"Bolsonaro volta atrás": A polêmica estratégia que está manipulando os debates no Brasil
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“Bolsonaro volta atrás”: A polêmica estratégia que está manipulando os debates no Brasil

Precisamos falar sobre Firehosing: como sair dessa?

Julia De Cunto Publicado: 26/11/2018 12:31 | Atualizado: 26/11/2018 16:29

As últimas declarações feitas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro tem gerado uma histeria coletiva na imprensa nacional.

Se durante a campanha eleitoral a opinião pública estava voltada a uma série de fake news produzidas por seus partidários, agora, suas decisões a respeito do futuro governo têm gerado factoides tão questionáveis, que ele mesmo tem voltado atrás – o tempo todo.

O problema é que essa confusão da retórica relatada pelos meios de comunicação tem se tornado uma ótima propaganda para o novo governo.

Se você digitar no Google “Bolsonaro volta atrás”, encontrará centenas de resultados pelos quais o novo presidente recuou durante o governo de transição. Foram tantas que virou até manchete do Sensacionalista.

Site do Sensacionalista, https://veja.abril.com.br/blog/sensacionalista/bolsonaro-desiste-de-voltar-atras-e-volta-atras-em-decisao-de-voltar-atras/?fbclid=IwAR1uuOTW2fr0MF7Aj8RpG0kXz86pDw24_pRK_2FB8s-Wnpt1WHIoiQKdhyU

Nós contamos. Com menos de um mês da eleição, Bolsonaro voltou atrás em pelo menos 10 propostas de governo – até o momento dessa publicação.

 

Preparamos uma lista do vai-e-vem para você se situar:

1. Fundir os Ministérios do Meio Ambiente com o da Agricultura

Possivelmente a medida mais controversa anunciada ainda durante a campanha eleitoral, Bolsonaro recuou na decisão de unir os Ministérios do Meio Ambiente com o da Agricultura. Inclusive falamos sobre isso, aqui.

A declaração foi tão polêmica que desagradou tanto ambientalistas quanto ruralistas, resultando em posicionamentos do atual Ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte, bem como o da Agricultura, Blairo Maggi, afirmando que tal medida poderia prejudicar as duas agendas causar retaliação internacional.

Além disso, a decisão despertou críticas de diversos setores da sociedade, entre elas, organizações que atuam em prol da sustentabilidade e do clima e suscitou até mesmo a uber model e (agora) ativista Gisele Bundchen, que escreveu uma carta à Bolsonaro pedindo para que não haja retrocesso na proteção ambiental.

 

2. Transferência da embaixada brasileira de Tel-Aviv para Jerusalém

O disse-me-disse também balançou relações diplomáticas, quando Bolsonaro tuitou em português e inglês o anúncio da transferência da embaixada brasileira de Tel-Aviv para Jerusalém.

A declaração não foi bem recebida pelos países árabes, a ponto do governo do Egito cancelar a visita que receberia de uma comitiva brasileira. A reação dos egípcios preocupou não só o Itamaraty, mas setores econômicos, já que o país é um dos maiores compradores da carne brasileira.

Mais que isso, como lembrou Carlos Alberto Sardenberg em um comentário na Rádio CBN, a questão entre palestinos e israelenses não há um consenso entre a Organizações das Nações Unidas (ONU) e que os países europeus mantêm suas embaixadas em Tel-Aviv. Logo depois, Bolsonaro voltou atrás, afirmando que a mudança da embaixada ainda não está decidida.

 

3. Tirar status de Ministério do Trabalho

Bolsonaro recuou sobre tirar o Trabalho do status de Ministério e passar para uma secretaria. A declaração ocorreu após protestos de servidores na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

 

4. Fundir o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços com o da Fazenda

Ainda na corrida presidencial, Bolsonaro deixou de lado a ideia de fagocitar o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços ao superministério da Fazenda, após críticas dos representantes das indústrias. Apesar disso, a última posição do governo de transição é pela união das pastas.

