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Pulseira e fita de punho acumulam microrganismos, alertam especialistas

Antes de esbravejar: não precisa retirar a sua fita do Senhor do Bonfim do pulso.

Andresa Araujo Publicado: 21/05/2021 11:25 | Atualizado: 21/05/2021 16:27

Calma. Antes de esbravejar, já adianto: não precisa retirar a sua fita do Senhor do Bonfim do pulso. Cuidando da sua higiene diária, elas não fazem mal à sua saúde. Entenda a seguir.

 

Se você já viajou para Salvador, na Bahia, e não ganhou uma fita do Senhor do Bonfim você turistou errado. Brincadeiras à parte, a fita tem um papel importante na fé dos turistas e soteropolitanos.

Mas há quem a utilize por mais de 5 ou 6 anos no punho e esse tempo pode gerar o acúmulo de bactérias próximo à mão. Estima-se que, em uma hora, tocamos o rosto 23 vezes e 44% desses contatos envolvem as mucosas da boca, olhos e nariz. Então, já imaginou o problema?

Diante disso, vamos descobrir se a fita do Senhor do Bonfim (e outras fitinhas usadas de amuleto) realmente acumula microrganismos.

 

Como surgiu a fita do Senhor do Bonfim?

A fabricação das fitas religiosas começou em 1809, com o intuito de arrecadar dinheiro para a Irmandade Senhor do Bonfim. 

Antigamente, era costume utilizar tiras de roupas dos santos para ter sorte ou proteção. Com o tempo, naturalmente, as roupas foram se tornando cada vez mais escassas, até serem substituídas pelas fitas.

Nos dias atuais, de intensa globalização, a produção foi massificada — até mesmo para satisfazer a exportação e a demanda durante as festividades. A região onde mais produzem as fitinhas é o estado de São Paulo, por isso se originou a fita de Nossa Senhora Aparecida e a fita de São Jorge, no Rio de Janeiro. 

Além disso, o material das fitas também sofreu várias mudanças. De seda, passou-se a utilizar poliéster, além de algodão, nylon e até acetato.

O que não mudou durante esse tempo todo, independente do local, foram as instruções de uso da fita: usar no punho ou no tornozelo esquerdo, pensar em 3 desejos e dar 2 voltas com 3 nós.  Deve-se deixar o amuleto de fibra sintética rasgar sozinho, sem cortar, com o tempo, para que os desejos sejam realizados.

Amarrar a fita na mala ou na mochila está liberado.

Tradicional festejos da Lavagem do Senhor do Bonfim em Salvador leva milhares de pessoas devotos a participar da lavagem das escadarias da igreja e amarrar fitinhas , fazer pedidos amarrando na grade de entrada da igreja.

 

Qual o problema de usar algo no pulso?

Não é novidade que adornos como anéis e relógios acumulam microrganismos. Esse é o motivo pelo qual há campanhas nos hospitais para que os profissionais de saúde guardem seus acessórios antes de entrar nas instituições. Acredita-se que eles possam abrigar 428 vezes mais germes que um vaso sanitário. 

E quanto à fitinha de pulso?

Cada material, no geral, tem uma tendência diferente de acumular germes. Tecidos mistos ou de algodão podem reter mais que os de poliéster que, por sua vez, são mais propensos a transmitir os micróbios para outros locais, em vez de retê-los. 

Mas existe também o potencial de retenção de microrganismos, que varia com a espécie. No caso das bactérias, independente do material, elas podem sobreviver de 10 a 98 dias em um objeto, segundo o Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP).

Quando falamos do algodão, comparativamente, ele absorve mais bactérias que o plástico. Por isso, existe essa chance das fitinhas de algodão serem as que têm o maior risco de deixar o punho colonizado por microrganismos. E piora a depender do ambiente.

A esponja de banho, por exemplo, jamais deve ficar exposta no banheiro úmido porque, assim, ela não seca totalmente e acumula os germes. A rapidinha abaixo fala da bucha vegetal, mas vale para qualquer item, incluindo toalhas e escova de dente.

Destaca-se que se você mora em lugares mais quentes e sua com maior frequência, a junção da alta temperatura com a umidade da fita pode até mesmo desencadear micoses. Adicionalmente, o risco de erupção cutânea na pele suada é maior, pois é o que pode ocorrer com as pulseiras inteligentes (smartbands).  

