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Atitude Coletiva

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Ele só quer penetração, o que eu faço?

Especialistas explicam como sair dessa canoa furada.

O SOS não existe apenas para ensinar como tirar pelo de gato do estofado ou fazer 10 litros de sabão gastando apenas 4 reais. Também estamos aqui para dar aquele conselho amigo de vez em quando.

Eis que recebemos uma mensagem de uma leitora que se encontra em maus lençóis (literalmente) com o namorado: o cara só quer penetração. Puts! A moça não sabe mais o que fazer para remediar a situação.

Para que você entenda direitinho, vem ler o causo com a gente:

Eu ficava com um carinha, e saíamos uma vez ou outra, sem compromisso. E, toda vez que transávamos, ele sempre fazia oral em mim, e o sexo era muito bom (ficamos assim, por uns 6 meses mais ou menos). Um belo dia, ele me pediu em namoro e eu aceitei.

O problema é que desde que começamos a namorar (1 ano e meio), eu nunca mais soube o que é ter um orgasmo com ele, muito menos sexo oral. Ele me excita apenas com o dedo, mas coisa de 5 segundos e vai logo para a penetração – o que é chato, pois muitas vezes eu não estou muito lubrificada e o sexo se torna desconfortável para mim.

Fico chateada, pois só ele goza, se levanta, toma banho e dorme. E eu fico lá, com cara de paisagem.

Por conta do trabalho, não transamos frequentemente – mas isso não é desculpa, pois quando ficávamos sem compromisso não nos víamos sempre, e o sexo era ótimo!

Ele alega que a transa é um pouco rápida por causa da Glândula de Tyson. Já pesquisei sobre o assunto e, pelo que eu vi, dá para ter um vida sexual normal. Já namorei e fiquei com outros rapazes antes dele, e sempre recebi oral e tinha vontade de fazer sexo porque era gostoso.

Gostaria de uma ajuda, estou cansada de transar e depois ter que terminar com a ajuda dos meus dedinhos, risos. Já empurrei a mão dele para o meu clitóris, mas mesmo assim ele ficou só 5 segundos. Já me masturbei na frente dele para ver se ele se tocava e nada. Estou sempre me cuidando, ginecologista ok.

Não encontrei ainda uma maneira de conversar com ele sem parecer chata. Acho essa situação super desconfortável, pois ele é um rapaz que já namorou por 4 anos, inclusive morou com a ex um tempo.

Poxa, se fosse um rapaz inexperiente, tudo bem. Mas eu ter que ficar pedindo oral para um cara de 36 anos, que não é de hoje que transa, eu acho um absurdo. Além do que, ele fazia oral quando ficávamos e já expliquei para ele que não são todas as mulheres que têm orgasmos com penetração (eu tenho 34 anos).

Já tentei conversar, mas me fogem as palavras. Gostaria, se possível, de ter um ajuda de como agir, pois gosto dele. Inclusive, ele pretende casar comigo, já estamos vendo apartamento. Mas como posso me casar com uma pessoa que não me satisfaz na cama? Não que o sexo seja 100% importante em uma relação, mas eu só queria ter orgasmos como sempre tive com os outros namorados e até mesmo com ele.”

Me Ajude

Para começar: o que é Glândula de Tyson e o que isso tem a ver com o prazer feminino?

“Todo homem tem as chamadas Glândulas de Tyson que são pequenas estruturas no pênis que ficam entre a glande e o prepúcio e se parecem com espinhas esbranquiçadas”, ensina a psicóloga e sócia-diretora do Instituto do Casal, Marina Simas.

São essas glândulas que excretam substâncias importantes para a proteção e lubrificação do órgão sexual masculino. Durante a relação é normal que elas (e todo o resto) pareçam maiores.

O problema é que, às vezes, elas podem ser maiores do que convencionalmente são. E aí o dono do instrumento pode sentir vergonha – é por isso que entende-se que a atividade sexual poderia ser prejudicada pelas Glândulas de Tyson. Mas isso não tem relação com ejaculação mais rápida, nem com dar ou não prazer à parceira.

Não estamos dizendo que era só desculpinha. Mas também não estamos dizendo que não era.

“Caso incomode muito, uma consulta com um urologista pode ser indicada ou até mesmo uma conversa com um sexólogo para libertar os grilos e conectar para valer com o desejo e prazer”, sugere a psicóloga.

Claro, também é possível fazer cauterização ou microcirurgia, mas essas glândulas estão em todos os homens – visíveis ou não. Não é motivo para esquentar a cabeça, literalmente.

É necessário levar em conta o ritmo do casal

“Os mais animados, com libido mais alta, tendem a dar mais importância ao sexo no relacionamento, enquanto os mais tranquilos acabam dando menos.

