• Colabore!
  • Sobre nós
  • Contato

Atitude Coletiva

chevron_left
chevron_right

Fumar maconha faz mal ou não? O que a ciência sabe até agora

Pesquisas revelaram que a idade é o principal fator de risco.

Junio Silva Publicado: 29/07/2020 12:37 | Atualizado: 29/07/2020 13:58

Especialistas se debruçam no tema que, aos poucos, está deixando de ser um tabu social para se tornar ciência. Muito se fala sobre os benefícios medicinais da cannabis. Mas quanto ao uso recreativo, fumar maconha faz mal? Pesquisas revelaram que a idade é o principal fator de risco. Veja a seguir!

 

Maconha medicinal: um caminho sem volta

Não é de hoje que a “verdinha” causa polêmica. Isso vem desde os anos 1970, quando a cannabis foi classificada como droga de alto risco nos Estados Unidos, gerando preconceito e dificultando as pesquisas em torno de suas propriedades medicinais.

Mas nos últimos anos, os efeitos positivos de substâncias encontradas na planta vêm sendo discutidos pela ciência. Sabe-se que óleos e medicamentos feitos a base de maconha ajudam no tratamento de dores e doenças como autismo e Alzheimer, por exemplo.

Em carta publicada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), parte da comunidade científica pediam a reclassificação da maconha para fins medicinais.

Já aqui pelo Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária liberou, em 2019, a venda de remédios feitos a base da planta em farmácias, com a comprovação da necessidade do medicamento por meio de receita.

Maravilha, ponto para a ciência! Vamos focar agora no funcionamento da erva na nossa cabecinha, em momentos de descontração. O conteúdo a seguir usa as informações divulgadas pelo psiquiatra residente da Queen’s University, Anees Bahji, no canal do Ted-Ed:

 

Sistema Endocanabinoide: responsável pelo equilíbrio do corpo

Todo ser humano possui um sistema chamado endocanabinóide, responsável por enviar e receber mensagens entre as células e os processos do corpo. Estão presentes em órgãos, tecidos, glândulas, membranas do cérebro, sistema imunológico e em várias partes do corpo.

Os endocanabinoideis são os neurotransmissores que esse sistema libera quando nosso corpo e cérebro entram em atividade. Eles transmitem informações do receptor ao transmissor, carregando o estímulo e a resposta da ação. Ao contrário mesmo, como se estivesse dando um feedback.

Seja aumentando um processo que está em baixa, ou diminuindo a atividade de sistemas que estão elevados, regula vários processos do corpo, como dor, apetite, inflamações, sono, metabolismo, entre outros. Quando esse sistema está desregulado, a atividade cerebral e física tendem a instabilidade.

 

E o que a maconha tem a ver com isso?

Esse sistema que regula várias funções do corpo, fabrica seus endocanabinoides. Em casos de desregulação, ele também pode receber ajuda interna para produzir essas enzimas, através de fitocanabinoides encontrados em algumas plantas, como é o caso da cannabis.

E é nesse sistema que as substâncias da maconha agem, sejam os efeitos medicinais usados em tratamentos como epilepsia, Mal de Parkinson, câncer, etc., tanto a lombra causada pela parte psicoativa encontrada na maconha (THC).

 

Tipos de Cannabis

Alguns falam que fumar ajuda na criatividade, disposição, para trabalhar ou executar tarefas do cotidiano. Já outros que experimentaram a erva podem sentir enorme letargia e até entrar em estados paranóicos. Vamos entender isso melhor.

Os dois ativos mais conhecidos da maconha são o Tetrahidrocanabinol (THC) e o Canabidiol (CBD). São eles as principais substâncias que agem no corpo humano depois do consumo, porém, possuem características que fazem toda diferença.

Enquanto o CBD age como um regulador do sistema endocanabidinol, capaz de criar novos endocanabinoides, sendo bastante utilizado para meios terapêuticos, o THC é considerado a parte psicoativa da maconha, ou seja, é o responsável pela “brisa”. A principal diferença é essa.