 

5. A volta da CPMF

A criação de uma nova CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) deu o que falar e Bolsonaro teve que desautorizou sua equipe pelo menos duas vezes — durante a campanha e outra após a eleição. Apesar de seu futuro ministro e “Posto Ipiranga”, Paulo Guedes se declarar a favor à criação de novos impostos, Bolsonaro é contra.

 

6. Modelo de Reforma da Previdência diferente do proposto pelo governo Temer

Questões envolvendo a Reforma da Previdência também tiveram recuo. Em seu plano de governo de Bolsonaro, a proposta previa a implementação de um modelo de capitalização, que funcionaria como uma poupança do trabalhador para sua aposentadoria.

No entanto, há algumas semanas, o governo do presidente eleito mostrou-se favorável ao texto proposto pelo governo Temer, que ele mesmo criticava antes das eleições, que eleva a idade mínima e o tempo de contribuição.

 

7. Ensino superior sob gestão do Ministério da Ciência e Tecnologia

O plano de colocar a gestão do ensino superior no Ministério da Ciência e Tecnologia, no comando do astronauta Marcos Pontes, foi repensado. Bolsonaro volta atrás e deve manter as universidades sob supervisão do Ministério da Educação MEC.

 

8. Calote na dívida pública e meta para câmbio

Outro mal-entendido do casamento “Bolsonaro-Guedes” foi em relação a política cambial e a dívida pública. Sobre esta, atingindo cerca de 4 trilhões, Bolsonaro afirmou que seria impagável, alarmando investidores sobre um possível calote. Paulo Guedes afirmou, no entanto, que a renegociação está fora de questão e que a dívida é uma grande preocupação do futuro governo.

Outro desencontro foi em relação ao estabelecimento de uma taxa de cambio. “Eu falei para o Paulo Guedes: temos de estabelecer metas para dólar, inflação. Aí, a taxa de juros”, disse o presidente eleito. Dias depois, o futuro ministro da Casa Civil, Onix Lorenzoni, teve de corrigir a proposta, defendendo apenas a “previsibilidade e segurança jurídica”.

 

9. Incorporar CGU ao Ministério da Justiça e Segurança Pública

O capitão reformado afirmou que a CGU (Controladoria-Geral da União) seria incorporada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. Ele voltou atrás e pretende deixar a pasta com o status de ministério independente.

 

10. Diminuir para 15 o número de Ministérios

Em sua campanha, Bolsonaro prometeu que reduziria os 29 ministérios atuais para 15. Atualmente, o presidente eleito considera 20.

 

Mesmo sem recuos, outras falas polêmicas de Bolsonaro também ocuparam a imprensa nos últimos dias, como:

  • O desejo de deixar o Acordo de Paris por razões que nem estão no Acordo de Paris,
  • Nomear o próprio filho para o Ministério da Comunicação Social, por considerá-lo fera nas mídias sociais.
  • Dada a abertura ao espetáculo, o cirurgião plástico de reality show, Dr. Rey, apareceu na casa do presidente eleito para se oferecer como Ministro da Saúde. Bolsonaro não o recebeu.
  • E por conta do seu aberto posicionamento contra o programa Mais Médicos, mesmo antes de assumir a presidência, Cuba cancelou a parceria. Como explica o excelente vídeo do canal Meteoro Brasil:

 

O que existe por trás de tanto recuo? Estratégia!

O que parece ser uma tentativa de diminuir as dissonâncias cognitivas de suas próprias propostas, na verdade, é uma tática muito explorada por líderes como Donald Trump, nos Estados Unidos, e Vladimir Putin, na Rússia, que consiste na transmissão epidêmica de conteúdos inconsistentes, colocando em dúvida o papel da imprensa como mediadora de informações confiáveis.

Em um tweet, o professor @geocaio resumiu tudo:

De certa forma, a imprensa, ao veicular as declarações contraditórias de Jair Bolsonaro, começa um incêndio que ela mesma não consegue apagar.

E é justamente com essa analogia “incendiária” que se constrói a tática de “Firehosing”, que vem do termo “firehose” que significa “mangueira de incêndio”.