Discrepância entra a importância do sexo, a frequência que cada um precisa e a maneira com que ocorre é bem comum e os casais acabam tendo que chegar a acordos. Afinal, nenhum relacionamento é perfeito”, explica a psicóloga e especialista em sexualidade humana Mariana Farias.

Porém, pelo relato, a leitora e o namorado estão no mesmo ritmo. Então o que está pegando? Bom, o problema é que o namorado está centrado unicamente no prazer dele.

“Ela tentou informá-lo, mas no fim das contas acaba cedendo a esta forma de relação sexual em que é ele define o ritmo e quanto tempo se gasta com cada prática. Indicar o que se quer, mas topar o que não se quer pode enviar uma mensagem dúbia”, analisa Mariana Farias.

Amiga, tá na hora de ser mais firme!

É normal termos medo de decepcionar o outro ou gerar conflito, mas, segundo as especialistas, você tem que ser mais consistente em relação ao que deseja.

“Não ir na onda de algo que gera mal estar ou frustração é algo muito importante, não só para a vida sexual, mas para a vida em geral. Falar é importante, mas às vezes para se fazer ouvir também são necessárias ações”, ensina a especialista em sexualidade humana.

Sim, é isso o que eu quero.

Marina Simas trabalha com seus pacientes, muitas vezes, usando jogos e outras formas que estimulem esse papo (que, vamos combinar, não é a conversa mais fácil do mundo).

“Nesse caso, o diálogo é fundamental. O conselho que dou é que ela tente outras formas de diálogo para tentar fazer o rapaz entender a situação que se encontra o relacionamento”, sugere.

Portanto, foco na comunicação!

Para a psicóloga, falar sobre sexo com o parceiro é como dançar: para se dançar bem com o parceiro, é preciso treino. Só é possível acertar o ritmo, os passos, tudo… treinando!

O intuito aqui é “ampliar o repertório das conversar sobre sexo. Ou seja, falar de fantasias, intimidade e formas de prazer”. Ele fazia você gozar antes, certo? Então você sabe que ele consegue te dar esse prazer. Que tal tentar entrar no assunto de uma forma mais ‘safada’ e tranquila, e aí expôr que é isso que você quer?

Afinal de contas, se o sexo não for prazeroso para ambos, não adianta. Preliminares são MUITO importantes para grande parte das mulheres. Existem posições que favorecem mais ou menos o clitóris, mas normalmente o orgasmo feminino é alcançado com o uso das mãos ou vibradores.

“Isso porque o ‘ponto do tesão’ para a maioria das mulheres é o clitóris e a penetração não é por si só uma boa forma de estimulá-lo.

Mas quando uma mulher é penetrada antes de estar pronta (lubrificada) ou quando parte pra penetração se sentindo frustrada, o sexo provavelmente não será tão gratificante”, explica Mariana Farias.

Marina Simas reforça a importância das preliminares para a mulher:

“Um sexo com qualidade começa com as preliminares: beijo, toque, sexo oral, favorecendo a excitação sexual. Quanto ao tempo que deve durar as preliminares, não existe regra, o casal precisa entender o que cada um gosta e o que mais excita a cada um”.

Tá claro, né? Quanto mais prazer existir nas preliminares, mais fáceis os orgasmos depois. Por isso, Marina deixa um alerta:

“Se para o parceiro a penetração é algo essencial e muito excitante, precisa guardar energia e achar formas de associar penetração e masturbação. O sexo deve ser prazeroso para ambos!”

“Parabéns por gozar sozinho, querido…”

Cara leitora, leve sempre em conta que, se não está bom pra você, não tem por que você ficar ali. Será que vale a pena manter um relacionamento se mesmo depois de todo esse papo ele ainda continuar preocupado exclusivamente com o próprio prazer?

Para te ajudar nessa decisão, a psicóloga Mariana Farinas preparou um pequeno questionário:

  • Quão boa é a comunicação nos outros aspectos da relação?

  • Quanto eu consigo me fazer ouvir na vida em geral?

  • Existem outros aspectos da relação em que o outro também se volta para si e não se atenta às minhas necessidades?

  • Quando tento conversar sobre algo que me incomoda, ele tende a justificar o próprio comportamento ou inclui na conversa a maneira como as ações dele estão me afetando?

  • Se não está bom pra mim, por que eu estou topando o ritmo dele?

Reflita sobre essas perguntas e pense bem sobre o assunto antes de responder com um sim àquela outra perguntinha sobre casar ou não. Ninguém merece um parceiro que não te satisfaz. E o cara nem faz isso porque não manja – ele não faz porque não quer.

Amiga, sexo não é 100% numa relação, como você mesmo disse, mas também não é para ser 0%, viu? Estamos com você!

Bia Lancha
Jornalista, nerd, chocólatra, mãe de uma gata banguela e gamer viciadíssima. Se é pra falar sobre coisas engraçadas, teorias absurdas ou nerdices, tamo junto!

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