• Colabore!
  • Sobre nós
  • Contato
  • Anuncie

Sinta-se Bem

Nossa água está totalmente contaminada por agrotóxicos e microplásticos; o que fazer?

Estudo revela que engolimos uma fita plástica de 600 metros todo ano.

Há algum tempo falamos aqui no SOS sobre o alto nível de contaminação que atinge a água que bebemos no Brasil: 92% da água de torneira testada contém agrotóxicos, sendo que 1/4 contém todos os pesticidas que a legislação atual obriga as companhias de abastecimento testarem.

Para muitos, apesar da produção de mais lixo, a água engarrafada podia ser considerada uma saída saudável para esse problema. Porém, em um levantamento inédito, cientistas da Sociedade Americana de Química mostraram que água vendida em embalagens plásticas não está exatamente livre de perigos. Pelo contrário.

Os resultados do estudo, que analisou e compilou 26 trabalhos anteriores, mostra que a água dentro de recipientes plásticos pode conter quase 23 mais vezes de microplásticos que a água da torneira (aquela cheia de agrotóxicos) – a comparação foi feita com base nas informações dos Estados Unidos, mas pode servir de parâmetro para outros países.

Segundo os cientistas, se uma pessoa bebe apenas água engarrafada em recipientes plásticos, ela ingere cerca de 90 mil partículas por ano, contra 4 mil ingeridas por quem bebe água da torneira.

Para ilustrar melhor o que esse números significam em termos reais, se a quantidade que um adulto possivelmente ingere de microplásticos no decorrer de um ano fosse feita de uma só vez, seria o equivalente a engolir uma fita plástica de mais de 600 metros.

Ainda não há consenso na comunidade científica acerca dos possíveis efeitos de tantas partículas de microplásticos no organismo humano, até porque as todas as pesquisas são relativamente recentes.

Em entrevista à BBC News Brasil, o médico toxicologista Anthony Wong, do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HC-USP) disse estar preocupado com os resultados da pesquisa e afirmou que “pode haver consequências mecânicas e patológicas” no organismo humano.

Dentre os presumíveis riscos à saúde que o acúmulo das minúsculas partículas de plástico podem Wong destaca:

  • Obstrução do processo de esvaziamento estomacal;
  • Inflamação da mucosa estomacal;
  • Interferência na absorção dos alimentos;
  • Liberação no organismo das substâncias tóxicas presente no plástico.

E olha que só estamos falando dos microplásticos, o buraco dos agrotóxicos é muito mais embaixo (pode aumentar o acumulo de gordura, diminuir o pênislevar ao suicídiopor aí vai).

E agora, qual água beber?

Aproximadamente 70% da superfície da terra é coberta por água, mas apenas cerca de 2,5% desse total é de água doce, ideal para consumo; e somente 0,02% da água doce está acessível em rios e lagos que abastecem as cidades.

Nós, brasileiros, estamos em uma situação de privilégio (mas nem tanto): 12% de toda a água doce do mundo se encontra no Brasil – o que seria ótimo se não fossem os altos níveis de contaminação por agrotóxicos e microplásticos.

Infelizmente as notícias também não são boas quanto a eliminar essas substâncias da água que bebemos. Nem o poderoso filtro de barro consegue vencer essa batalha. Atualmente, existem no mercado filtros que prometem remover partículas de plástico da água, mas eles não são eficientes com todos os tamanhos de partículas. Ou seja: nenhum é 100% eficaz.

A questão dos agrotóxicos, além de nenhum filtro conseguir resolver, é ainda mais delicada pois existem diversos tipos de pesticidas. Mas algumas alternativas estão sendo desenvolvidas, ironicamente a revelia do atual governo, por universidades brasileiras.

Uma delas por alunos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), um filtro para eliminar da água o glifosato, agrotóxico mais usado no país. A outra opção é uma espuma que absorve agrotóxico da água e dos alimentos, criada por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o teste foi realizado com 4 agrotóxicos comuns: organoclorados, clorobenzeno, atrazina e trifluralin.

Engenheira química e pesquisadora pós-doutoranda da UFMG, Marys Lene Braga

Mas como ainda não estamos nem perto de encontrar soluções definitivas para a presença de agrotóxicos ou microplásticos na água, somos obrigados a ingeri-los – se não quisermos morrer de sede. Nisso, vale a reflexão:

Água de Torneira

  • Contém agrotóxicos
  • Contém microplásticos
  • Não cria resíduos plásticos
  • Mais barata

Água engarrafada em plástico

  • Pode conter agrotóxicos, dependendo da região da água
  • Contém muito mais microplásticos
  • Cria enormes quantidades de resíduos plásticos
  • Mais cara

Fazendo essa simplificada comparação, fica claro que a melhor alternativa continua sendo a água da torneira que, além de mais acessível economicamente falando, não dispensa resíduos na natureza e contém menos microplásticos.

Mas não dá apenas para aceitar isso e seguir a vida

É necessário agir na raiz do problema:

A mudança começa com o primeiro passo. O nosso.

Fonte(s): BBC News Brasil, UOL Notícias, Jornal Ciência, Brasil Escola, Inácio
Daiane Oliveira
Jornalista, feminista e mãe. Discute religião, política, sexo e hábitos sustentáveis. Não discute futebol porque não entende. Quem sabe um dia.

Tá na rede!

Em caso de chefe
clique aqui