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Vai, planeta!

Imagens de satélite mostram o avanço do garimpo em demarcações indígenas em 2019

Áreas devastadas equivalem a dezenas de campos de futebol.

Partindo da premissa de que uma imagem vale mais do que mil palavras, o que temos a seguir é a melhor forma possível de ilustrar (literalmente) como o garimpo, apesar de ilegal, tem avançado em terras indígenas brasileiras.

As imagens são da Planet Labs, uma empresa estadunidense que, com mais de 100 satélites em órbita, fotografa diariamente lugares no mundo inteiro; e foram divulgadas em reportagem da BBC News Brasil.

 

1. Terra Indígena Kayapó: Janeiro – Julho de 2019

 

2. Terra Indígena Munduruku: Fevereiro – Julho de 2019

 

3. Terra Indígena Yanomami: Janeiro – Julho de 2019

 

A BBC contou com grupos parceiros para monitorar identificar e monitorar a atividade retratada nas imagens. As áreas indígenas verificadas foram: Kayapó e Munduruku (ambas no Pará) e Yanomami (em Roraima e no Amazonas). Esses territórios são os que mais sofrem com o garimpo ilegal e, se somados, seriam do tamanho do Estado de São Paulo.

Para ter certeza de que as imagens se tratam de áreas de garimpo, elas foram enviadas a dois especialistas: o geólogo Carlos Souza Junior, do Instituto Imazon, e o geógrafo Marcos Reis Rosa, da empresa de Arcplan, empresa especializada em geoprocessamento com ênfase em cartografia digital.

Os dois profissionais afirmam se tratar de regiões em clara expansão da atividade ilegal – algumas dessas regiões são tão abrangentes que equivalem a dezenas de campos de futebol.

Os efeitos do garimpo para o meio ambiente são devastadores: árvores são derrubadas, os rios se transformam em verdadeiros depósitos de lixo, entulho e outros materiais; além da contaminação por mercúrio, utilizado pelos garimpeiros para facilitar a aderência do ouro.

A reportagem destaca que, em algumas frentes de garimpo mapeadas, o que se percebe é praticamente uma atividade quase em escala industrial, onde máquinas pesadas avançam mata adentro deixando verdadeiras cicatrizes na floresta, sem chances de haver uma recuperação completa.

Uma das principais críticas com relação às políticas de preservação ambiental do atual governo é a ausência de fiscalização, bem como declarações polêmicas do presidente – que defende abertamente o garimpo na Amazônia. Em entrevista à BBC o engenheiro florestal Paulo Barreto falou sobre o assunto:

Criou-se um clima de vale tudo, e as pessoas acham que não serão punidas se desmatarem“, destacou.

Prova disso é que, mesmo sem uma mina sequer operando legalmente, Roraima exportou 194 kg de ouro. Outra reportagem da BBC Brasil denuncia hipóteses levantadas por investigadores de que a exportação ilegal têm sido registrada inclusive em materiais oficiais do governo federal, com esquema para fraudar a origem de ouro vindo de áreas indígenas.

Um fato que ilustra bem a forma como o garimpo avança, ocorreu há poucos dias: um índio da etnia Waiãpi foi morto em um ataque de garimpeiros à aldeia Mariry, no Amapá. Uma fonte ligada à Funai afirmou à Folha que o corpo de Emyra Waiãpi, chefe de uma das aldeias, apresentava marcas de violência. Segundo moradores locais, este teria sido primeiro ataque à comunidade, que abriga cerca de 1.300 Waiãpis, em décadas.

Mas antes os garimpeiros fossem o único problema dos índios. Logo no início do ano, o SOS publicou um artigo sobre a guerra travada pela bancada ruralista contra a demarcação de terras indígenas – com apoio de Bolsonaro; o atual governo demonstrou por diversas vezes não possuir o menor interesse em preservar tais áreas, mesmo elas sendo essenciais para o controle climático do planeta.

Ainda no começo de sua gestão, Jair Bolsonaro transferiu para o Ministério da Agricultura a tarefa de identificar e delimitar terras indígenas e quilombolas – o que significou basicamente colocar a raposa cuidando do galinheiro.

O assunto deu o que falar. O Congresso cancelou a medida provisória, Bolsonaro reeditou-a com o mesmo teor e, por fim, o Supremo Tribunal Federal (STF) bateu o martelo e a demarcação voltou a ser responsabilidade da Funai (Fundação Nacional do Índio).

Depois disso tudo, o presidente admitiu que ele e sua equipe erraram: “Foi uma falha nossa, uma falha minha. (…) Considero a decisão [do STF] acertada“.

Apesar de parecer reconhecer o erro, não é exatamente essa a postura do presidente. Descontente com a divulgação de dados sobre o desmatamento no Brasil, levantados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Bolsonaro resolveu o problema de uma forma nada democrática: pediu a exoneração do então diretor do órgão, o físico Ricardo Galvão.

 

Fonte(s): G1, Agência Câmara Notícias
Daiane Oliveira
Jornalista, feminista e mãe. Discute religião, política, sexo e hábitos sustentáveis. Não discute futebol porque não entende. Quem sabe um dia.

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