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15 Filmes que os fãs não entenderam (Star Wars, Clube da Luta e mais)

Quando a mensagem foi absorvida de forma completamente oposta ao que se pretendia.

Denis Le Senechal Klimiuc Publicado: 14/08/2020 16:36 | Atualizado: 15/08/2020 12:13

Apesar do esforço dos cineastas, alguns longa-metragens surtem um efeito inesperado. Fãs passam a usar a mensagem do filme de forma completamente oposta ao que se pretendia com a obra. A seguir veja a lista com filmes que os fãs não entenderam.

 

Filmes que os fãs não entenderam: uma questão de interpretação pessoal

O cinema tem ideias que fogem da caixinha. Muitos dos filmes que marcaram época não são apenas para rir ou chorar, eles trazem discussões maiores do que o puro e alienante entretenimento. E isso faz a cabeça de muita gente explodir.

Apesar do esforço de alguns cineastas, porém, alguns desses filmes surtiram um efeito contrário ao que era proposto. O que não diminui a qualidade deles, evidentemente. Mas nos coloca para refletir.

Para te ilustrar melhor, preparamos uma lista com filmes que os fãs não entenderam, ou pelo menos uma parte deles. E já aviso: vai rolar MUITO SPOILER, ok?

 

1. O Irlandês

Em 2019, um dos grandes filmes de Martin Scorsese, “O Irlandês”, fez com que muita gente defendesse o protagonista, Frank Sheeran, um homem extremamente frio, responsável por diversas mortes de ícones americanos, dentre eles a do sindicalista Jimmy Hoffa.

Apesar de toda a crítica em relação ao modus operandi luxuoso e decadente da máfia, o que se percebeu foi um endeusamento em relação ao assassino Sheeran. Uma prova que nem sempre o protagonista é um bom mocinho.

 

2. Tropa de Elite

José Padilha não fazia a menor ideia de que o maior sucesso de sua carreira, até o momento, seria motivo de alistamento no Batalhão de Operações Policiais Especiais do Rio de Janeiro (BOPE), quando o anti-herói vilão, Capitão Nascimento, foi levado ao status de herói nacional.

Apesar do sucesso do longa, até hoje é o personagem que Wagner Moura criou que é relembrado – e celebrado. Como se fosse digno de mérito, apesar de seu caráter claramente duvidoso. Para ter uma ideia, em “Tropa de Elite”, o Capitão valida sua autoridade através de violência constante, torturando pretos e pobres pessoas que ele entende como suspeitas.

 

3. Um Dia de Fúria

William Foster se transformou no símbolo do esgotamento emocional, algo que se tornou popular com a palavra estresse – e hoje, com o termo burn out. Personagem de Michael Douglas em “Um Dia de Fúria”, são algumas de suas situações-limite que o tornaram tão popular.

O que aconteceu depois, muita gente passou a mudar a forma de se relacionar com funcionários de diversos estabelecimentos, como restaurantes, por conta do comportamento explosivo desse personagem, que perdeu o limite por motivos diversos. Ao que parece, o longa deu certa legitimidade a esse comportamento tóxico.

4. Clube da Luta

O clássico dos filmes que os fãs não entenderam. Um clube formado por homens que se espancam o dia inteiro, induzindo e reforçando um comportamento nocivo, físico e psicologicamente. Uma denúncia interessante e bastante clara contra o machismo tóxico tão presente na sociedade.

Como poderia ser mais clara a mensagem de “Clube da Luta”? Pelo visto, com um conteúdo ainda mais didático. Isso porque o filme se tornou uma verdadeira propaganda do comportamento tóxico entre homens, chegando a provocar a morte de alguns em grupos de luta clandestinos, após o lançamento no cinema. Seria cômico, se não fosse trágico.

 

5. 365 Dias

A produção da Netflix mostra que o erotismo ainda está em alta. Mas nesse caso é diferente. A história de “365” é, na realidade, sobre o sequestro de uma mulher, intimidada e privada de sua vida, sendo feita de escrava sexual de um magnata italiano.

Isso nem ao menos é romantizado, inclusive se levarmos em conta que a personagem acaba sofrendo com a Síndrome de Estocolmo, estado psicológico em que uma pessoa passa a ter simpatia e até mesmo amor ou amizade pelo seu agressor. Resultado: o filme foi um sucesso e muitas pessoas passaram a desejar ser vítima de sequestro e de escravidão sexual.

 

6. X-Men

Bryan Singer é um diretor norte-americano bastante famoso. Ele levou ao cinema os dois primeiros filmes de “X-Men”, que, assim como a HQ, trazem mensagens claras sobre a importância da diversidade e igualdade de direitos. O problema é que muita gente não captou ou não quis captar.

Com mais 9 longas-metragens, a franquia “X-Men” se tornou ainda maior. Todos com mensagens ainda mais explícitas, sobretudo em relação a homosexualidade. Mas isso não foi o suficiente para que boa parte dos fãs criassem campanhas contra temas mais humanistas. Apesar dessa retaliação conservadora, quem lacra, continua lucrando. E muito!

 

7. Os Bons Companheiros

Mais uma vez na lista, Martin Scorsese merece outro lugar porque seu clássico “Os Bons Companheiros” se tornou um dos filmes favoritos sobre gânsteres, como se o mundo da máfia fosse algo a ser almejado por crianças e adolescentes.

O explosivo personagem de Joe Pesci, que ganhou o Oscar por sua composição, foi elevado como ídolo daqueles que enxergaram no filme uma oportunidade em trabalhar no mundo do crime, sobretudo nos Estados Unidos, onde a obra chegou a ser muito criticada por isso.

