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Atitude Coletiva

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Sobre vestir a ‘pele do outro’: Exposição transforma corpos em roupa

Segundo a artista, o corpo não define quem somos.

Dario C L Barbosa Publicado: 29/03/2018 15:48 | Atualizado: 22/10/2019 17:43

Muito se fala dos malefícios que o culto ao corpo trás às pessoas, apesar disso, corpos perfeitos, peles bronzeadas e bumbuns sem celulite são “esfregados” na nossa cara a todo instante.

Conseguir se desvencilhar dessa ditadura da beleza certamente trás plenitude à vida de qualquer um, mas como alcançar tal desconstrução de padrões diante de tanta cobrança?

Eu daria qualquer coisa para me sentir confortável na minha própria pele.

A artista estadunidense Sarah Sitkin encontrou em sua arte uma das respostas mais criativas para essa pergunta.

Com sua técnica, frequentemente associada à efeitos especiais vistos no cinema, Sitkin criou uma série de obras impactantes para sua segunda exposição solo, intitulada BODYSUITS, algo como “Segunda Pele” em português.

Os corredores da Superchief Gallery, uma galeria de arte em Los Angeles, recebeu “corpos humanos nus” transformados em vestimentas, convidando seus visitantes a vestirem literalmente a pele do outro, para conhecerem mais sobre aquele e o seu próprio corpo.

As vestes foram produzidas em silicone, sendo que o forro de todas as peças é feito com tecido de alto padrão, como as roupas de luxo.

A parte externa foi moldada em corpos reais, que não foram identificados. Os detalhes, como manchas, cicatrizes, sardas, tatuagens desbotadas e até a marca do elástico da roupa dão ainda mais impacto ao trabalho da artista.

A sensibilidade da artista em reproduzir a pele humana, dos mais diversos tipos e formatos, e disponibilizá-las para que o público as experimente (ou vista) e analise através de uma sala cheia de espelhos, tem feito muita gente refletir.

E não é a toa, afinal esse é o objetivo da exposição.

As obras ficam exibidas aos visitantes como roupas de uma loja de luxo, e esse pequeno detalhe é apenas uma das maneiras que a artista encontrou para passar a mensagem de que a nossa pele nua não é diferente dos artigos que usamos para vesti-la.

Ao propor que o visitante vista as roupas de pele, Sitkin está na realidade o provocando, instigando refletir como funciona o corpo do outro, além disso, compreender o próprio.

Um detalhe que aumenta ainda mais essa percepção é o fato de que, em algumas peças, a artista preocupou-se em escrever no forro algum detalhe sobre a história do dono daquele corpo ou então frases instigantes como “se eles soubessem” e “isso não é importante“.

Essa nova perspectiva adquirida com a ação aumenta a empatia, confrontando a maneira inquisitiva que costumamos ter em relação aos corpos de maneira geral.

Nessa mostra fica evidente a importância de nos conhecermos e nos aceitarmos. Segundo a artista, mesmo com todas suas diferenças, o corpo não define as pessoas.

“A forma como não aceitamos nosso corpo nos leva, durante toda a vida, à várias divisões entre a fantasia e a realidade do que nosso corpo é e do que ele pode ser de fato. Eu não acredito que o corpo define quem somos. Não é realmente a essência de ‘nós’, mas funciona mais como uma roupa do que como a ‘representação’ de uma pessoa”, disse Sitkin em entrevista ao site Good.

Para Bill Dunleavy, co-fundador da Superchief Gallery, as obras da artista ainda podem alcançar regiões mais profundas da nossa existência, nos fazendo questionar sobre nosso amadurecimento, nossa jornada durante a vida e até mesmo sobre a morte.

“Isso lhe dá uma sensação de mortalidade, envelhecimento, mudança e a inevitabilidade do que acontece com nossos corpos. Nós não os escolhemos e eles mudam. Eu acho que a exposição apresenta uma interessante meditação sobre esses assuntos.” conta Dunleavy à publicação.

A empatia, ou seja, a arte de conseguir se colocar no lugar do outro, principal sentimento estimulado pelo “BODYSUITS”, certamente é umas das grandes virtudes capazes de fazer uma grande transformação na sociedade.

Fonte(s): Super Chief Gallery LA - Facebook, Good, Art and Cake LA, Carpe Diem LA
Dario C L Barbosa
Fundador e editor do Almanaque SOS. Paulistano, formado em Comunicação Social, trocou os anos em redes de rádio e televisão pela internet em 2012. Vegetariano, meditante e ecossocialista na luta por consciência e equidade. ( Twitter - Instagram ).

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