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Vai, planeta!

Jamais jogue remédios no lixo; veja como descartá-los

A contaminação tem consequências sistêmicas.

Como você descarta os remédios vencidos? Há quem jogue no lixo comum, no ralo da pia ou no vaso sanitário. Mas qual será realmente a melhor forma de se desfazer de medicações vencidas?

Antes de explicar melhor isso, precisamos fazer um alerta: medicamentos vencidos não devem ser ingeridos. Não caia nessa história de que “se não fizer efeito, mal também não faz“. O médico Drauzio Varella fala sobre o assunto em um vídeo do seu canal no YouTube:

“Um medicamento que passou do prazo de validade pode tanto não ter efeito como provocar alguma reação indesejada e inesperada“, alerta.

Os medicamentos são considerados contaminantes emergentes, que nada mais são do que produtos tóxicos que os métodos tradicionais de tratamento de água para consumo humano não conseguem remover. Ou seja: ainda que em quantidades mínimas, eles voltam para nós por meio da água da torneira.

Uma pesquisa realizada por cientistas brasileiros analisou a presença de resíduos tóxicos de medicamentos no ambiente aquático e confirmou que eles podem se dissolver indevidamente na água e se acumular nos sedimentos de rios ou mesmo de alguns organismos, como peixes.

Não há dados que demonstrem os efeitos da exposição a longo prazo desses contaminantes no organismo humano, mas estudos realizados pelo Instituto de Química da Unicamp comprovam severos danos à fauna aquática, como por exemplo interferência na fertilidade das aves e feminização dos peixes.

A professora e cientista Tânia Pizzolato coordena uma pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) sobre contaminantes emergentes no Arroio Dilúvio, em Porto Alegre, e explica que a contaminação dos rios tem consequências sistêmicas:

Aqueles resíduos no ambiente vão afetar a base da cadeia alimentar – os micro-organismos, os peixes pequenos… E quando se afeta a base, indiretamente se afeta toda a estrutura”, pontua a cientista.

Que destino devo dar aos medicamentos vencidos?

Sabendo de tudo que já falamos aqui fica claro que o lixo comum ou o esgoto não são lugares adequados para se descartar medicamentos vencidos. Então, o que fazer?

Algumas drogarias fazem a chamada “logística reversa” e recolhem remédios vencidos ou que não serão mais utilizados. O Programa Descarte Consciente elaborou um mapa com estabelecimentos espalhados pelo Brasil que realizam essa coleta.

Para consultar o mapa é só clicar aqui.

Reprodução

Caso sua cidade não tenha uma drogaria cadastrada ou não seja um lugar acessível para você, o melhor a se fazer é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e se informar sobre o processo de descarte local.

É também nas UBSs que devem ser entregues, dentro de embalagens rígidas (garrafas PET, por exemplo), agulhas ou lancetas utilizadas no tratamento de doenças como diabetes.

O que acontece depois?

Os objetos perfurocortantes são descontaminados em uma usina de tratamento e, em seguida, descartados como lixo sólido nos aterros sanitários. Como remédios e produtos químicos não podem ser depositados na natureza, eles são incinerados em usinas industriais adequadas para realizar esse procedimento.

O descarte correto dos medicamentos deixa de poluir a água e de oferecer riscos à nossa saúde ou de outros animais. Com os medicamentos recolhidos pelo Programa Descarte Consciente, estima-se que mais de 150 bilhões de litros de água deixaram de ser contaminados.

Resumindo:

  • Verifique sempre a validade dos remédios e não consume caso estejam vencidos;
  • Procure um ponto de coleta em farmácias, em programas ou em uma UBS para descartar remédios vencidos ou que você não tomará mais;
  • Nunca jogue medicamentos no lixo comum ou pela rede de esgoto.

Fonte(s): eCycle, Roche, Drauzio Varella, YouTube - Drauzio Varella, Embrapa
Daiane Oliveira
Jornalista, feminista e mãe. Discute religião, política, sexo e hábitos sustentáveis. Não discute futebol porque não entende. Quem sabe um dia.

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