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Atitude Coletiva

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Pare de trazer a pessoa amada em 3 dias

As vezes é preciso tempo e uma certa tensão para que as coisas sejam estimuladas.

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Não vou falar sobre: “passar a vida procurando um amor não fará de você uma pessoa mais amada”, essa é a corrente mais aceita por mim e pelos mais lúcidos dos amigos e amigas na mesa de bar. Achamos, inclusive, que isso deveria ser ensinado nas escolas. Lidar com o amor, porém, não é uma equação do 2º grau e boa parte de quem eu conheço não abre mão de passar a vida se apaixonando pelos cantos e colecionando histórias – e isso é bacana! Mas, para chegar lá, precisamos ir um pouco além do velho “vai fundo, quebre a cara e seja feliz”.

Querido John…

Um monte de textos e livros sobre isso são produzidos por ano, a maior parte deles é só pra choramingar, poucos são voltados para que a gente entenda o que diabos estamos fazendo com as nossas vidas e, quando são bons, basta passar de quatro parágrafos para que ninguém leia, a verdade é bem essa. Resultado: Um mundo inteiro solto, batendo cabeça por aí, com vários vazios existenciais, totalmente vulneráveis a serem preenchidos pela massa corrida da fantasia, chamada Hollywood. Ser doutrinado por esse tipo de material cinematográfico durante uma adolescência inteira, meu camarada, pode trazer sérios efeitos colaterais, não falo nem dos clichês, cenários, trilhas sonoras e desfechos improváveis que não existem no mundo, estou falando especificamente do timing.

Quem gosta de pizza fria do dia seguinte, deveria experimentar um romance dormido, e quem não gosta também.

Não sei se é só pela geração imediatista, mas o amor em 120 minutos de um filme possui uma óbvia inadequação com tempo do lado de cá, claro! É uma história contada, não uma vida. Quanto tempo afinal levamos para nos apaixonar por alguém de verdade? 5 semanas? 2 horas? Pensa aí! Por que vejo pouca gente se “apaixonar a médio prazo”? No mundo real, enquanto um já está pensando em como colocar as cartas na mesa, o outro está procurando apartamento, trocando de emprego, com outras coisas na cabeça, precipitar-se nesse momento pode desencadear o Big Bang: “Não estou a fim de nada sério no momento”.

É o que eu chamo da teoria da porta fechada.

Se você formula uma pergunta, você pode receber um não e, uma vez com a resposta pronta, a pessoa não vê a necessidade de uma reformulação, a porta se fecha e vai ser mais difícil abri-la de novo. Ao contrário, se tiver paciência, com o tempo, ela vai ficando entreaberta ao sabor do vento e terá chances reais de mostrar suas irresistíveis qualidades, se é que você dedicou algum tempo da vida para construí-las.

O grande desafio é ver a pessoa que você está afim disponível por aí, livre do suposto conforto do seu envolvimento e compromisso. Mas é preciso aprender, ela não será fiel a você, aliás, não existe monogamia sem prévia conquista na sociedade moderna.

Mais do que ser confiante, as vezes é preciso de tempo e uma certa tensão pra que as coisas certas sejam estimuladas.

Bem provável até, que no meio do caminho, você mude de ideia, o que já evita aí um tempo que você gastaria ouvindo Los Hermanos, caso nada saísse como previsto.

O problema do “trago a pessoa amada em 3 dias”, além dessa falsa necessidade em trazê-la, está nos tais ansiosos 3 dias, não posso negar que paixões arrebatadoras aconteçam, mas, quando não acontecem é importante lembrar que existem outros formatos, que o mundo é complexo, que “sem compromisso” pode ser um caminho e, principalmente, se estiver disposto, lembre-se de rever, vez ou outra, sua lista de combinações no Tinder, em vez de só ficar procurando a próxima, como se fosse uma flecha.

 

André Portugal
Geógrafo, Ex-blackbloc, poeta de facebook, antropólogo de metrô e funkeiro caviar, descobriu que duvidar das certezas do mundo é melhor que cerveja na sexta-feira e agora não quer mais parar.

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