestrando em Psicologia do Envelhecimento, André Novaes, afirma que, ao tratar de desenvolvimento humano, o indivíduo é compreendido a partir de três óticas.

Ao abranger a questão pelo segmento da análise do comportamento, há a análise das questões:

  • filogenéticas,
  • ontogenéticas
  • e culturais.

Ou seja, o primeiro aspecto a se considerar é que todo comportamento que apresentamos tem influência pela carga genética, como a hereditariedade e pelos genes.

“Uma pessoa, por exemplo, pode ter um gene vinculado à esquizofrenia. Mas, se o contexto ambiental não servir como gatilho para o surgimento dessa doença, a pessoa viverá a vida toda sem aparecer a carga genética. Vamos dizer que ela ficou ‘encubada’, de uma certa forma”, alega.

O segundo ponto, o ontogenético, se refere ao ambiente, de fato. Segundo o especialista, o ambiente em que se vive faz parte do desenvolvimento da personalidade.

Além disso, há uma questão cultural que depende do país, da localidade em que se vive.

“Sabemos, de fato, que há algumas culturas no mundo que incentivam mais a paciência, o bom relacionamento. Outras partem para o enfrentamento — e isso tudo influencia o desenvolvimento dessa pessoa”, ressalta.

 

Tendências negativas da humanidade, segundo a psicologia

Com relação às tendências obscuras da humanidade, Artur Chagas — psicólogo clínico, professor universitário e Mestre em Educação pela USP —, afirma que “se são tendências que levem a conflitos com algum tipo de violência física, verbal, psicológica… então, precisamos considerar a soma de alguns fatores”.

Entre esses fatores, há:

  • a capacidade de compreensão preservada de uma pessoa;
  • educação que recebe dentro de casa e no meio social mais próximo;
  • histórico de contatos afetivos positivos e negativos;
  • ambições e desejos.

Os professores Paulhus e Williams (2002), por exemplo, descrevem três traços de personalidades obscuras, que são o narcisismo, maquiavelismo e a psicopatia. Esses aspectos são chamados de “Tríade obscura” e indicariam uma pessoa que possui diferenças de comportamento da maior parte da população.

Em um artigo divulgado pela Psychiatry on line Brasil, em 2015, essa tríade foi abordada, por meio da análise de 26 artigos. Foi concluído que os traços de personalidade de narcisismo, maquiavelismo e psicopatia possuem relação com a ocorrência de comportamentos violentos e/ou antissociais.

 

Ambiente familiar, o início de tudo

Um aspecto que pode contribuir para o agravamento de tendências negativas é o ambiente familiar, principalmente quando for conturbado.

O psicólogo Artur Chagas indica que uma criança não segue somente o que é dito, mas, também, o que percebe pelas pessoas vistas como “modelos” no início do desenvolvimento. Logo, para uma criação saudável, é importante estar atento às próprias atitudes – falar uma coisa e fazer outra confunde os pequenos.

Mas há formas de corrigir isso.

“A pessoa pode alcançar essa ressignificação, mesmo em um meio adoecido. Nesse sentido, quanto mais cedo ela receber esse acolhimento e essa atenção de cuidado, melhor a perspectiva”, destaca.

Mesmo que alguém não viva em um ambiente violento, caso os pais não transmitam a educação para tolerar frustrações, por exemplo, também poderá haver indivíduos que cresçam e façam mal aos outros.

Segundo uma publicação feita pelo Ministério da Saúde, em 2009, a violência causa grande impacto na população. Os resultados causados são de altos custos econômicos e sociais para as famílias e o Estado, com potenciais anos de vida perdidos.

No caso da violência doméstica, o impacto pode exercer grande influência sobre quem passa pelo problema. Em uma tese apresentada à Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP, em 2008, foi realizada uma pesquisa para identificar o comportamento de crianças e adolescentes que vivem nessas situações.

