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Atitude Coletiva

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Estudantes cariocas se rebelam contra medida autoritária do governo e viram símbolo de resistência

Personalidades, pensadores e centenas de usuários abraçaram a causa dos alunos.

Alunos do Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio de Janeiro (Cefet-RJ) têm resistido fortemente a uma medida autoritária do governo, que nomeou no dia 16 de agosto um ‘diretor-geral temporário’ (leia-se interventor) para a instituição de ensino.

Os protestos tiveram início no dia 19, quando Maurício Aires Vieira, ex-assessor do ministro da educação Abraham Weintraub, e novo diretor-geral, tentou chegar à sala da diretoria, mas foi duramente hostilizado pelos alunos, que se queixam da medida autoritária do governo, mencionando o quanto ela fere a autonomia da Instituição.

Os estudantes fizeram uma barreira humana, impossibilitando a entrada do novo diretor-geral na sala da direção e outras áreas da escola, que acabou deixando o local após 30 minutos de sua chegada.

Outro episódio aconteceu no dia 28, quando Maurício Aires esteve no CEFET-RJ para uma reunião com alunos e profissionais. Novamente, os estudantes se organizaram e protestaram contra sua permanência do cargo de diretor-geral.

Maurício já foi vice-reitor da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), no Rio Grande do Sul; mas desconhece a realidade do ensino técnico carioca.

Pelo Twitter, Elika Takimoto, vereadora e coordenadora do Centro de Ensino compartilhou momentos da reunião fechada com Maurício Aires e os demais coordenadores.

Após isso, o ‘diretor-geral temporário’ saiu da sala da diretoria, onde acontecia a reunião, e seguiu ao auditório para conversar com os alunos que, de maneira organizada, demonstraram que a resistência permanece:

“Pelo Cefet eu digo não. Eu digo não à intervenção”.

A reunião do auditório também foi encerrada sob protesto dos estudantes, que gritavam:

“A verdade é dura: intervenção é coisa de ditadura”.

Estudantes receberam apoio nas redes sociais

Personalidades, pensadores e centenas de usuários abraçaram a causa dos alunos:

Entenda o que está pegando:

As eleições para diretores das instituições de ensino públicas são feitas internamente, com voto direto. O Ministério da Educação não é obrigado por força de lei a atender o resultado, mas nos últimos anos era o que vinha acontecendo.

No caso do  Cefet-RJ, câmpus do Maracanã, o processo eleitoral ocorreu no final de abril. O resultado, porém, está sendo contestado pelo candidato derrotado, que alega fraude na disputa.

O MEC justifica a indicação de Maurício no fato de que o processo eleitoral está sob análise administrativa por apresentar “indícios de irregularidades”; mas com o recente histórico de influenciar nas indicações e nomeações de diretores e reitores das instituições federais de ensino, levou a comunidade educacional a duvidar das intenções do Ministério.

A União Nacional dos Estudantes já denunciou intervenções diretas na escolha de reitores em 2019, e menciona que isso pode estar ligado a uma tentativa do atual Governo buscar maior adesão ao Future-se – polêmico programa que incentiva captação de financiamentos privados nas instituições federais de ensino.

Ao O Globo, Gabriella Bordoni, presidente do Grêmio Estudantil do Cefet, destacou que alunos e professores também têm essa mesma percepção a respeito da indicação de um diretor-geral alheio à realidade local:

Essa intervenção pode pavimentar projetos do governo que não têm relação com o que os estudantes querem, como por exemplo o Future-se. Nosso medo é a pesquisa e a ciência perderem a liberdade que têm“, pontuou.

A indicação também vai ao encontro do que o governo tem apresentado enquanto política para educação pública: Abraham Weintraub se posicionou publicamente a favor do Escola sem Partido e da eliminação do que ele chama de “marxismo cultural”. Isso enquanto se coloca contra Paulo Freire, o patrono da educação brasileira.

Nas redes sociais, uma intervenção realizada em 1991 pelo Governo Collor na Universidade Federal do Ceará também foi lembrada. As semelhanças servem de alerta.

“Nós queremos nos contrapor à política que hoje esse professor vem implementar, não só como interventor, mas como mandatário do Governo Collor”.

 

Daiane Oliveira
Jornalista, feminista e mãe. Discute religião, política, sexo e hábitos sustentáveis. Não discute futebol porque não entende. Quem sabe um dia.

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