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Educação com Memes: poderosa ferramenta ou desastre anunciado?

O que estudos e docentes pensam sobre a nova ferramenta de comunicação.

Quem já esteve em uma sala de aula sabe que aprender de forma divertida, com músicas e brincadeiras, é mais prazeroso e efetivo do que na forma tradicional.

Com seus jeitos brincalhões e carismáticos, professores criam métodos de trabalho que facilita a explicação e o aprendizado, conseguindo transformar até o mais chato dos conteúdos em algo fácil de entrar na cabeça.

Há alguns anos, o crescente aumento do uso de tecnologias e redes sociais acabou transformando a forma como todos que estão inseridos ali, na internet, se comunicam, não só na esfera pessoal, como também em outras áreas da vida. E a educação não ficou fora dessas transformações. Tanto a forma de aprender, como a de ensinar.

Professor usando memes em sala aula.

É o que explica Tatiana Amorim, Mestra em Comunicação pela ESPM e professora do curso de Jornalismo da UNIP-DF:

“Precisamos nos aproximar da linguagem deles [alunos] e faço isso, na maioria das vezes, com memes e vídeos. O importante é fazer o aluno se concentrar na aula, o que é extremamente complicado, pois são muitas as distrações. Se eles estão vendo memes em suas mídias sociais durante a aula, porque não mesclar isso ao conteúdo?”

Conhecemos memes, mas sabemos o que eles são?

Meme é um termo grego que significa imitação. Portanto, qualquer imagem, vídeo, frase ou som que rapidamente é replicado na internet pode ser considerado um meme. Geralmente são conteúdos que carregam humor, porém, com assuntos mais políticos, se tornaram uma poderosa e complexa ferramenta de comunicação.

Alguns utilizam ironia, sarcasmo e outras formas de linguagem para transmitir algum pensamento sócio-político sobre o que acontece, aproximando assuntos mais sérios para o cotidiano popular.

Existe meme para tudo. Por isso é preciso tomar cuidado quando espalham ódio em forma de humor, e conteúdos falsos, principalmente sobre assuntos importantes para a sociedade. Ao esvaziar seu significado, esse tipo de meme pode fazer o serviço oposto: ao invés de educar, gera ainda mais confusão – como explicado nesse artigo do SOS.

À esquerda, Fernando Haddad segura uma garrafa de catuaba (foto original); à direita, o meme desvirtuado, o ex-ministro é visto com um pênis de borracha na mão (foto falsa).

E na educação, meme funciona?

Antes dos memes, o humor já era encontrado como forma de educar. As charges, comuns em livros de português e história, em sua maioria trazem alguma reflexão sobre o conteúdo apresentado.

Porém, diferentemente delas, os memes tem uma característica única: qualquer pessoa pode produzir. Sem querer ou de forma intencional. É um elemento muito democrático.

Seminário com memes, por que não?

Ainda que não seja uma forma oficial de linguagem, os memes passaram a fazer parte da vida da maioria das pessoas, principalmente de adolescentes. Não é raro, em rodas de conversas, seja sobre assuntos sérios ou não, alguma frase que viralizou nas redes sociais sair da boca dos jovens, assim como nos chats.

Para a professora Tatiana Amorim, é necessário entender esse novo contexto que os alunos estão inseridos e tentar se adaptar.

“Por que não podemos ter uma relação mais próxima com esses alunos? Por que não mostrar para eles que fazemos parte do mesmo mundo? Às vezes falamos de autores do século passado, com suas visões de mundo que, muitas vezes, não interessam ao alunos. Mas podemos linkar essas questões à atualidade, e faço isso, geralmente, usando os memes”.

Ela cita que, quando deu aulas de História da Arte, “usava muitos memes da página Artes da Depressão, pois são conteúdos engraçados e inteligentes”.

Lugh Custodia, professor de ensino fundamental, frisa essa importância de se aproximar do mundo dos alunos.

“É importante você associar a matéria com a realidade que essas crianças vivem. Tudo que você puder associar com a realidade que esse aluno vive, fica muito mais fácil”.

No entanto, a pedagoga Poliana Oliveira, professora de educação infantil, ressalta que a boa utilização dos memes varia de acordo com a idade dos alunos.

“A minha área é o Jardim 2, então eu não utilizo, pois meus alunos não tem maturidade para o entendimento correto dos memes. Mas acho que nas séries finais do ensino fundamental e médio, podem ser interessante, pois é uma linguagem bastante utilizada pelos adolescentes na internet”.

Pesquisa corroborou: memes e educação combinam!

O estudo “Memes de Internet e Educação: Uma sequência didática para as aulas de história e língua portuguesa“, da professora e mestranda em Educação e Formação Humana pela Universidade do Estados de Minas Gerais, Maria Alice de Souza, demonstra como essa aproximação do contexto social em que os alunos estão inseridos aconteceu durante as aulas de História e Língua Portuguesa em uma escola de ensino médio de Belo Horizonte.

Segundo ela, o objetivo final da didática desenvolvida para aulas das duas matérias era mostrar que os memes não são apenas um gênero voltado para o humor, como também  “portam teor crítico, possuindo um grande potencial didático”.

O resultado foi satisfatório pois, além de demonstrar o meme como um artefato da cultura digital, trouxe ainda uma reflexão sobre a necessidade de se adaptar e contribuir com as necessidades de novas gerações, trazendo gêneros novos para dentro de sala de aula, e mostrar para os alunos que existem várias ferramentas de comunicação, e que eles mesmos podem se apropriar dessas novas linguagens para a melhoria do ensino.

Meme e educação: casos de sucesso!

Outras páginas que utilizam do humor e da boa sacanagem para descomplicar o que é complicado vêm atingindo números expressivos.

Um desses casos é o História no Paint, que já possui nome autoexplicativo, produz memes com montagens feitas com a linguagem simples, para explicar fatos históricos de forma atual e humorada. A página já possui mais de 700 mil seguidores no Facebook, e 140 mil no Instagram.

Ainda nessa linha histórica, como há falamos neste artigo o canal Crônicas do Mundo, que conta com pouco mais de 150 mil inscritos no Youtube, trás para o público histórias animadas, com uma linguagem descontraída, algumas no estilo emoticon, que abordam assuntos que vão desde história e política até ciência.

Fonte(s): URFJ, Almanaque SOS, Almanaque SOS, E-Publicações, BBC
Junio Silva
Jornalista, cronista, e ex-futura promessa do futebol.

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