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Atitude Coletiva

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Fotógrafo compartilha o verdadeiro – e triste – lado do trabalho infantil

O que o presidente Jair Bolsonaro ignorou ao falar sobre o tema.

  • O presidente Jair Bolsonaro relativizou o trabalho infantil em uma live.

  • 2,5 milhões de crianças e adolescentes estão em situação de trabalho.

  • 70% das crianças trabalham na Agricultura, segundo a OIT.

  • Trabalho infantil perpetua o ciclo da pobreza.

Na última quinta-feira (04), Jair Bolsonaro fez uma fala relativizando o trabalho infantil. Em sua live semanal no Facebook, o presidente compartilhou uma experiência pessoal para validar seus conceitos sobre trabalho na infância e adolescência.

“Trabalhando com 9, 10 anos de idade na fazenda. Não fui prejudicado em nada (…) então o trabalho não atrapalha a vida de ninguém”, afirmou Bolsonaro.

Bolsonaro afirmou ainda que “o trabalho dignifica homem e a mulher, não interessa a idade“; e que sua experiência quebrando milho em uma fazenda onde passou breve parte da infância em nada atrapalhou seu desenvolvimento e desempenho posterior.

Essa não é, entretanto, a realidade das crianças e adolescentes sujeitados ao trabalho precoce – muitas vezes não remunerado. Dada a confusão de muitas pessoas sobre o real sentido do trabalho infantil, o fotógrafo Flávio Costa compartilhou, em uma thread no Twitter, uma série que fez sobre o assunto:

“Eu não precisava”

Após o depoimento de Bolsonaro, para surpresa de muita gente, a internet foi recheada de comentários apoiando a fala do presidente. Alguns ainda contaram suas experiências pessoais:

Para se entender o panorama atual do trabalho infantil no Brasil e no mundo é preciso observar um aspecto essencial: a motivação. Trabalhar por sobrevivência ou para ajudar os adultos a sustentar a família é diferente de trabalhar para pagar aulas de ballet – ou de tênis.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2015 apontou que mais de 2,5 milhões de crianças e adolescentes, com idade entre 5 e 17 anos, estavam em situação de trabalho – a maior parte sem respaldo da Lei do Aprendiz, que regulamenta a contratação de adolescentes apenas a partir de 14 anos.

Mesmo sabendo disso, algumas pessoas fizeram a defesa desse sistema – que penaliza os mais pobres. Inclusive teve celebridade sugerindo que continue, declarando que “nunca foi um problema”:

O cantor Buchecha comentou sobre o assunto.

Patrícia Sanfelici, coordenadora nacional de Combate à Exploração do Trabalho da Criança e do Adolescente (Coordinfância) comentou as declarações de Bolsonaro:

“O argumento de que trabalhar não faz mal ou de que ele é uma alternativa viável é o que a gente busca todos os dias combater e sensibilizar a sociedade para pensar diferente (…).  A alternativa adequada e justa para a criança será sempre a educação e o cuidado que ela merece. A gente não pode pensar de outro modo. A Constituição brasileira assegura proteção integral, absoluta e prioritária da infância. Se a gente entende que a infância deve ser protegida, a gente deve protegê-la como um todo”, destacou em entrevista ao UOL.

Segundo o juiz Cláudio Delli Zotti, o fato de famílias precisarem manter os filhos fora da escola, em condições desfavoráveis ao seu desenvolvimento, para ajudar a pagar as contas da casa, perpetua o ciclo da pobreza. Naturalizar algo porque “sempre existiu” sustenta a cruel desigualdade que corrói nossa sociedade.

Ao contrário do que afirmou o presidente, o trabalho infantil é algo grave, presente em todo o mundo e que não deve, jamais, ser relativizado.

Para quem quer se inteirar melhor sobre o assunto, no Brasil existe a Rede Peteca – Chega de Trabalho Infantil, uma plataforma para informar e promover os direitos das crianças e adolescentes. Eles já se manifestaram sobre as declarações do presidente (aqui).

Dentre os importantes trabalhos compartilhados pela Plataforma, destacamos a listagem das 93 piores formas de trabalho infantil no Brasil:

Trabalho infantil, então, vai muito além de ajudar os pais na padaria em troca de uma mesada maior ou de vender comidinhas feita pela mãe para comprar um celular novo.

Na dúvida, é sempre bom a gente trabalhar aquele mantra que circula na internet há alguns anos:

 

Fonte(s): Twitter - @flaviocostaf, Aprendiz Legal
Daiane Oliveira
Redatora, feminista e mãe. Discute religião, política, sexo e hábitos sustentáveis. Não discute futebol porque não entende. Quem sabe um dia.

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