 

8. A Onda

Esse excelente filme alemão apresenta a história de um professor que mostrou, na prática, como o fascismo funciona aos seus alunos, em plena Alemanha do século XXI. Incrédulos de que poderia acontecer novamente, eles passam a exercitar as técnicas de ditadores, como Hitler. O resultado é, como o previsto, um desastre.

O longa, apesar de claramente denunciar todas as nuances de um regime fascista, é considerado como uma espécie de manual para seguidores dessa doutrina ideológica. Complicado.

 

9. Star Wars

Com a ajuda da Força, a energia presente em tudo, os poderosos jedis auxiliam os rebeldes na batalha contra os anseios tirânicos do Império. Ou seja, o Império são os vilões e a Resistência são os mocinhos. É bem simples assim. Enquanto um grupo deseja dominar as galáxias e decretar um regime ditatorial, o outro grupo luta pela autonomia de todos os povos.

Com 11 filmes, além do universo expandido, Star Wars conseguiu confundir as pessoas. Afinal, apesar da premissa denunciar posturas fascistas e defender o respeito ao diferente, o que mais se vê são fãs conservadores destilando ódio contra grupos historicamente oprimidos, como aconteceu com a protagonista feminina e atores não-brancos que ganharam destaque.

 

10. Histórias Cruzadas

Eis um filme que fala de racismo sob a ótica dos brancos, mas que em sua época de lançamento foi altamente disseminado como o corajoso ponto de vista que precisava ser contado nos cinemas.

Felizmente os tempos mudam e até mesmo suas protagonistas, Viola Davis e Octavia Spencer, já afirmaram que se pudessem voltar no tempo, não o teriam feito. Isso porque, ao que se pode perceber pela reação de alguns fãs, o filme trouxe uma falsa visão de que a escravidão e a segregação, nos Estados Unidos, não existiram. 

 

11. Laranja Mecânica

Stanley Kubrick foi um mestre da sétima arte, em “Laranja Mecânica” denuncia a forma com a qual os “desajustados” são tratados em sociedade, feitos de cobaias de experiências políticas e culturais, algo que o filme demonstra com certa violência, inédito para a época de seu lançamento.

Mas a crítica é muito sútil. Tanto que alguns fãs ainda acham que o filme é sobre um grupo de bagunceiros que não merecem viver em sociedade, apresentando essa obra-prima como um bom exemplo de como proceder para garantir a ordem.

 

12. Batman – O Cavaleiro das Trevas

Heath Ledger morreu antes de ver um dos melhores filmes de sua carreira chegar aos cinemas. Existe um boato de que o ator sofreu overdose por mergulhar excessivamente no caos do personagem, Coringa. Apesar de já ter sido desmentido pela família, essa história demonstra o que é ignorado por fãs: o vilão é extremamente problemático.

Apesar de matar de maneira fria ou mesmo cruel, o personagem psicopata ganhou os corações de uma geração inteira. Quanto mais perverso era Coringa no longa-metragem, mais antológica se tornava a cena. Será que amamos somente a atuação impecável de Ledger?

 

13. Vingadores: Guerra Infinita

O Universo Cinematográfico da Marvel (MCU) nos cinemas chegou ao começo do fim com a apresentação de seu maior vilão até então, Thanos. Guerreiro experiente e excelente em oratória, traz uma lógica quase irretocável para justificar a eliminação da metade do universo com um estalar dos dedos.

O personagem é tão bem feito e escrito, com um filme de duas horas e meia praticamente inteiro dedicado ao grande vilão, que é difícil encontrar rasuras em suas ações, até que você chacoalha a cabeça e pensa: “Espera. Estou simpatizando com um fascista?”

 

14. Jogos Mortais

Esse não é exatamente um dos filmes que fãs não entenderam. Afinal, é de terror. Mas vamos analisar somente esse. “Jogos Mortais” criou uma franquia altamente lucrativa para a indústria dos filmes desse gênero. A partir de uma mente psicótica, o vilão Jigsaw inventa uma série bizarra de torturas, como castigo contra pessoas que supostamente mereciam, segundo ele. 

Aqui não existe desvirtuamento quando entendemos que justiçamento é errado. Mas, além disso, fãs acabam por banalizar e glamorizar a tortura. O reforço que se tira disso, para uma pessoa desavisada, é que um suposto criminoso não merece o apelo da lei.

 

15. Coringa

Novamente o caso de justiçamento, tão comum em filmes de ação. No consagrado “Coringa”, o vilão ainda está em fase de “nascimento”. Nele, conhecemos os motivos que transformaram um ator decadente em um assassino niilista. Vítima de diversas injustiças durante toda a vida, Arthur Fleck, acaba perdendo completamente a razão. É isso.

Com o filme não debate nada além disso, o vilão vira uma espécie de mocinho. Pois é. Afinal, basta ter alguma empatia para se colocar no lugar do personagem e entender seu sofrimento. Mas será que sair matando geral é uma solução viável contra as injustiças da vida? Pois alguns fãs acreditam que sim.

Fonte(s): Geekness, Folha, Canal Ciências Criminais, Escreva Lola Escreva, Rolling Stone Brasil, Cinematecando, Estilo Gângster, Passei Web, Modo Meu, JUS, Cultura Genial, Teologia Brasileira, Treco Box, Capricho Abril, BBC
Denis Le Senechal Klimiuc
Apaixonado por cinema e turismo, segue sua vida escrevendo sobre paixões e desafetos, uns em formatos cinematográficos, outros apenas viajando na maionese.

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