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Atitude Coletiva

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“Não pode chamar de viado”: contra homofobia, juiz parou clássico de futebol pela 1ª vez no Brasil

Para evitar perda de pontos, técnico pediu silêncio para a torcida.

Vamos falar sobre novas regras de futebol. Entretanto o papo não será sobre o esporte propriamente dito, mas sobre a luta contra a homofobia e como o Brasil dá sinais de que avança positivamente – ao menos nessa modalidade esportiva.

Se você, como eu, não costuma estar por dentro do universo futebolístico, explico: no dia 25 de agosto, domingo, um clássico entre Vasco e São Paulo foi paralisado pelo árbitro Anderson Daronco porque parte da torcida vascaína gritava, em coro, “time de viado“.

No vídeo é possível ver o juiz avisando ao técnico do Vasco, Vanderlei Luxemburgo: “não pode chamar de viado”; que prontamente chamou a atenção da torcida. É a primeira vez que isso acontece em um jogo do Campeonato Brasileiro.

A atitude do árbitro também é a primeira resposta prática à uma recente ação do Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol (STJD): no dia 19 do mesmo mês, o STJD emitiu uma recomendação contra a homofobia:

A partir desta data os árbitros, auxiliares e delegados das partidas relatem na súmula e/ou documentos oficiais dos jogos a ocorrência de manifestações preconceituosas e de injúria em decorrência de opção sexual [sic] por torcedores ou partícipes das competições, devendo os oficiais das partidas serem orientados da presente recomendação, bem como, cumpram todas as determinações regulamentares aplicáveis em vigor”, diz o documento.

A recomendação orienta, ainda, que sejam realizadas, por parte dos clubes e federações, campanhas educativas para que a ocorrência de infrações homofóbicas sejam evitadas “o mais breve possível“.

Paulo César Salomão Filho, presidente do STDJ já havia mencionado, em ocasião anterior à Recomendação, que o Tribunal estava “de olho” nas atitudes discriminatórias:

O tribunal está atento a essa questão. Em um primeiro momento, vamos exercer um papel pedagógico. O objetivo nunca foi e nunca será punir ninguém. E, sim, melhorar o espetáculo.

O campo de futebol não é uma terra sem lei. Pelo contrário, é um lugar que tem de ser lúdico para que as pessoas possam se divertir e possam levar as suas famílias sem violência e atos discriminatórios e homofóbicos“, destacou.

Orientações diretas da FIFA – e suas consequências

A medida do STDJ segue em consonância com orientações da FIFA. Em julho deste ano, por meio de circular, a Instituição determinou a adoção de procedimentos visando combater comportamentos discriminatórios durante as partidas de futebol.

E não é de hoje que a FIFA vem tentando atuar nesse sentido: em 2016, por exemplo, mais de R$2 milhões de multa foram aplicados em partidas eliminatórias para a Copa da Rússia.

Graças à decisão recente do STJD e ao Código Brasileiro de Justiça Desportiva, times e torcidas que cometam atitudes homofóbicas, como as praticadas no jogo do dia 25, podem ser punidos com a perda de 3 pontos e, em casos reincidentes, 6 pontos (o dobro da pena).

No jogo, o árbitro seguiu o protocolo adotado pela FIFA, que consiste em paralisar a partida até que as ofensas sejam cessadas. Caso contrário, pode ser suspensa por alguns minutos ou, em último caso, o jogo por ter suspensão definitiva decretada pelo juiz.

Com essas ações, espera-se diminuir a incidência de situações homofóbicas no futebol, mostrando que, conforme destacou o presidente do STDJ, o “futebol não é terra sem lei“.

A reação de alguns internautas à atitude do juiz mostra que ainda há muito que se caminhar nesse sentido.

Mas há esperança:

Daiane Oliveira
Jornalista, feminista e mãe. Discute religião, política, sexo e hábitos sustentáveis. Não discute futebol porque não entende. Quem sabe um dia.

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