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Iogurte pode ser pior que refrigerante para a sua saúde

Uma quantidade de açúcar realmente preocupante; pior para crianças.

Quem não tem hábito de ler rótulos dos produtos pode facilmente ser levado a acreditar na publicidade que mostra os iogurtes, de maneira geral, como opções saudáveis para um lanchinho.

Uma ampla pesquisa realizada pelas Universidades Leeds e Surrey, no Reino Unido, analisou mais de 900 iogurtes e constatou que a maior parte dos produtos, inclusive orgânicos e com apelo para o público infantil, era na verdade uma enorme fonte de açúcar adicionado.

Durante o estudo, os cientistas dividiram as centenas de iogurtes em 8 categorias, de acordo com a forma que são comercializados; e destacaram a média de açúcar em cada categoria:

  • Sobremesas – 16,4g a cada 100g

  • Orgânicos – 13,1g a cada 100g

  • Saborizados – 12g a cada 100g

  • Com fruta – 11,9g a cada 100g

  • Infantis – 10,8g a cada 100g

  • Alternativas a produtos lácteos – 9,2g a cada 100g

  • Bebidas lácteas – 9,1g a cada 100g

  • Natural e grego – 5g a cada 100g

Cinco dessas categorias acima possuem mais açúcar do que a Coca-Cola, por exemplo: 100ml da bebida contém pouco menos de 10,6g de açúcar.

Recomendações da Organização Mundial da Saúde apontam que, para maiores benefícios à saúde, o consumo total de açúcar não deve ultrapassar 5% da quantidade total de calorias ingeridas – o que significa que um adulto não deveria ingerir mais do que 25g de açúcar diariamente.

Dessa forma, uma porção de iogurte da categoria “sobremesa” já seria suficiente para quase alcançar o limite diário de ingestão – tudo isso em apenas uma refeição.

No Brasil, não é possível saber exatamente a quantidade de açúcar nesses produtos, porque os fabricantes não são obrigados a informar na tabela nutricional, apenas na lista de ingredientes.

Como se sabe, nessa lista de ingredientes, aparecem primeiro aqueles que foram utilizados em maior quantidade – o que pode nos dar pistas sobre o nível de açúcar dos produtos.

Como exemplo, o iogurte mais lembrado por paulistanos em 2018, contém açúcar comum como segundo e terceiro ingrediente mais utilizado na fabricação (veja a tabela nutricional).

 

O produto direcionado ao público infantil segue a mesma linha, apresenta o ingrediente em terceiro lugar na lista, com um ‘repeteco’ em quarto lugar – de acordo com site do fabricante:

  • Leite integral;
  • Leite desnatado;
  • Açúcar;
  • Preparado de morango (água, açúcar, morango, fosfato tricálcico, ferro, zinco, corantes naturais carmim de cochonilha e caroteno, acidulante ácido cítrico, conservador sorbato de potássio, aromatizante, espessantes goma xantana, guar e alfarroba);
  • Fermento láctico;
  • Vitaminas A e D.

Ou seja: além de o açúcar ser entre os ingrediente em maior quantidade, ele é seguido por um “preparado” feito, antes de tudo, com água e açúcar.

Para a BBC, a nutricionista Ana Clara Duran, do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação da Unicamp, destaca que a indústria se vale de diferentes nomenclaturas para ‘camuflar’ a adição de açúcar nos produtos; dificultando que o consumidor possa ao menos inferir quanto de açúcar há naquele produto específico:

Ele [açúcar] pode ser empregado como xarope, maltose, frutose. Então, em vez de estar agrupado, o açúcar surge nesta lista de forma diluída, e, mesmo querendo saber quanto foi usado no produto, o consumidor não tem como descobrir se tem bastante açúcar ou não“, destacou.

É exatamente o que acontece com o ‘Iogurte com Frutas Vermelhas’, da marca Batavo. Sua lista de ingredientes (tudo o que está em negrito contém algum tipo de açúcar):

  • Leite integral e/ou leite reconstituído integral;
  • Preparado de mel (água, frutose, amido modificado, mel, aroma natural de baunilha e conservante sorbato de potássio);
  • Calda de frutas vermelhas (água, frutose, morango, framboesa, amora, aromas naturais de amora, framboesa e morango, espessantes goma guar e goma xantana, corante natural carmim de cochonilha, acidulante ácido cítrico, conservador sorbato de potássio e antiespumante mono e diglicerídeos de ácido graxos);
  • Leite em pó integral;
  • Mistura de estabilizantes e espessantes (concentrado proteico de leite e soro de leite, amido modificado, espessante pectina cítrica e estabilizante goma guar);
  • Fermentos lácteos.

 

Qual preferir?

A pesquisa feita no Reino Unido apontou que os produtos com menor teor de açúcar dentre os avaliados na região são os iogurtes naturais e gregos.

Como no Brasil, a quantidade de açúcar não é indicada e, mesmo iogurtes gregos podem conter vários tipo de açúcar adicionados, o que podemos fazer para garantir uma dieta sem tantos açúcares adicionados é preferir iogurtes naturais – feitos basicamente de leite e fermento lácteo. Alguns fabricantes até dão a dica de adoçá-los com mel, por exemplo.

A Aracy não pagou para o SOS, mas fica claro que a melhor opção mesmo é fazer o seu iogurte natural em casa; já ouviu falar no Kefir? É uma boa opção, veja aqui como fazer.

Fonte(s): Leeds, Folha
Daiane Oliveira
Jornalista, feminista e mãe. Discute religião, política, sexo e hábitos sustentáveis. Não discute futebol porque não entende. Quem sabe um dia.

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