Firehosing à brasileira

Como apurado neste artigo da Vice, tal nome foi encontrado no artigo The Russian “Firehose of Falsehood” Propaganda Model (O Modelo “Mangueira de Incêndio da Falsidade” de Propaganda Russa, em tradução livre), lançado em 2016.

O documento aborda o modelo de propaganda utilizada pelos russos atualmente, com forte expressão em Vladimir Putin, já que mensagens com mentiras e informações deturpadas de todos os tipos circulam em múltiplos canais de informação. “Em resumo: o fluxo de mentiras rola de modo contínuo e intenso, tal qual uma mangueira de incêndio (!)”, afirma o texto da Vice.

Na última semana, o termo caiu nas graças do twitter e muita gente ficou embasbacada com essa forma de manipulação do debate público.

Viralizou tanto que teve gente acusando de ter um firehosing de firehosing.

Mas a dúvida é pertinente:

Como diferenciar essa tática de manipulação?

A verdade é que essa diferença se extingue quando as besteiras são uma forma de ocupar o centro do debate público. Em sua última coluna no jornal Folha de São Paulo, o filósofo Vladmir Safatle explica:

“O jogo consiste em fazer os ocupantes do poder definirem todas as pautas de discussão da sociedade civil. A sociedade deve se mobilizar, discutir e se rebelar a partir de uma agenda cujo enunciador é o próprio governo. Isso faz de todo movimento social um movimento reativo impulsionado pela velocidade descontrolada com que o governo parece produzir catástrofes potenciais.’’

A reação enérgica dos meios de comunicação e da opinião pública acaba por fortalecer os próprios criadores do caos, cujas opiniões finais emergem como conciliadoras e ponderadas.

Descrédito da imprensa

Enquanto no centro de seus discursos estão os temas morais, o projeto da Escola sem Partido, e a liberação do porte de arma, Bolsonaro coloca em segundo plano propostas econômicas duras como a Reforma da Previdência.

Para muitos eleitores do 17, isso se acentua pelo fato dos veículos de comunicação terem se tornado exclusivamente reativos às propostas do presidente eleito. Resultado, acabam rejeitando o jornalismo profissional ou qualquer tipo de análise com expressão intelectual que se oponha ao governo.

Um bom exemplo disso é o meme que circula entre seus apoiadores, que expressa justamente o desprezo pelos limites constitucionais dos direitos humanos, como se os veículos de comunicação influenciassem a ideia de “defender bandidos” – discurso defendido por Bolsonaro.

A piada faz referência aos episódios em que a Polícia Militar do Rio de Janeiro assassinou, em 2010, um homem no Morro do Andaraí por confundir uma furadeira com uma arma e, recentemente, a morte de um garçom com três tiros quando carregava um guarda-chuva e vestia um “canguru”, suporte de carregar crianças, no morro do Chapéu Mangueira, em setembro deste ano.

Quando já eleito presidente, Bolsonaro compartilhou um tweet com a imagem de homens segurando fuzis com a legenda em tom irônico: Acho que vai cair uma tempestade, olha quanto guarda chuva”.

Melhor já ir se arrependendo. Será?

Com o vai-e-vem do governo de transição, o twitter se viu povoado de críticas de próprios eleitores do Bolsonaro, que se mostraram insatisfeitos com as decisões do capitão reformado, pedindo que ele reconsiderasse medidas anunciadas, entre elas, a nomeação para ministro o deputado Alberto Fraga (DEM), condenado em primeira instância por uso de cargo público para obter vantagem indevida.

Apesar de ter anunciado em vídeo que Fraga seria seu coordenador de bancada, o presidente eleito negou os questionamentos que surgiram em suas redes sociais.

Frente a essas e outras manifestações, o perfil @jairmearrependi compilou diversos depoimentos de eleitores decepcionados com o “Mito”.

 

Visualizar esta foto no Instagram.

 

@ptbrasil maior e melhor que a KGB e se infiltrou no PSL.

