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Atitude Coletiva

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Não faça testes (quiz) na internet ou Facebook; pelo bem de todos!

Jogos e aplicativos parecem inofensivos, mas escondem perigos obscuros.

Graças aos joguinhos e quizzes do Facebook, você já se divertiu muito vendo com qual celebridade você se parece ou como seria se fosse do gênero oposto, certo?

Mas por trás de tanta diversão existem grupos se divertindo muito mais, graças à todos os dados e informações sigilosas que você anda passando para eles sem nem se dar conta – já parou para pensar o porquê disso?

Quando participamos de um jogo, um quiz ou baixamos algum aplicativo em nossos computadores ou celulares, (subliminarmente) é enviada uma mensagem pedindo autorização para o programa em questão ter acesso a algumas informações, como idade, localização, imagens, informações de contato, etc.

Ao aceitarmos, abrimos “as portas” da nossa intimidade à empresas que alegam usar esses dados apenas como forma de direcionar os melhores anúncios e melhorar nossa experiência online.

Porém, apesar de soar algo sem importância, fato é que não temos garantias do real uso dessas informações e muito menos se tais empresas tem acesso à outras áreas, invadindo nossa privacidade sem qualquer pudor. O que já aconteceu:

  • Foi assim com o Pokémon Go! que, de acordo com especialistas, tem acesso a praticamente tudo o que fazemos, como para onde vamos, com quem, quanto tempo ficamos por lá, etc.
  • O questionário que virou febre ano passado, Sarahah, foi acusado de enviar aos desenvolvedores informações sigilosas dos usuários como a lista de e-mail e os contatos de todos os amigos.
  • Nem o Tinder escapou dessa. Uma jornalista solicitou à empresa ter acesso a todos os seus dados coletados pelo app de relacionamentos, para sua surpresa, recebeu um relatório de mais de 800 páginas com informações extremamente íntimas, como suas preferências sexuais e até fotos suas que não estavam associadas ao aplicativo.

Essa polêmica ganhou corpo nos últimos dias por conta de um aplicativo do Facebook que mostra como você seria no gênero oposto.

Segundo o UOL, a Kueez, empresa que desenvolveu esse app, tem total acesso a vários dados pessoais que, segundo ela, podem ser vendidos a terceiros interessados (quem são eles? Boa pergunta!), além de terem o direito de usar sua foto de perfil em outros jogos e aplicativos da marca.

Reprodução do aplicativo “Qual Seria A Sua Aparência Se Você Fosse Do Gênero Oposto?” que viralizou na rede.

Por conta disso uma série de artigos circularam na rede, seguindo a linha “não faça o teste que mostra sua aparência no sexo oposto“, como se essa coleta de dados fosse uma grande novidade; o que de fato não é.

Com a polêmica envolvendo o teste, a Kueez foi procurada por vários meios de comunicação, a resposta foi de praxe: “não armazenamos as informações, apenas a usamos para melhorar a experiência do usuário”. E quem nos garante?

O problema maior é que o uso desses aplicativos como isca para coletar nossos dados não para por aí. O impacto que isso pode causar em toda a sociedade pode ser muito maior e mais devastador do que pensamos.

Como manipular a opinião da massa

De acordo com o The New York Times, a empresa de dados Cambridge Analytica, contratada pela campanha eleitoral de Donald Trump à presidência dos EUA, é uma das responsáveis por disseminar dezenas desses joguinhos e aplicativos pelo Facebook. O objetivo dessa coleta de dados é montar um perfil psicológico dos internautas.

Conforme afirma o NY Times, cerca de 230 milhões de americanos adultos foram “escaneados” pelo sistema. A empresa também estava por trás da campanha do Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia.

Se esses dados coletados foram usados para favorecer e/ou influenciar o voto da população, assim como as outras empresas os utilizam para nos influenciar a realizar determinadas compras ou assistir a determinados vídeos, por exemplo, ainda não se pode afirmar com certeza, porém, em ambos os casos, o lado que venceu nas urnas foi justamente os associados a esta empresa.

Seria uma grande coincidência? Talvez não.

