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Educação à brasileira: Escolas estão pressionando professores a não desagradar os pais

As redes sociais mudaram a dinâmica do relacionamento nas escolas.

Ao que parece, a vida dos educadores brasileiros está cada dia mais difícil. O professor de História e Literatura, Dennis Almeida compartilhou pelo twitter algumas situações extremamente desconfortáveis que professores vêm passando ultimamente, como a pressão constante para não “desagradar” os pais dos alunos. Em um dos tweets escreveu:

“Já estamos sendo demitidos por sermos acusados de doutrinação por pais que se organizam em grupos de WhatsApp e usam o valor da mensalidade para intimidar os mantenedores, que entre perder uma ou algumas mensalidades ou trocar o profissional, não veem problemas em nos demitir”.

Após sua história viralizar na internet, Dennis concedeu uma entrevista ao BuzzFeed News, sobre a pressão sofrida especialmente quando dá aulas sobre temas como escravidão, nazismo ou direitos LGBT. O professor menciona que as redes sociais “mudaram a dinâmica” do relacionamento entre professores, escola e pais de alunos

“Em vez de um pai, (agora) são 20 de uma vez. E as escolas pressionam o professor para não desagradar aos pais. Na escola particular, a gente é refém disso. Chamam os alunos de ‘clientela’. Falam que a gente tem que ter cuidado com o que fala. Já me falaram que a aula tem que ser um show.”

No Twitter ele complementa: “Sem as garantias da CLT, as coisas ficam piores ainda. A intimidação será maior ainda, em uma realidade em que a classe docente é vista como inimiga. (…) O professor não pode trabalhar assim, pois a nossa função não é agradar aos pais, alunos ou mesmo ao dono da escola, mas ensinar os alunos. Intimidar professores deste modo é equivalente a intimidar um médico a dar apenas diagnósticos favoráveis para não perder a clientela”

Vale lembrar que Dennis não é o primeiro professor a sentir-se pressionado nos últimos anos:

  • 2019, Wellington Divino Pereira foi afastado das aulas por criticar a leitura do slogan do presidente Jair Bolsonaro após o Hino Nacional e a gravação em vídeo dos estudantes;
  • 2018, o professor Jam Silva Gomes foi acusado de “doutrinação comunista” apenas por ter exibido um filme sobre a ditadura militar no país;
  • 2018, a professora Juliana Lopes diz ter sido afastada da escola pelo mesmo motivo, “doutrinação comunista”, e por pressão com alto poder aquisitivo;
  • 2016, Paulo Ramos foi demitido sem justa causa após ceder a pressão de pais de alunos que o acusavam de comunista.

 

Daiane Oliveira
Redatora, feminista e mãe. Discute religião, política, sexo e hábitos sustentáveis. Não discute futebol porque não entende. Quem sabe um dia.

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