A análise foi feita em uma cidade de grande porte do interior de São Paulo, em famílias com casos de violência. Como resultado, foi concluído que, para esses jovens presentes em ambiente de violência familiar, “tudo que é observado em casa determina o comportamento deles tanto em casa como na sociedade”.

 

Influência do que consumimos

Já ouviu alguém dizer que “consumir” determinada coisa pode influenciar uma pessoa? O psicólogo André Novaes destaca, principalmente, o ambiente e a cultura como fatores para isso.

“Sabemos que algumas crianças, dependendo da idade, não estão prontas a ver, por exemplo, um filme de luta — porque ainda não têm alguns limites que são desenvolvidos ao longo do crescimento”, alega.

Ele ainda destaca que, na vida adulta, também há influência sobre o que se vê. Segundo ele, temos um “senso de pertencimento”. Quando nos sentimos pertencentes a algum grupo, este pode exercer influência em nossas vidas. Da mesma forma, podemos influenciar a massa.

“Quando sou influenciado pelo grupo, posso ser levado a ter comportamentos que não fazem parte da minha personalidade. Mas, por todo esse contexto criado, eu acabo tendo um comportamento bastante diferente da minha rotina natural”, aponta.

 

Lidando com o passado e o autoconhecimento

Diante da situação em que problemas do passado ainda exerçam influência no presente, o indivíduo deve tem a opção de separar as duas realidades. Dessa forma, poderia evitar consequências negativas no futuro.

O Doutor em Ciências em Psiquiatria e Psicologia Médica, Pedro Calabrez, afirmou pelo canal NeuroVox, que somos “escravos” das memórias, pois passamos boa parte do tempo com foco no passado. Este comportamento, segundo ele, faz com as pessoas sejam resistentes à mudança.

Calabrez destaca que as memórias são importantes. No entanto, “elas também podem ser âncoras que nos mantém presos à realidades que já não existem mais”. Diante disso, a pessoa que possui dificuldades de mudança, por conta de fatores históricos pessoais, deve ter em mente esse fator.

Segundo o psicólogo Artur, uma forma de tornar o processo de lidar com essas tendências negativas ocorre pela ajuda de fazer determinada pessoa “se reconhecer”.

“Nem todos nós somos tão permeáveis, assim, ao olhar do outro. Então, temos muitas justificativas para as nossas maneiras e hábitos. Isso dificulta a mudança, mas podemos ajudar o outro a refletir sobre o significado e o sentido daquilo que ele faz”, considera.

 

O poder da empatia

Ao ajudar alguém, podemos fazer com que nós mesmos sejamos ajudados. De acordo com o psicólogo André, cientificamente, quando ajudamos alguma pessoa, uma região do cérebro é ativada, chamada de “sistema de recompensa”.

O psicólogo afirma que, ao ajudar alguém, liberamos substâncias no nosso organismo, neurotransmissores que trazem a sensação de bem-estar. Isso ocorre porque somos seres sociais.

Pelo Brasil, uma pesquisa feita lançada pela Charities Aid Foundation (CAF), apresentada pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis), indicou que 78% dos brasileiros se envolveram com pelo menos uma atividade de doação em 2019. Entre os motivos, 52% afirmaram que ajudam porque faz com que se sintam bem.

“Durante nosso desenvolvimento, aprendemos que viver juntos nos dá mais oportunidades de seguir em frente na nossa jornada… de desenvolver a vida… de ter mais segurança”, finaliza.

Diante de diversos fatores que podem levar alguém a reproduzir tendências obscuras e agressivas, a pessoa pode buscar uma análise sobre a condição vivida  (o bom e velho autoconhecimento) — para procurar minimizar os impactos negativos; além de buscar algum auxílio profissional para lidar com a situação.

Fonte(s): BBC, Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, Ministério da Saúde, Psico, Psychiatry on line Brasil, ResearchGate, USP, YouTube
Silvio Suehiro
Jornalista, apaixonado por todos os esportes existentes e que ama aprender novos idiomas.

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