Os dois interagem com o mesmo sistema, porém, com efeitos diferentes.

Ao entrar no sistema endocanabinoide, esses ativos diminuem ou aumentam a comunicação entre moléculas e endocanabinoides. Mas de formas diferentes. No caso do THC, os ativos se ligam de uma só vez aos receptores desse sistema, não possuindo um caminho especifico para fazer efeito, diferente de outras substâncias.

 

Para curtir, fumar maconha faz mal?

Ainda não se sabe ao certo todos os efeitos que a erva pode trazer para o usuário, além da lombra, sensação de leveza e relaxamento, lentidão, sentidos mais aguçados.

Anees Bahji afirma que os fatores determinantes de como a lombra vai bater e os seus possíveis riscos, depende da singularidade de cada pessoa, a genética, química cerebral e experiências anteriores.

No entanto, o psiquiatra trás um dado preocupante sobre a questão da idade do usuário.

  • Idade:

A idade é o principal fator de risco em relação ao uso recreativo da maconha. Em pessoas mais novas que 25 anos, os receptores endocanabinoides estão concentrados na área branca do cérebro, responsável pela comunicação, desenvolvimento e aprendizado do ser humano. Quanto mais nova a pessoa, piores são os efeitos.

Estudos apontam que as alterações que os ativos da maconha causam nessa parte do cérebro humano, podem dificultar a criação de novas conexões cerebrais ligadas à memória, emoção e percepção. Dificultado o aprendizado na fase adulta, por exemplo.

Áreas afetadas no cérebro de um adolescente, usuário frequente de maconha.

  • Falta de memória:

Um estudopublicado na revista Nature, explica que a relação da falta de memória com maconha se dá por causa das mitocôndrias, as responsáveis pela produção de energia através da respiração celular; elas ficam chapadas e acabam “se esquecendo” de realizar suas funções plenamente. Em adultos, esses efeitos são passageiros. Assim que o uso da erva é suspenso, a memória volta a funcionar corretamente.

  • Psicose:

Segundo Anees Bahji, ainda não está claro para a ciência se a psicose pode ser induzida pela cannabis, ou se ela simplesmente revela transtornos psicológicos já existentes – principalmente durante a idade adulta, onde esses problemas normalmente costumam aparecer.

  • Overdose:

O especialista também explica que a maconha não causa overdose fatal, ou seja, não mata o usuário por ele consumir a erva de maneira excessiva; como acontece com a maioria das drogas – inclusive legalizadas.

  • Agravar doenças pré-existentes:

No entanto, segundo especialistas consultados pelo Gizmodo, pode gerar um quadro mais sério em pessoas com doenças preexistentes, como problemas cardiovasculares, por exemplo.

  • Abstinência:

Ainda no vídeo publicado pelo Ted-Ed, caso um usuário frequente resolva parar o consumo, não existe risco de crises debilitantes e fatais por abstinência. Mas é possível que, por um período breve, a pessoa sofra com insônia, irritabilidade e falta de humor.

  • Vício:

Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria, foi constatado que a maioria dos usuários de maconha não desenvolve dependência da droga. Apenas a minoria desenvolve uma “síndrome de uso compulsivo”.

Lembrando que podemos relacionar o uso compulsivo também para compras, games, redes sociais ou pornografia, por exemplo.

Fonte(s): TED-Ed - Youtube, G1, Royal Queens Seeds, Faaat, EBC, Smoke Buddies, Hempmedsbr, Grow Room, UNODC, Infoescola, Pepsic, Gizmodo, Scielo, Queen's University, Resident Doctor's of Canada, Ted-Ed (2)
Junio Silva
Jornalista, cronista, e ex-futura promessa do futebol.

Tá na rede!

Em caso de chefe
clique aqui