Neste artigo que ganhou as redes, listamos algumas técnicas para manipular a população, um dos itens intitulado “Conheça o povão melhor do que ele se conhece” sugere exatamente o que esse tal “perfil psicológico”, criado pela Cambridge Analytica, parece fazer: obter conhecimento mais profundo da massa, para manipulá-la com eficiência.

Sabem mais sobre a gente, do que a gente mesmo!

De acordo com o psicólogo, pesquisador e especialista em psicometria, Michal Kosinski, a coleta desses dados, se forem encaradas de forma individual, parecem inofensivas, sem poder para afetar de alguma maneira nossa vida.

Afinal, o que uma empresa pode fazer ao saber que eu gosto de maquiagem, Lady Gaga ou se curto uma página sobre filosofia? De acordo com o especialista, para o Big Data esses dados resultam em deduções.

Por exemplo, se for um homem que curte maquiagem, para o sistema ele está propenso a ser gay; extrovertidos curtem Lady Gaga e introvertidos adoram coisas sobre filosofia.

Dessa forma, o seu perfil vai sendo construído, e, conforme afirma Kosinski, no fim das contas, as combinações individuais dessas questões apresentam resultados incrivelmente precisos sobre quem é você. Talvez, coisas que nem mesmo você tivesse se dado conta.

“Nosso smartphone é um vasto questionário psicológico que estamos constantemente preenchendo, conscientemente e inconscientemente.” –  concluiu Kosinski em entrevista à Vice.

Feito isso, os grupos de poder usam esse amplo conhecimento sobre cada indivíduo para criar anúncios, propagandas, notícias falsas, influenciadores digitais “comprados”, tudo para influenciar as pessoas em prol de seus interesses obscuros.

Se você acha que tudo isso é um grande exagero e não passa de “teoria da conspiração”, em entrevista à Fox News, o ex-chefe da CIA, James Woolsey, assumiu recentemente que o governo estadunidense interfere deliberadamente nas eleições de outros países.

Apesar de preocupante, Woolsey e a âncora do jornal dão risada, claramente achando graça na história, ele completa dizendo que essa intromissão é feita “para o próprio bem do país” – veja abaixo a partir de 4:37 (em inglês).

E nem pense que isso é coisa só de agentes do FBI e da CIA. Conforme afirma o G1, uma investigação da BBC Brasil constatou que há centenas de perfis falsos criados para divulgar e propagar notícias e informações, nem sempre verdadeiras, sobre determinados políticos com o intuito de influenciar a opinião da população brasileira.

Segundo outro artigo do G1, “teriam sido beneficiados pelo serviço, entre eles os senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e Renan Calheiros (PMDB-AL) e o atual presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE)”.

Fake News é coisa do passado, bem vindos a era do Deep Fake

Tudo isso coloca em xeque a veracidade de quase todas as informações que nos deparamos. E com a ajuda da tecnologia, todas essas mentiras manipuladas estão crescendo em ritmo acelerado.

Recentemente descobrimos que nem o que nossos olhos enxergam estão livres disso. Conforme falamos aqui, já é possível substituir o rosto de qualquer pessoa em qualquer vídeo através de uma ferramenta simples. Isso é chamado de Deep Fake.

A notícia ganhou destaque após vídeos pornográficos de celebridades, como a atriz que fez a “Mulher Maravilha” nos cinemas, Gal Gadot, surgirem na rede. O fato é que pegaram um vídeo feito por uma atriz pornô e inseriram o rosto da atriz hollywoodiana.

Inclusive o canal Mimimidias publicou um ótimo vídeo sobre o tema:

O que isso tem a ver com essa história toda? Imagine o que grupos de poder, inclusive entidades governamentais ou candidatos a algum cargo, podem fazer ao unir esses dados coletados, sabendo o que estamos propensos a acreditar, e criassem vídeos falsos contra um desafeto. A manipulação neste caso seria muito mais poderosa – e alarmante!

