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Vai, planeta!

O Salmão que está acabando com as Florestas brasileiras

O alimento do peixe tem relação com o aumento do desmatamento no Brasil.

A Noruega produz mais da metade do salmão consumido no mundo. Todos os meses, o país compra, do Brasil, milhares de toneladas de proteína de soja concentrada  (SPC) para alimentar seus cardumes.

Isso não seria um problema, e até poderia ser considerado positivo para o Brasil. Só que, segundo o relatório produzido pela Regnskogfondet (Rainforest Foundation Norway), três das empresas que fornecem a proteína de soja concentrada para a Noruega podem estar associadas a crimes graves como:

1. Desmatamento ilegal

2. Conflitos de terra

3. Uso de pesticidas ilegais

4. Ocupação de terras indígenas

5. Uso de trabalho escravo

A proteína de soja concentrada é um produto desenvolvido originalmente pelo Brasil e é uma forma avançada de farelo de soja. Além disso, a matéria-prima é certificada pelo ProTerra. A instituição garante que a soja fornecida não é geneticamente modificada e que não contribui para o desmatamento.

Mas, como no Brasil nada é como deveria ser, apesar da certificação, uma investigação realizada pela Repórter Brasil em parceria com as ONGs norueguesas Future In OurHands e Rainforest Foundation mostrou que as empresas: Caramuru, Selecta e Imcopa têm, entre seus fornecedores, produtores rurais envolvidos com crimes ambientais e trabalhistas.

O Brasil é o maior exportador de soja do mundo e com a safra 2018/19 deve assumir a liderança na produção, desbancando os Estados Unidos, até então líder mundial.

Aonde mora o problema?

Para ocupar a posição de líder na produção e exportação de soja, o Brasil paga um preço alto: a perda das suas florestasA soja ocupa ilegalmente 47,3 mil hectares de floresta desmatada da Amazônia, segundo revelou o relatório da Moratória da Soja de 2017.

A Moratória é um compromisso estabelecido há 12 anos pelo Grupo de Trabalho da soja (GTS) que defende a não aquisição ou financiamento de soja cultivada em áreas desmatadas do bioma. O compromisso foi constituído por empresas do agronegócio, organizações da sociedade civil, Ministério do Meio Ambiente e pelo Banco do Brasil.

Da soja cultivada na Amazônia na última safra (4,48 milhões de hectares), pouco mais de 47,3 mil hectares ocorreu em áreas de desmatamento.

As plantações de soja cobrem mais de 33 milhões de hectares no Brasil – uma área do tamanho da Malásia. Em 2000 essa área era de 13 milhões. A expansão da área de plantio da soja está diretamente ligada ao aumento do desmatamento.

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que, em 2015, foram desmatados 6.207 km² na Amazônia.

Além dos problemas ambientais

Como se já não bastasse a soja estar acabando com as nossas florestas, a sua produção carrega outros crimes.

Um dos fornecedores, da soja utilizada para produzir a proteína concentrada usada para alimentar o salmão da Noruega, foi identificado pelo uso de trabalho escravo.

A investigação da Repórter Brasil com as ONGs norueguesas descobriu que em 2018 foram resgatados nove pessoas trabalhando em situação similar à escravidão na Fazenda Alto do Mar, de propriedade do produtor Luiz Bononi.

Bononi era fornecedor de soja para cooperativa C.Vale que vende para Imcopa. Segundo a investigação, o ruralista fornecia soja mesmo estando na “lista suja” do trabalho escravo – documento criado pelo Ministério do Trabalho que lista os produtores que cometeram esse crime.

A lista é uma referência para muitas empresas comprometidas em não fazer negócios com empregadores que utilizem mão-de-obra escrava.

Resumindo para você entender o problemão:

Para alimentar o salmão norueguês, a soja brasileira desmata e explora trabalho escravo.

Nesse momento, você deve estar pensando: mas um monte de gente come este salmão depois. Só que o salmão consumido no Brasil é de origem chilena. Ou seja, estamos acabando com as nossas florestas, explorando os nossos trabalhadores e no final nem estamos comendo do peixe.

O agronegócio explora o ambiente e causa vários impactos ambientais, além do uso de agrotóxicos. Infelizmente, esse modelo de negócio tão destrutivo representa grande parte da economia brasileira.

E pelo jeito, ao invés de corrigir, vamos ampliá-lo:

Mas se você está pensando que precisamos acabar com o nosso meio ambiente para ganhar dinheiro. Você está errado.

Alternativas como: 

  • reforma agrária
  • fortalecimento da agricultura familiar
  • demarcação de terras indígenas e quilombolas

São elementos que podem auxiliar o fortalecimento da economia brasileira de forma correta, equilibrando desigualdades. 

Segundo o representante da Via Campesina, João Pedro Stédile, o agronegócio é um modelo “predador, excludente e que coloca em risco a soberania do país”. Isso porque, enquanto atrai o capital internacional, afasta os pequenos produtores da atividade rural – sendo que eles são responsáveis por 70% dos alimentos que consumimos.

Por isso, antes de criticarmos movimentos rurais, precisamos entender contra quem e a favor do que eles lutam. 

Fonte(s): Repórter Brasil, Greenpeace, Regnskogfondet, Observatório do Clima
Aline Vilela
Jornalista, se acha blogueira de Instragram. Gosta de tirar selfies e fotos do look do dia. Não come queijo, só se for na pizza (como é que é?). Arroz é por baixo e feijão por cima. Ama ler e passou a adolescência entretida com romances água com açúcar.

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