Uma publicação compartilhada por Jair, Me Arrependi 🇧🇷 (@jairmearrependi) em

:28 PDT

Mas até alguns arrependidos tem sua humanidade colocada em dúvida, já que seus nomes tem uma sequência de oito números e seus perfis foram criados em outubro deste ano, deixando uma suspeita de serem contas-robôs controladas pela campanha do Bolsonaro, como indica a página Zero à Esquerda.

Mas será que até mesmo os robôs do Bolsonaro estão arrependidos?

Os robôs são usados para automatizar com eficiência tarefas repetitivas no mundo virtual. Eles aparecem no debate político nas redes sociais para manipular a opinião das pessoas, imitando comportamento humano através de posts programados, servindo justamente para inflar o debate.

Os bots arrependidos mostram justamente que essa é uma estratégia para que se coloque Bolsonaro como conciliador, cujo efeito reside na confiança da palavra do governante através dos seus próprios canais.

Trump dos trópicos

A comparação de Jair Bolsonaro com o presidente americano Donald Trump vem ganhando novos contornos a cada dia. Seja pelo apelido “Trump dos Trópicos”, dado pelo jornal inglês The Telegraph, ressaltando pontos de aproximação do capitão reformado com líder estadunidense: amados pelos evangélicos e defensores dos direitos a armas, ambos acusam a mídia de propagar notícias falsas.

Você é Fake News (notícia falsa)

“Inimigos políticos? Bloqueie-os. O novo presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, é um ardente admirador – e astuto imitador – de seu colega americano, Donald Trump”, afirma o veículo inglês.

O “Firehosing” é mais uma das práticas utilizadas por Donald Trump importada por Bolsonaro. Nos Estados Unidos, há uma parcela da população conservadora que parece estar imunizada contra as críticas que a mídia faz à atuação do presidente e muitos dos seus rallys resultam em ira ao que ele chama de “fake media” (imprensa falsa).

A hostilidade ao jornalismo tem muitas faces, mas pode ser resumida na foto de um bebê no comício republicano, em Tampa, na Flórida, usando um broche com os dizeres “CNN Sucks” (em tradução livre, “CNN é uma droga”).

Talquei. Mas como romper o ciclo?

É atribuída a Joseph Goebbels, o arquiteto das propagandas nazistas, a frase “Uma mentira contada mil vezes torna-se verdade”. Essa enxurrada de informações desencontradas leva as pessoas a colocarem em dúvida seu próprio senso de realidade e o papel do jornalismo como mediador de conteúdos relevantes e confiáveis. Mas, como vamos sair dessa?

A questão levantada pelo ilustrador Rafael Salimena suscitou ideias como ”não correr atrás do furo”, ou ainda, a teoria de que as fake news só podem ser combatidas quando os dois lados tem o mesmo poder de disseminá-las, alternativas que não são muito otimistas para a prática jornalística.

Técnicas para jornalistas

Em entrevista para o SOS, a jornalista especialista em política, Fernanda Escóssia, professora do IBMEC e repórter da Adufrj, afirma que a escolha de Bolsonaro por usar as redes sociais é confortável para suas idas e vindas em diversos assuntos.

‘’Bolsonaro fez uma opção clara por buscar um palco midiático que não necessariamente passa pela grande imprensa. Escolheu usar as redes, o que lhe dá o conforto de falar sem ter de enfrentar o contraditório, a pergunta, o confronto. Esse é o primeiro ponto que se destaca em sua comunicação: ele assume o protagonismo no agendamento de temas. A mídia, em vez de ser propositiva, torna-se reativa’‘, afirma a professora.

Para romper o ciclo, ela aposta justamente no trabalho crítico da imprensa:

”Penso que um caminho possível, por mais estranho que possa parecer, é apostar na técnica jornalística. Duvidar de soluções fáceis. Reforçar a apuração, a checagem, tentar contextualizar o tema e se antecipar. Ou seja: quando um anúncio for feito, é preciso estar atento a essas possibilidades de desmentidos. Entender e analisar que esse tipo de estratégia favorece a desinformação – e deixar isso claro para o leitor. Explicitar que esse tipo de estratégia tem uma finalidade, e não se deixar envolver acriticamente por ela.”

