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Vai, planeta!

O gigantesco problema das Cápsulas de Café abafado pelas grandes corporações

Facilita sua rotina, mas destrói a natureza.

Com a nossa evolução tecnológica, acabamos por classificar novas invenções como essenciais para nossa vida, porém sem nos darmos conta que há alguns anos vivíamos muito bem sem elas.

O grande problema, no entanto, é quando essas novidades causam um impacto negativo em nossa vida e ao planeta. Este é o caso das (até então) queridinhas cápsulas de café.

Criada em 1992 pelo estadunidense John Sylvan, as cápsulas de café, que agora também existem nas versões achocolatado, chá e refrigerante, fizeram e ainda fazem um grande sucesso entre os amantes da bebida. Pela praticidade e rapidez com que é possível “passar” um bom cafézinho, milhares de casas, escritórios e empresas ostentam uma maquininha própria.

Apesar do sabor e da praticidade incontestável desse novo método de beber café, há algo tão obscuro por trás disso tudo que até Sylvan já declarou arrependimento em tê-las criado.

Com o passar dos anos e a popularização do equipamento, o consumo de bebidas encapsuladas vem crescendo cada vez mais no mundo todo.

De acordo com O Globo, em 2014 o café em cápsulas correspondia a 0,6% da venda de café no país, sendo que deve dobrar em 2019. Pode parecer pouco, mas isso significa que em 2019 serão cerca de 16 mil toneladas de cafezinhos encapsulados.

E qual o grande problema disso tudo?

Pense bem, cada cápsula suporta apenas alguns gramas dos grãos moídos, então 16 mil toneladas significam milhares e milhares de cápsulas descartadas no meio ambiente.

O impacto ambiental dessa quantidade de lixo produzido – que antes de 1992 ainda nem existia – é ameaçador para todo o mundo. Para termos uma ideia, só em 2011 as cápsulas vendidas por apenas uma das marcas gringas, se enfileiradas, eram capazes de dar 6 voltas em torno da terra.

Por este motivo, a ONG europeia Zero Waste classificou o produto com a forma de bebida mais danosa ao meio ambiente da atualidade, levando inclusive a cidade alemã, Hamburgo, a criar uma lei proibindo o uso do produto em suas repartições públicas, conforme noticiou o Independent.

Mas e a reciclagem?

Boa parte das cápsulas dessas máquinas de bebidas instantâneas, como a Nespresso, a Dolce Gusto, etc., possuem um grande símbolo na embalagem, alertando sobre o fato de serem recicláveis, só que na prática não é bem isso o que acontece.

O material usado para a fabricação desse produto envolve diferentes tipos de plástico, além de papel e alumínio, fazer a separação desse material para a reciclagem torna-se um processo trabalhoso e complicado, fazendo com que o destino de milhões e milhões de cápsulas sejam mesmo o aterro sanitário.

“A cápsula de material composto dificulta ou quase inviabiliza a reciclagem por causa do custo da separação dos materiais” – revela Sylmara Gonçalves, professora de Gestão Ambiental da USP, em entrevista à Folha de S.Paulo.

Apesar disso, algumas empresas já investiram em tecnologias para fazer a separação e reciclagem desses materiais, porém só passam por esse processo as cápsulas vazias que são entregues nos pontos de coleta dessas empresas, que estão espalhadas pelo país, conforme falamos neste artigo aqui.

Mas em uma pesquisa encomendada pelo O Globo, realizada no finalzinho de 2016, foi constatado que apesar disso, as principais marcas de cápsulas do Brasil (Dolce Gusto, 3 Corações e Nespresso) foram reprovadas no quesito sustentabilidade.

Isso porque, apesar das alternativas, as empresas não se mostravam realmente preocupadas e focadas em alertar e orientar o consumidor, seja na embalagem dos produtos, no site oficial e até nas redes sociais, sobre como descartar com responsabilidade o produto.

Além disso, elas também foram reprovadas por uma análise feita pelo Unicamp, que analisou cada um dos componentes usados na fabricação do objeto, atentando que essas cápsulas não são nem um pouco “amigas da natureza”.

Reciclagem das cápsulas da Nespresso que são descartadas nos pontos de coleta.

Outras alternativas …ou não

Como forma de tornar as cápsulas um pouco mais sustentáveis e ainda poupar uma graninha, existem nas redes alguns tutoriais que ensinam como reutiliza-las. Mas devemos lembrar que, como ela não foi feita para esse fim, tais práticas podem liberar junto com a bebida alguns componentes químicos do plástico, que podem realmente ser muito prejudiciais à sua saúde.

Agora uma alternativa realmente válida foi dada pioneiramente pela Orfeu, empresa brasileira especializada no mundo do café, que lançou no final de 2017 cápsulas de café biodegradáveis, que após o uso viram adubo para plantas.

Apesar da grande ideia e de todas as outras alternativas existentes e as que ainda estarão por vir (esperamos), o grande problema é que estamos lidando com um problemão desse, que há menos de 30 anos nem sonhávamos enfrentar.

Então o lance é repensar o tipo de produtos que estamos consumindo e analisar a real importância dele em nossa vida. O que pode estar facilitando sua rotina, ironicamente também pode estar prejudicando, em proporções muito maiores, sua vida e todas as outras do planeta.

Fonte(s): News, Folha de S. Paulo, Claudia, O Globo, The Atlantic, Um Activismo por dia - Facebook, Diário de Biologia, Gazeta do Povo
Redação - Almanaque SOS
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