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Por que a Tecnologia precisa das Ciências Humanas, segundo o especialista da IBM

As habilidades são imperativas em um mundo com tecnologia intuitiva.

Cansou daquele amigo chato que fica se achando por fazer engenharia? Não aguenta mais zoarem que você aprende a bater palma para o Sol e a vender miçanga no seu curso? Leia a história a seguir para entender como você, e as ciências humanas, são importantes para o mundo.

“Nós tínhamos um monte de engenheiros, mas nenhum deles conseguia agradar esse cliente”. A fala é de Eric Berridge, consultor da IBM, que relatou em uma palestra no programa Ted Talks o episódio que contribuiu para que uma das maiores empresas de tecnologia do planeta tenha entre seus funcionários (cerca de 1000), “menos do que 100 graduados em ciência da computação e engenharia”.

Segundo ele, há cerca de dez anos atrás a IBM passava por um problema. Os engenheiros da empresa não conseguiam achar uma ferramenta de programação que desenvolveria o pedido do cliente: desenvolver o sistema de nuvem mais moderno possível.

O sucesso valeria à IBM 200 milhões de dólares. A equipe da multinacional reagiu ao fracasso em conseguir resolver o problema e à iminente perda do negócio milionário na reunião do dia seguinte de forma compreensível, indo para o bar.

“Estávamos curtindo com o nosso bartender (o Jeff) e ele estava fazendo o que todo bom bartender faz: entendendo nossa dor enquanto nos fazia sentir melhor. Ele nos dizia coisas como: ‘eles estão exagerando, não se preocupem’, até finalmente sugerir: por que vocês não me colocam na reunião?”

TED - Youtube, https://www.youtube.com/watch?v=F2XPF6rQ6fs “Alguma vez vocês já foram ao bar e saíram de lá com um negócio de 200 milhões de dólares?”

No dia seguinte, pouco antes da reunião com o cliente, a equipe de ressaca concordou com a sugestão/piada de Eric: “Estamos prestes a ser demitidos, por que não mandamos o Jeff?”.

A ideia não era completamente louca, como explicou Berridge “ele era brilhante, e podia discutir a fundo”. Ele não era programador ou engenheiro, mas pelo menos tinha quase se formado em um curso na universidade, o de Filosofia.

“Ele completamente desarmou a fixação deles na ferramenta de programação. Ele mudou a conversa, até mudou o que estávamos construindo. A conversa agora era sobre o que iríamos construir e o porquê disso. Sim, o Jeff descobriu como programar a solução, e o cliente se tornou umas das nossas melhores referências. Nossa experiência com ele nos deixou imaginando: podemos repetir isso em nossos negócios?”

Como conta Eric, cerca de dez anos depois, o episódio mudou a forma como a companhia recruta e treina seus contratados. A IBM que tinha 200 funcionários (metade destes formados em ciência da computação e engenharia) se tornou a empresa que gerou lucro líquido de US$ 1,679 bilhão no primeiro trimestre de 2018,  com mais de 80% de seus empregados não-provenientes destes dois cursos.

Segundo o palestrante, Nós começamos a recrutar artistas, músicos e escritores. A história do Jeff começou a se multiplicar pela nossa empresa”.

O empreendedor explicou que a empresa vai na contramão de uma tendência mundial, de investir em educação baseada em “STEM” (traduzida para português, a sigla diz respeito às áreas da Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), descrita por ele como “um erro colossal”.

Ele explicou, dizendo que o fato de grande parte da tecnologia de hoje em dia ser “incrivelmente intuitiva” e o fato de sistemas modernos serem manipulados sem a necessidade de programação especializada, faz empregados de outras áreas do conhecimento se tornarem mais importante para as empresas.

As habilidades que são imperativas e diferenciadas em um mundo com tecnologia intuitiva, são as habilidades que nos ajudam a trabalhar em conjunto como humanos. Onde o trabalho duro visa o produto final e sua utilidade, o que requere experiência no mundo real, julgamento e contexto histórico.”

Na sua fala, Eric defendeu que enquanto ciências exatas ensinam “como construir coisas”, são as humanas que ensinam “o que construir e por que construir”, considerando-as igualmente importantes e difíceis.

No final da palestra, ele garantiu que cursos “STEM” não são piores nem menos importantes que os que estão inseridos na sigla “STEAM” (o “A” se relaciona à Arte): “Para a próxima ponte que passarmos, ou o elevador que subirmos, vamos garantir que um engenheiro esteja por trás disso”.

O tom do discurso foi o de valorização das ciências humanas, em uma busca pelo equilíbrio maior em empresas e faculdades.

Se tem uma coisa que a força de trabalho do futuro precisa (e acho que todos nós podemos concordar nisso), é diversidade. Essa diversidade não devia se resumir a gênero ou raça. Nós precisamos de diversidade de áreas e de habilidades (…). E o fato da tecnologia estar se tornando mais fácil e acessível libera essa força de trabalho para estudar o que bem entenderem”.

Eric Berridge também é bacharelado em inglês pela Universidade de Berkeley e co-fundador da Bluewolf, uma agência global de consultoria da IBM. Veja abaixo a palestra completa:

Fonte(s): TED - Youtube
Gabriel Croquer
Jornalista em formação. Escrevo, fotografo, sonho e durmo.

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