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Atitude Coletiva

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Minha primeira vez: O dia que dei sem camisinha

Não tinha como pedir pra parar. Ao menos foi isso o que passei a repetir para mim mesmo.

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bobbymonteverde

Não tinha como pedir pra parar. Ao menos foi isso o que passei a repetir para mim mesmo depois do “acidente” — como se todo o plano de sair da minha casa para a casa dele não tivesse a menor intenção de rolar uma putaria.

Eu tinha, sei lá, 19 anos. Tinha acabado de decidir que precisava experimentar sexo anal. Como virgem, nunca fui fã de penetração, me definindo como gouine. Nem filme pornô eu gostava!

Só que tanto meninas quanto meninos, homo ou heterossexuais, falavam a mesma coisa:

“Cu é bom de dar! Cu é bom de comer! Mas na mesa de jantar todo mundo fala que é ruim”.

“Será que eu, Enrique, sou o único jovem errado? O único que não está a fim de dar ré no kibe como todo mundo? Preciso experimentar”, enfiei na minha mente.

Em dois tempos, marquei com um marinheiro do outro lado da cidade, a 3 horas de distância dentro de um ônibus hiper refrigerado, com passagem a R$ 14, cruzando a ponte Rio-Niterói.

Na época eu também supervalorizava o corpo sarado — renegando minha preferência pelos gordinhos por medo de ser zoado, olha só — e quando toquei a campainha e um monstro musculoso mais largo que a porta e mais careca que a glande dum pênis me cumprimentou, eu soube na hora que deveria ter levado camisinha.

Não só porque o risco de pegar qualquer doença ficou assustadoramente real, mas porque ele rasgaria minha bunda em pedaços e me deixaria sangrando para morrer sobre o tapete de yôga que ele trouxe pra sala “para não machucar as costas”.

Por que não cama? Ou sofá? Quanta impessoalidade! Tudo bem que não estava em meus planos sair com ele daqui pro casamento na próxima igreja — até porque somos dois homens e deus(es) nos odeia(m) —, só que esse tratamento “ok” que o marinheiro estava me dando não merecia receber em troca algo tão singular quanto minha opinião: meu cu.

Eu tinha 19 anos e nunca havia fodido com penetração! Mesmo achando que aquilo era um erro, especialmente pelo fato de ele chupar meu pau com a sede de um peregrino no deserto sem nem olhar pra minha cara, e parecer centrado em simplesmente usar meu corpo sem se importar se está doendo ou não em mim, continuei porque… porque… sei lá…

Eu não quis que ele ficasse sem graça com meu pedido de novato:

“Moço… qual seu nome mesmo? Tipo, tô mega sem graça, mas tem camisinha aí? Eu não trouxe porque subestimei a importância dessa parada e agora tô morrendo de medo de você ter HIV, ou sífilis, ou hepatite, ou de até eu ter e você pegar de mim. Suspeito que mesmo usando seu corpinho para experimentar algo completamente casual, e mesmo você não sendo muito gentil, eu me importo por você também.”

Mas fiquei em silêncio. Caladão, deixei o marinheiro se divertir comigo, e na única vez que ele olhou pra minha cara — logo antes do orgasmo — percebeu meus olhos de puro terror, provavelmente adivinhando qual era meu medo.

Do nada ele berrou, quase explodindo:

 Vou gozar fora!

Aí ele gozou fora e eu nem gozei, já que ele esqueceu de mim depois que caiu exausto no tapete emborrachado.

Três minutos depois, perguntou se eu queria um sanduíche. Eu disse que não, que queria uma toalha para tomar banho — o único local da casa onde eu poderia chorar sem interrupções por ser uma mula.

Ele foi para o banho primeiro e depois que saiu não pareceu interessado em arranjar toalha alguma para que eu me lavasse. Eu já estava tão no limite que mesmo cheirando a suor e sexo, voltei para casa me sentindo violado, com o rêgo ardendo e congelando na porra do ar-condicionado polar do busão.

Estava no corredor da morte em minha mente, me obrigando a nunca repetir uma falta de respeito dessas comigo novamente:

  1. Nunca transar com quem não olha na minha cara;
  2. Nunca idealizar uma boa foda por quantidade (ou falta de) músculos, ou aparências;
  3. Nunca transar casualmente sem camisinha. Nunca.

Os 10 minutinhos assistindo Video Show enquanto ele me quicava no tapete não valeram a menor pena comparado ao pânico de eu ter me amado tão pouco, a ponto de dar o cu sem segurança.

E se ele tivesse usado camisinha, com certeza não teria saído de dentro de mim com uma bela assinatura de cheque.

Espero que você saiba o que isso significa.

Enrique Coimbra
"Sem H" mesmo. Escreveu os livros "Sobre um garoto que beija garotos", "Um Gay Suicida em Shangri-la" e "Os Hereges de Santa Cruz". Também grava vídeos para o canal "enriquesemh" do YouTube, é capista, e criou o site Discípulos de Peter Pan , sobre comportamento e bem-estar!

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