 

Pulseiras acumulam germes

Pesquisadores britânicos descobriram que pulseiras de festas, em diversos materiais, algumas de pano, podem acumular 20 vezes mais bactérias que roupas — com o potencial de causarem até intoxicação alimentar e septicemia, que é uma complicação fatal de uma infecção, com febre, dificuldade de respirar e confusão mental.

Os jovens, principalmente no exterior, têm esse costume de manter as pulseiras dos festivais no braço, como recordação. Mas, com essa prática, os adereços vão resistindo e acumulando uma quantidade considerável de microrganismos — semelhante à fita do Senhor do Bonfim. 

Pulseiras de festivais também podem acumular microrganismos

A alta carga de patógenos pode ser transmitida a pessoas mais vulneráveis, como idosos e crianças. Por isso, concluem os cientistas, não é recomendável manter essas pulseiras no punho.

Um microbiologista australiano também fez uma análise de 3 pulseiras de festas de uma voluntária. Ele encontrou até 600 milhões delas e, embora não tenha concluído se são perigosas, o especialista aconselhou evitar esse uso prolongado do acessório.

A pulseira da voluntária, de um show de 2009, tinha 200 milhões de bactérias; a de 2010, 600 milhões e a de 2016, 80 mil.

 

É seguro manter fitas no punho?

Jair Vieira, biólogo e professor, destaca que a fita do Senhor do Bonfim está sempre exposta ao sol, vento e friagem — além de poder ser lavada no banho.

Como os microrganismos têm preferência por ambientes úmidos e sem incidência solar, o especialista explica que dificilmente ela acumulará germes, independentemente do seu material. Desde que a fitinha esteja em uso e seja higienizada periodicamente.

Para o Dr. Nikolas Constantino, biomédico e patologista clínico, o uso da fita religiosa deve ser determinado, essencialmente, pelas atividades de exposição do indivíduo. 

Por exemplo: se você trabalha em um escritório, não precisa se preocupar tanto com o acessório. Porém, se você manuseia alimentos diariamente, não é recomendado portar o adereço.

Da mesma forma, quem lida com riscos maiores, como aparelhos de corte e alto risco à integridade da pele, em fábricas, usar a fita do Senhor do Bonfim é fora de questão.

Portanto, com exceção dessas situações, o uso da fita é seguro e não é motivo de preocupação.

Desde que a higiene pessoal esteja em dia e os acessórios também estejam limpos, não devemos nos preocupar com sua utilização. A fita do senhor do Bonfim é muito fina e pequena, portanto, não é um fator que devemos nos preocupar tanto. Uma simples lavagem já é o suficiente para manter a higiene, corrobora Jair. 

Além disso, o especialista complementa que “lugares que devemos evitar usar muitos acessórios são principalmente hospitais. É indicado usar uma roupa simples, máscara e, quando chegar em casa, lavar essas roupas se possível separadamente das outras.” 

 

Dicas de higiene para uso da fita

O biólogo também fez algumas recomendações quanto ao uso da fita:

  • Lave o seu acessório ou deixe-a um tempo sob o sol para evitar o acúmulo de ácaros, que causam alergias e espinhas na pele;
  • Passe um pano com álcool no lugar onde as fitas estão guardadas, caso você as tenha em uma gaveta, por exemplo;
  • Evite o contato do acessório com a boca, nariz e olhos;
  • Retire e lave o acessório depois de ter contato com o público, preferencialmente, assim como é feito com as roupas.

Dica extra: prefira amarrar a fitinha no tornozelo, ao invés do pulso.

Dessa forma, a fita do Senhor do Bonfim comprovadamente acumula microrganismos, mas eles são facilmente removidos durante uma higienização simples das mãos e punhos.

Contudo, não deixe de se atentar às atividades que você faz no dia a dia e avalie a retirada do acessório para evitar problemas maiores.

Fonte(s): IBSP, Segurança do Paciente, Hospital São Domingos, Câmara Legislativa, G1, Bhskin, Dailymail, Triple J
Andresa Araujo
Redatora, estoica, reflexiva, profunda, blasé... e colecionadora de vídeos de coreografias criadas por populares no Twitter.

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