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“Ovo faz bem ou faz mal?”: quando desconfiar de notícias sobre nutrição

Por que pesquisas apresentam respostas completamente opostas para uma mesma pergunta?

Daniel Senna Publicado: 04/11/2020 12:09 | Atualizado: 04/11/2020 12:29

Afinal, o ovo faz bem ou faz mal para a saúde? E o açúcar, a gordura? Existem diversas pesquisas e muitas delas apresentam respostas completamente opostas para uma mesma pergunta. Por que isso acontece, vamos entender agora.

 

Açúcar vs. Gordura: o sistema financeiro levou a melhor mais uma vez

O autor Michael Pollan, conhecido por obras que exploram os impactos socioculturais dos alimentos, em seu livro In Defense of Food, destacou o relacionamento da humanidade com a comida nos últimos 2 séculos.

Nele, relata os diversos estudos que foram produzidos nesse período. Como o caso “gordura vs. açúcar”, que até hoje impacta o mundo inteiro.

Entre os anos 1960 e 1970, muitos estudos que falavam mal da gordura foram financiadas pela indústria do açúcar. O objetivo era desestimular as pessoas a comprarem alimentos com lipídeos e, com isso, muita gente tenderia a comprar produtos açucarados, aumentando os lucros dessa indústria.

Porém, o que foi propositalmente ignorado nesses estudos é que nem todos os lipídios fazem mal para a saúde. O ômega 3, por exemplo, é um tipo de gordura e é um dos nutrientes mais saudáveis, pois é anti-inflamatório, anticancerígeno, ameniza os sintomas da TPM, entre outros benefícios.

No sistema capitalista, os interesses da industria de alimentos e daqueles que investem em estudos nutricionais não é o bem da sua saúde, mas o lucro que possam ter com isso.

Os Estados Unidos, país de maior PIB do mundo, tem um problema grave de saúde pública. Quase 1/3 da população local, ou seja, 100 milhões de pessoas, tem diabetes ou pré-diabetes e os incentivos da indústria do açúcar contribuíram para esse cenário.

 

Quando devemos desconfiar de notícias sobre nutrição?

Nesse momento, como saber se um conteúdo é confiável ou não? Alguns aspectos merecem a atenção nesse contexto e entre eles estão:

  • veja quem está por trás do estudo, pesquise o histórico dos autores;
  • verifique qual empresa financiou o estudo, ou a Universidade;
  • fique atento sobre qual veículo de mídia divulgou o estudo como notícia (principalmente se a empresa que o financiou é anunciante).

Essas questões podem parecer mero detalhe, mas o ajudarão a filtrar o que é adequado para ter uma dieta realmente saudável.

Claro que a necessidade de lucro ao invés da saúde pública não é a única regra e estudos podem, sim, conflitar de forma honesta. Afinal, com o avanço da ciência aprendemos coisas novas e realmente surpreendentes para o bem estar do planeta como um todo.

Mas ao manter uma posição questionadora e crítica, ficamos menos expostos aos riscos e manipulações.

Como sugerido pelo canal After Skool, uma forma de não cair nas garras desse sistema altamente lucrativo e devastador, é evitar produtos ultraprocessados e apostar no que sempre funcionou para a humanidade. No mais, siga essas regrinhas:

  • não coma nada que a sua bisavó não reconheceria como comida;
  • evite produtos alimentícios que contenham ingredientes que sejam: não-familiares, difíceis de pronunciar, mais do que 5 em quantidade;
  • evite produtos alimentícios que contenham alegações nutricionais e de saúde;
  • observe as áreas periféricas das gôndolas do supermercado – a área central, normalmente, é onde ficam todos os alimentos industrializados;
  • troque o supermercado pelo produtor rural mais próximo.

 

Afinal, ovo faz bem ou faz mal?

Ovos estão sempre levantando questões interessantes, seja para saber quem nasceu primeiro, ou mesmo ao entender seus valores nutricionais. Nesse segundo caso, já respondo: o ovo é rico em nutrientes e são úteis para o organismo.

estudo publicado no The Jornal of Nutrition, na Universidade de Oxford, no Reino Unido, que associa o consumo de 3 ovos por dia à maior produção de antioxidantes plasmáticos.

No entanto, há a presença de um nutriente que poderia tornar o ovo como um vilão na alimentação. Segundo a BBC, a gema de ovo tem cerca de 185 miligramas de colesterol. Porém, nem sempre o colesterol vindo da dieta tem relação com doenças cardíacas.

De acordo com uma revisão de estudos publicado em 2018, na Expert Review of Clinical Pharmatology, não há evidências conclusivas sobre a relação entre o colesterol e as doenças cardíacas. Isso, portanto, reduz o risco do consumo de ovos para a saúde.

Resumindo: para a nossa saúde, o ovo tá liberado. Mas lembre-se, a sua bisa comprava ovos do galinheiro mais próximo e não da granja que trata galinhas como mera mercadoria descartável. Pense nisso antes de comprar qualquer ovinho de supermercado.

Fonte(s): YouTube/@AfterSkool, Globoesporte, BBC, Oxford, Taylor & Francis Online, Isto É
Daniel Senna
Jornalista, profissional de marketing e boleiro nas horas vagas, afinal de contas é muito bom ver bola na rede. Gosta muito também de compartilhar dicas sobre finanças, empreendedorismo, entre outros temas, pois é muito bom ajudar as pessoas.

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