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Atitude Coletiva

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O que fazer quando somos traídos ou abandonados?

A dor da traição ou abandono parecem infindáveis, mas há cura para esses sofrimentos.

Silvio Suehiro Publicado: 09/10/2020 15:41 | Atualizado: 09/10/2020 16:32

Se decepcionar com alguém em quem se confiava não é fácil. Se você já passou por alguma situação de traição ou abandono, ou conhece alguém que precisa se recuperar da frustração, descubra a seguir como lidar com essas dificuldades.

 

Após passar por traição ou abandono, pode ser que uma pessoa fique na “bad” por alguns dias, ou até mesmo desenvolva problemas psicológicos mais graves por anos.

Independente da forma como reaja, a parte ferida precisa tomar os cuidados necessários para diminuir a dor causada pela perda.

 

O abandono na sociedade

O abandono afetivo, infelizmente, tem sido constante na sociedade. Segundo a Associação Nacional dos Registradores Civis de Pessoas Naturais (Arpen Brasil), 80.904 recém-nascidas foram registradas sem o nome do pai no país somente durante o primeiro semestre de 2020.

Este número representa mais de 6% do total de crianças que nasceram neste período.

Cabe ressaltar que, não somente os pais possuem a obrigação de cuidado aos filhos menores, mas filhos maiores também devem prestar auxílio aos pais idosos. Segundo a Constituição Federal de 1988, no artigo 229, “os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores, e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade”.

Além do caso de abandono parental, existe o abandono do compromisso entre duas pessoas — a traição.

 

Traição e os traços de psicopatia

Neste caso, a infidelidade pode se referir quando uma das partes de um casal amoroso decide se envolver conjugalmente com outra pessoa.

Como forma de traição, há os casos por encontros pessoais, mas também por meio de redes sociais, como o Tinder. Segundo uma pesquisa feita pela GlobalWebIndex em 2015, 42% das pessoas que utilizavam esta plataforma ou estavam em um relacionamento, ou eram casadas.

Para tentar descobrir a motivação de quem utilizava um aplicativo de relacionamento, mesmo já estando em um compromisso, foi realizado um estudo em 2018 pela Elsevier.

Como resultado, foi descoberto que os usuários não solteiros que utilizavam o Tinder apresentavam características mais altas de neuroticismo e psicopatia. Por outro lado, essas mesmas pessoas possuíam menor pontuação em consciência e amabilidade.

 

Não se culpe pela decisão de outra pessoa

Mas, e como fica quem sofreu pela falta dessa amabilidade da outra parte?

A psicóloga Marli Roque afirma que a parte abandonada da história tende a se sentir culpada, com a autoestima abalada e não percebe que o outro não teve compromisso e respeito.

“Ou o sentimento é livre ou ele não é. Ou há o sentimento de entrega mútua ou não há. Não se sinta inferior por não ter dado certo. Quando uma pessoa decide partir, não significa que a parte ferida não tenha valor”, diz.

A psicóloga e analista de comportamento Bruna Cardoso ressalta que não existe nenhum tipo de “botão mágico” que se aperta para esquecer o ex ou situações negativas. Por isso, “para conseguir seguir e superar, é necessário olhar para frente. Ficar remoendo o que já aconteceu só dará margem para que a pessoa fique cada vez mais angustiada”.

Diante disso, ela aconselha a reestruturar a rotina e focar no presente. “Ter empatia consigo mesmo e respeitar suas dores e limitações é fundamental! Entender que você fez o que pode, e que tudo aconteceu como deveria, te ajudará a aliviar a angústia e ansiedade”, prossegue.

 

Tome cuidado com o uso nas redes sociais

De acordo com a pesquisa global realizada pelo We Are Social e Hootsuite, o Brasil é o terceiro país no mundo em que as pessoas passam mais conectadas nas redes sociais em 2020. A média diária do brasileiro é de 3h31min.

Apesar dos pontos positivos que a imersão traz aos usuários, ela também pode trazer grandes impactos negativos pelo grande tempo gasto.