O próprio manual “The Russian ‘Firehose of Falsehood’ Propaganda Model” elenca algumas formas para estancar o fluxo de desinformações.

Primeiro, é preciso reconhecer que esse desafio não será solucionado do dia para noite. O documento aponta que os mesmos fatos que tornam a prática de firehosing efetiva, são os que dificultam seu enfrentamento: a multiplicidade de canais impede a diminuição do fluxo caso uma fonte seja tirada do ar ou uma voz enganosa cai em descrédito.

Além disso, os que propagam o caos são persuasivos justamente por apresentarem uma primeira versão e serem eles mesmo a negarem. Então, a sugestão dos pesquisadores é a seguinte:

“Não direcione seu fluxo de informação diretamente de volta ao ‘firehosing’ e, sim, guie a audiência em direções mais produtivas’’.

Assim, o jornalismo tem um importante papel de desenvolver autonomia e senso crítico, que não se alimente do ultraje e do ressentimento. Apresentar conhecimentos sobre o poder público, como agem e quais as consequências para o país podem ser uma maneira de minar os efeitos das desinformações.

Técnicas para toda e qualquer pessoa

Não alimente o animal raivoso que existe dentro de você.

Essa é a abordagem da comunicação não-violenta do psicanalista Marcos Donizetti, em seu “Manual de conduta e resistência ao controle do discurso e da libido”. No texto, ele alerta que essa confusão desmedida do discurso contribui para que se acalorem os ânimos em determinadas pautas ligadas as crenças e a moral.

Por isso, ele sugere que você não surfe nessa onda de ressentimentos; e que uma boa coisa é nutrir-se de expressões artísticas e filosóficas como uma forma de aquietar as provocações e potencializar os argumentos:

“Se perceber que o tópico Bolsonaro te faz espumar e compartilhar coisas dele o dia todo, quaisquer coisas (fontes não faltam), pense em sair um pouco das redes sociais. Vá ver um filme, ler um livro, ouvir a música que você ama ou um disco novo. Consuma e produza arte, que é uma maneira e tanto de elaborar angústias e mobilizar forças, de forma crítica, inclusive. Arte ajuda a seguir e a mostrar que a vida continua lá fora.’’

Em entrevista para o SOS, ele explica como esse momento de polarização que vivemos faz com que notícias ou decisões políticas abalam crenças e criam flutuações de humor, sensibilizando mais ou menos em relação a visões ideológicas.

A propagação de notícias e opiniões hoje tem relação muito mais com um fenômeno grupal de pertencimento, aceitação e validação e com questões de autoafirmação dos sujeitos que com o conteúdo do que é propagado.

As mais absurdas conspirações compartilhadas acabam por ‘premiar’ a pessoa com a sensação de conhecer uma verdade a que ela teve acesso como alguém especial (…)

Há também o sentimento de finalmente ter voz, um papel em seu grupo, de propagar aquilo que a “grande mídia não vai noticiar”. Quando alguém apresenta outras versões ou fatos probatórios de que aquilo é uma inverdade, esse sujeito pode reagir defensivamente, se sentindo ele mesmo ameaçado e ofendido.”, disse o psicanalista.

Para ele, a saída também está na informação bem checada e com análises de qualidade:

”Se há uma maneira de lidar com a tal pós-verdade e com os efeitos disso na sociedade (sem garantia de sucesso) é fazendo circular a melhor informação possível. Confiabilidade permite ao indivíduo refletir e elaborar suas posições com mais segurança, e isso não é pouco.”

Resistência e mudança começam, frequentemente, na forma como nos comunicamos. O jornalismo ainda parece ser a melhor forma de construirmos coletivamente uma sociedade justa e, mais do que nunca, é preciso estar atento às formas de manipulação que as estruturas de poder oferecem.

Como diz a canção, é preciso estar atento e forte.

Julia De Cunto
Jornalista na era da pós-verdade, feminista, atriz dos maiores dramas da vida cotidiana.

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