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Atitude Coletiva

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Estou em um relacionamento sério com a minha solteirice

Contra a campanha hollywoodiana de achar uma muleta emocional para chamar de môr.

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Flavio Biehl

Não sei quem foi o primeiro mané a criticar o estado civil “solteiro”, mas sei que isso já faz muito tempo. Estamos no século XXI, com sexo a fácil alcance, toneladas de chocolate na dispensa, não morremos por causa de gripe (obrigado vitamina C em comprimidos efervescentes), e ainda não entendo por que diabos ser solteiro soa TÃO ERRADO para essa sociedade esquisita!

Sem querer generalizar, mas começo a achar que rola uma invejona básica, porque:

a) nossa liberdade é formada pela capacidade de termos de dar satisfações apenas para nós mesmos — ou pra mamãe, caso ainda viva com a melhor mulher do mundo;

b) nossa vida sexual é variada, plural e interessante cada vez que nos deitamos com alguém — sempre com camisinha, tá bom?;

c) não gastamos dinheiro com AQUELA data comercial maldita que pratica bullying com almas carentes, chorosas e inseguras — chamada de Dia dos Namorados —, por isso sobra mais dinheiro para pizza e videogames;

d) aprendemos a aproveitar o espaço de uma cama de casal com quatro travesseiros: um que fica entre as pernas, um atrás das costas, outro debaixo do braço e outro debaixo da cabeça enquanto nos contorcemos so-zi-nhos no colchão macio — iguaizinhos à garota possuída d’O Exorcista.

E essas são só algumas das centenas de vantagens de ser solteiro! O que não significa que estamos sempre sozinhos.

Eu, por exemplo, tenho momentos de romance, mas estou tão acostumado com minha própria companhia — e gosto tanto de ouvir música comigo — que em poucos dias ou horas já sano a insuficiência renal de carência para mergulhar a boca num balde de pipoca e colar os olhos no Netflix — o terceiro componente do triângulo poliamoroso entre meu namorado (o travesseiro) e minha esposa (a cama).

Também já fui vítima da campanha hollywoodiana para me sentir mal por não querer compromisso sério, por ser individualista e por não transar todos os dias com a mesma (e entediante) pessoa. Até hoje me dizem: “isso vai mudar quando você encontrar a pessoa certa”. Mas e se eu não quiser a pessoa certa? E se eu for a pessoa certa para mim? tá, no máximo um cachorrinho lindo e adotado para me fazer companhia e me ensinar a ter menos nojo de cocô.

E se em vez de esbarrar em apenas UM amor eu esbarre em VÁRIOS por acreditar que nada dura para sempre e que esse processo é importante para o amadurecimento? Que a maioria dos casamentos acontece por medo da solidão ou estabilização financeira? Por que relacionamentos abertos estão fora da “equação perfeita da felicidade fácil”? Ou por que excluem aquela amizade colorida gostosa que acontece duas vezes por ano como se fosse a primeira vez? Pois é… Existem pessoas e pessoas, baby.

Não sejamos hipócritas para continuarmos olhando aquela entidade solteira aos 46 anos como alguém carente, que não conseguiu formar vínculo nenhum, pois poderemos estar redondamente enganados. Para alguns, a prioridade é achar uma muleta emocional para chamar de “môr”, enquanto para outros o objetivo é ser o melhor na carreira que ama! E aí? Cabe a quem julgar?

O que sei é que estou num relacionamento sério com minha solteirice. Sinto tesão na capacidade de paquerar metade de uma festa e voltar para casa sozinho com os amigos. Sou apaixonado por trabalhar até a hora que quiser porque não vai ter alguém criticando que amo mais o que faço do que a pessoa com que durmo. Tenho queda platônica por não precisar dizer “eu te amo” por obrigação para alguém inseguro, apenas para comprovar o que espera que eu sinta.

Dizem que a pessoa certa não é aquela com quem você quer curtir a noite de sábado, mas aquela com quem você quer ficar na cama o domingo inteiro. Achei o amor da minha vida quando me olhei no espelho pela primeira vez e aceitei todos os meus defeitos e qualidades — e não abro mão de mim por nada que não faça bem genuíno.

Ser solteiro é a melhor coisa do mundo, então aprecie sua companhia e se torne inteiro em vez de querer esbarrar com sua metade numa passadinha casual pelo McDonald’s — a não ser que sua metade seja um hambúrguer, aí tá de boa!

A vida fica menos fedida a frustração desse jeito 😉

Enrique Coimbra
"Sem H" mesmo. Escreveu os livros "Sobre um garoto que beija garotos", "Um Gay Suicida em Shangri-la" e "Os Hereges de Santa Cruz". Também grava vídeos para o canal "enriquesemh" do YouTube, é capista, e criou o site Discípulos de Peter Pan , sobre comportamento e bem-estar!

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