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Atitude Coletiva

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Estamos vivendo uma Epidemia de Narcisismo?

Vivemos em uma sociedade que valoriza imagem e não conquistas.

Poderíamos passar horas explicando o conceito de narcisismo, mas Caetano Veloso resumiu cantando que “narciso acha feio o que não é espelho”.

O verso de Sampa, música de 1978, se refere ao personagem da mitologia grega que se apaixonou pela própria imagem refletida na água e morreu afogado.

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Se a ideia de amar tanto a si mesmo vem desde a antiguidade, ela só passou a ser tratada como patologia em 1914, por Sigmund Freud.

Sua teoria vê o narcisismo como algo importante para formar a autoestima do indivíduo e mantê-la ativa, mas perigoso quando vem em grandes doses.

A psicanálise entende esse excesso de amor próprio como uma fixação em sentimentos vividos na infância. As crianças passam pela ilusão de que o mundo gira ao seu redor. O fascínio por esse papel pode levar a pessoa a buscar permanentemente um modelo inatingível de perfeição.

Hoje, sabemos, não existe ambiente mais propício para ser reconhecido do que a internet. As redes sociais fazem o narcisismo se espalhar como um vírus ávido por likes. Pesquisadores veem essas novas de exposição como um gatilho perigoso para o excesso de confiança.

Jovens são quem mais se deixam levar

A psicóloga Pat MacDonald é autora de um estudo sobre narcisismo no mundo moderno publicado na revista Psychodynamic Practice. Ele destaca que os níveis de auto-obsessão e vaidade são maiores, mas as pessoas não estão felizes.

Pelo contrário: problemas de saúde mental também são mais recorrentes, especialmente entre os jovens.

“A desordem narcisista da personalidade continua sendo um diagnóstico bastante raro, mas as características narcisistas estão certamente em alta. Basta observar o consumismo galopante, a autopromoção nas redes sociais, a busca da fama a qualquer preço”, explicou Pat ao El País.

Em 2009, a Universidade do Texas analisou hábitos de estudantes americanos e concluiu que o narcisismo desta geração aumentou no mesmo ritmo que a obesidade. O estudo, que virou livro, liderado pela psicóloga Jean Twenge, comparou os níveis do problema ao de uma epidemia.

Mas por que é tão preocupante?

O excesso de autoconfiança pode mascarar defeitos e estimular o egoísmo. O psicanalista Jean-Charles Bouchoux, autor do livroLes Pervers Narcissiques (Os Perversos Narcisistas), explica que a sociedade está valorizando imagem e não conquistas. Buscamos mais êxito com menos esforço.

Todo dia, milhões de pessoas expõem a vida na internet e esperam reconhecimento por isso. Seguidores, curtidas, flertes – quem sabe até dinheiro com publicidade. Todos se transformaram em expectadores de ‘realitys’ pessoais e também estrelas do próprio show.

Antes de se preocupar com suas stories, vale lembrar que nem toda selfie é sinônimo de distúrbio. Mas pode ser um “estimulante”, segundo um estudo realizado por Daniel Halpern e Sebastián Valenzuela, da Pontifícia Universidade Católica do Chile, quem tira muita foto de si tende a ficar 5% mais narcisista por ano.

A moderação é a chave do sucesso

Se preocupar demais com a imagem também é cruel para o bolso. O Bank of America Merrill Lynch batizou de vanity capital (capital da vaidade) o dinheiro gasto com cosméticos, cirurgias plásticas e artigos de luxo: o que for preciso para sair bem na foto.

Esses produtos movimentam 3,7 trilhões de dólares (ou 11 trilhões de reais). Consumi-los não é um problema se o desejo é genuíno; mas se vira crucial para ser aceito ou reconhecido, aí temos um grande problema.

Da mesma forma que não tem problema atualizar as redes sociais, desde que não fique dependente disso.

A psicóloga Mariana Gomes Ferreira defende em seu blog o equilíbrio. Uma dieta balanceada de amor próprio.

“Quando bem ajustada, a gangorra do narcisismo faz com que saibamos qual o limite de pensar em nós mesmos (e isso inclui cuidar da própria imagem) e de pensar no outro”, escreveu.

Craig Malkin, psicólogo de Harvard, faz coro no livro Rethinking Narcissism (Repensando o Narcisismo):

“Um pouco de narcisismo na adolescência ajuda a suportar a tempestade e o ímpeto da juventude. Só as pessoas que nunca se sentem especiais ou as que se sentem sempre especiais são uma ameaça para elas mesmos ou o mundo. O desejo de se sentir especial não é um estado mental reservado para imbecis ou sociopatas”

Mas como o excesso hoje em dia é a palavra da vez, pelo sim ou pelo não, sigamos o conselho de Kristin Dombek em “The Selfishness of Others” (o egoísmo dos outros): “o que uma pessoa deve fazer quando conhece um narcisista? Colocar os tênis e sair logo correndo”.

Fonte(s): El País, Mente e Cérebro, Psychodynamic Practice, Quartz, Equilibrando
Felippe Franco
Jornalista e redator, carioca não praticante, protagonista de clipes imaginários.

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