O falecido sociólogo Zygmunt Bauman, em uma entrevista ao programa Café Filosófico, alertou sobre os riscos dessa conectividade e da falsa impressão de felicidade. “Estamos todos numa solidão e em uma multidão ao mesmo tempo”, afirma.

Você já se pegou “stalkeando” o perfil nas redes sociais de alguém que gostaria de esquecer, mas não consegue? Tome cuidado! A dica da Bruna é de dar uma maneirada na hora de entrar na internet.

“Muitas vezes com um término de relacionamento as pessoas se apegam muito em fotos e contatos por redes sociais, ficam indo atrás para saber se o outro já superou e o que ele está fazendo. Mas manter isso agravará ainda mais a situação. Dependendo do caso, excluir e bloquear o contato com a pessoa irá ajudar a seguir, para que não fique relembrando de momentos que já aconteceram”, aconselha.

 

Mantenha a mente ocupada

É claro que não é fácil superar feridas emocionais do passado, mas, sabe aquele ditado “mente parada, oficina do diabo”? Pois é, em casos de ociosidade é importante estar com a mente ocupada.

“Buscar novos ares sempre nos auxilia a seguir em frente. Busque o contato com pessoas que te ajudam e querem seu bem, faça coisas que você goste, como por exemplo: assistir um filme, ler um bom livro e ir até seu restaurante favorito. Quanto mais vazia fica a nossa rotina, mais cheia de pensamentos negativos fica a nossa mente”, relata Bruna.

Como citado pela psicóloga, estar próximo de pessoas pode ajudar bastante nesses momentos mais dolorosos. Uma pesquisa publicada na Public Library of Science indicou que jovens que passaram por estresse precoce, por exemplo, tiveram benefícios na saúde mental por meio do apoio de familiares e de amigos.

 

Como ajudar quem está passando pelo problema?

Apesar de que o apoio de amigos e familiares seja importante, vale lembrar que a ajuda deve ser da forma adequada.

A psicóloga Marli explica que quem está passando pela fase de dor quer aconchego, quer falar e ser ouvida. Quem está de fora, possivelmente terá dificuldade em entender exatamente o que a outra pessoa está sentindo.

“Simplesmente respeite. Não dê opiniões, palpites sobre o que ela viveu ou sentiu. Uma das maiores importâncias de alguém por perto é o respeito. Dar o ouvido, dar o ombro, dar o colo. Quanto menos falar, melhor! A opinião pessoal nem sempre vai ao encontro do que a pessoa vai precisar naquele momento”, argumenta.

 

Procurar ajuda profissional é essencial

Saiba que buscar a ajuda de um especialista não é “frescura” e muito menos algo desnecessário.

O Brasil, inclusive, é um dos países com mais casos de ansiedade e depressão no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2017. Por conta disso, a ajuda médica se torna essencial para ajudar quem passou por casos de traição e abandono.

“É extremamente importante que a pessoa busque por um Psicólogo, para que possa entender, na raiz, tudo o que aconteceu, e então conseguir voltar para sua rotina. Sem o acompanhamento as chances de a pessoa paralisar no passado, e não conseguir seguir sua vida, é extremamente alta”, reitera Bruna.

Apenas deixar o tempo passar, também pode ser um engano. Segundo a psicóloga, o paciente também precisa manter o compromisso de buscar a mudança.

Sendo assim, Marli recomenda a buscar lugares em que seja possível ter acompanhamento de longo prazo, pois “uma terapia precisa ser sistemática, com frequência, senão o tratamento ‘não anda’ e o paciente não evolui”.

Viu como nem tudo está perdido? Portanto, não deixe que outra pessoa determine o seu futuro. De fato, não temos controle sobre as atitudes dos outros, mas temos o total controle sobre nossas decisões. Ainda há muita vida pela frente. Não desista!

Fonte(s): Arpen Brasil, Planalto, GlobalWebIndex, ScienceDirect, We Are Social, YouTube, PLOS ONE, World Health Organization, UniCEUB, IBDFAM
Silvio Suehiro
Jornalista, apaixonado por todos os esportes existentes e que ama aprender novos idiomas.

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