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Atitude Coletiva

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Impeachment? Tem, mas acabou

Oposição é mais do que ser eco do seu malvado favorito, é pensar além.

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Quando nossa Excelentíssima senhora Presidente foi reeleita, muita gente não gostou, chorou, xingou no Twitter.

Oficialmente, chamamos de “oposição” os contrários de quem está no poder, mas dentro desse grupo existem os que eu chamo de “oposição show”.

Não ajuda em porcaria nenhuma, só faz bagunça e se mistura na oposição comum confundindo tudo. Aproveitando-se dos últimos escândalos e do nosso saco estourando, essa “oposição show” tem prometido tomar as ruas e pedir pra tirar a Dilma como se ela fosse um quadro de Romero Britto que botaram na nossa sala. Eu me pergunto: pode isso, Arnaldo?

A primeira coisa a dizer é que existe uma palavra em português, chamada “impedimento”, que eu vou usar também. Parece coisa de futebol e pode ficar esquisito, mas esquisito mesmo é você saber as regras do uso dessa palavra no futebol e não saber como pode ser usada com o presidente do seu país.

Não adianta mandar a porcaria de uma lista do Avaaz pro Pedro Bial. Não é assim que se tira um presidente do poder mesmo achando ele ruim pra cacete. As coisas são um pouquinho mais formais – mesmo no Brasil, onde a sacanagem rola solta. Os crimes que o chefão do Executivo comete são divididos em dois: os comuns, como dar um tiro na sua cara, e os de responsabilidade, que são em função do cargo. Esse último pode culminar num, como vocês gostam em inglês, “impeachment.”

Quero! Como faço pra pedir um?

Qualquer cidadão pode fazer uma denúncia à Câmara dos Deputados, que irá processar apenas se houver provas ou indícios de provas de um crime de responsabilidade. Um exemplo deste tipo de crime é a acusação preferida contra Dilma, de improbidade administrativa (que não vou dizer o que é, o mínimo que você pode fazer é jogar “improbidade” no Google). Mas só vale se o caso aconteceu na atual gestão da Presidenta.

Não adianta pegar uma latinha e bater uma na outra (“tcha tcha, tcha, tcha”), porque não vai ser a Tramontina que vai fazer o partido que você não gosta cair. Nada contra, mas precisamos sair do ensino médio político e deixar ele pra trás.

De hora em hora, igual carnê do Baú.

Esse tipo de pedido é recorrente na Câmara. Aposto que só hoje devem ter uns 17 na mesa de alguém. Não precisa ficar pedindo toda hora. Se o motivo do orkontro, porém, é marchar para que se faça a votação de um pedido que já existe, também acho que não vai mudar muita coisa.

Nem o FHC está curtindo essa ideia, nem Eduardo Cunha (que é chave nesse processo). Só você mesmo. Ser contra o impedimento, ou pelo menos ter dúvidas, não é ser a favor do PT, nem impedir que ele seja investigado por  outras milhares de coisas.

E faço o que? Fico em casa?

Não. Eu não gosto desse governo, fui pra rua contra coisas que ele e vários outros partidos representaram em 2013. Acredito que demonstrar insatisfação subindo no poste e levantando criança pro alto tem valor e deve ser feito. Tô aqui pra apoiar essa liberdade, mas existe uma diferença entre fazer alguma coisa ou querer acreditar que está fazendo pra sentir-se um cidadão de bem, inteligente, honesto e de sangue quente.

Falar do processo de impeachment não é proibido (ainda bem, porque estou falando agora), mas se uma corrente majoritária diz que não dá pra fazer torta de limão sem limão, não vai ser o Louro José que vai fazer uma.

Oposição é mais do que ser eco do seu malvado favorito, é pensar além.

Você pode ficar puto porque roubam o dinheiro dos nossos impostos, mas não deixe o emocional se transformar em histeria coletiva. Quer ir pra rua? Vai! Mas não vai pagando mico na cartolina. Um comportamento tolo, leviano e imediatista prejudica o país e dá ainda mais matéria-prima para que as pessoas tenham cada vez mais razão em não apoiar você.

 

André Portugal
Geógrafo, Ex-blackbloc, poeta de facebook, antropólogo de metrô e funkeiro caviar, descobriu que duvidar das certezas do mundo é melhor que cerveja na sexta-feira e agora não quer mais parar.

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