O tal “Sequestro Mental”

E ainda mais, vários designers, executivos e programadores do Vale do Silício (região na Califórnia onde estão concentradas as gigantes empresas de tecnologia) abandonaram ou restringiram o uso das redes sociais – obviamente isso inclui esses joguinhos e testes –  como meio para evitar o temido “sequestro mental” – que detalhamos neste artigo.

Com a coleta desses dados, as empresas nos disponibilizam apenas conteúdos que eles julgam fazer parte do nosso perfil, assim somos privados de receber outros tipos de informação. Um exemplo bastante simplista, se o sistema decidiu que você curte só música pop, jamais lhe mostrará coisas relacionadas ao rap.

Suas escolhas deixam de ser suas, afinal, como você pode escolher entre duas canções, se nem te mostraram que existia outras opções? Parece inofensivo, mas imagine isso quando o assunto em questão for algo mais sério, como decisões políticas e sociais, por exemplo.

Você acaba preso em uma bolha ideológica, rodeado de opiniões, notícias, anúncios que vão de encontro com o que você já pensa, deixando de te provocar reflexões sobre outro ponto de vista. (Falamos mais sobre isso aqui)

Quai são as alternativas?

Como forma de evitar que casos como a manipulação das eleições estadunidenses se repitam, o Facebook anunciou que fará uma verificação postal – sim, mandando cartinha como nos velhos tempos – para garantir a identidade e verificar a localização dos responsáveis por anúncios políticos feitos no território americano, facilitando uma possível investigação.

Aqui no Brasil, o Facebook, que já afirma seguir políticas rígidas quando o assunto é o armazenamento de dados, declarou ao G1 que vai detectar e remover todos os perfis falsos da rede social, isso até as eleições de 2018.

O Twitter seguiu a mesma linha e, segundo informado pelo site Bustle, começou a tomar medidas para amenizar essa situação, excluindo milhares de contas de perfis falsos de sua plataforma nos últimos dias.

Apesar da iniciativa ter gerado polêmica (#TwitterLockOut), já que a conta de muitos estadunidenses, em especial os mais conservadores, foram afetadas, fazendo muitas pessoas perderem centenas de seguidores da noite para o dia, a análise feita em algumas contas pela própria auditoria do Twitter, revelou, por exemplo, que 37% dos seguidores de Trump eram perfis falsos.

FALSO! – QUEM SEGUE OS LÍDERES | Nem todos os seguidores do Twitter são reais.

Mas e você, o que pode fazer? Não possua aparelhos ligado a internet, ou melhor, more em uma ilha deserta. Ok, isso parece um tanto quanto absurdo. Então uma solução simples é evitar instalar qualquer coisa sem pensar duas vezes.

Se quiser dar uma dificultada nisso tudo, pelo menos quando o assunto é a coleta de dados dentro do Facebook, uma maneira encontrada para amenizar os danos é remover os aplicativos dentro da redes social.

Para fazer isso, basta clicar aqui e remover os aplicativos em questão clicando no “X”, que fica ao lado de cada ícone. Provavelmente isso não apagará os dados já coletados pela empresa, mas garantirá que novos dados não sejam coletados.

O mais importante é que precisamos tomar conhecimento de que as nossas informações estão sendo vendidas por aí para objetivos que desconhecemos. Sem contar que ainda não existe uma regulamentação que nos proteja.

“No Brasil, hoje a pessoa não tem mais controle sobre o que farão com seus dados, nem há uma lei que a ampare. Na Europa, por exemplo, existem agências de proteção de dados, tem penas e multas aplicadas. Quem usar dados sem consentimento e sem seguir regras vai pagar multas altíssimas. E lá o usuário vai ter a quem recorrer”, explicou Thiago Tavares, presidente da Safernet, ONG dedicada a questões sobre segurança na internet, à BBC.

Enquanto uma lei não é aprovada nesse sentido, precisamos ser mais conscientes, segurar nossa curiosidade e refletir sobre as consequências que tudo isso pode nos causar e, principalmente, a toda sociedade.

Fonte(s): The NY Times, UOL, Vice, Veja, Olhar Digital, Canal Tech, G1, G1, Fox News, Bustle, BBC
Redação - Almanaque SOS
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