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Vai, planeta!

‘Ecossocialismo ou extinção’: o alerta dado por ecologistas do mundo inteiro

Entenda porque o ambientalismo estaria fadado ao fracasso.

A cada minuto nossa dívida com o meio ambiente aumenta. Por ano, gastamos muito mais recursos do que nos é permitido pela natureza, e uma hora, quando as coisas começarem a se tornar cada vez mais escassas, a conta pode ser maior do que imaginávamos ser capazes de pagar.

Dados recentes da Global Footprint Network mostram que no primeiro semestre de 2019, o planeta já chegou no cheque especial com os recursos naturais, e passa agora a trabalhar no vermelho, usando mais do que o próprio meio ambiente consegue se auto-renovar.

Segundo relatórios recentes da Organização das Nações Unidas (ONU), o consumismo e a ação humana no meio ambiente pode gerar um grande número de extinção de animais e plantas no planeta terra.

Hoje, como a maior parte do mundo segue o sistema capitalista, a preocupação indiscriminada com o lucro abre brechas para o descuido com os bens naturais. Daí vem a dúvida: o dinheiro é capaz de influenciar positivamente, ou só prejudica os rumos da ecologia, da relação entre homem e meio ambiente?

Na contramão desse cenário, apesar da demonização e as críticas ao socialismo, uma vertente desse sistema levanta discussões e vêm ganhando espaço entre ecologistas ao redor do planeta. O que vai muito além de cores de bandeiras e partidos; uma questão de sobrevivência.

Ecossocialismo: “Não mude o clima. Mude o sistema”

Enquanto o socialismo trabalha pautas voltadas exclusivamente para luta de classes, o ecossocialismo é uma vertente que busca, além da igualdade social, incluir o meio ambiente nos debates sobre o futuro do mundo.

A crítica aos efeitos do capitalismo para o meio ambiente está presente, como no artigo de Michael Löwy, pensador brasileiro integrante do primeiro Manifesto Ecossocialista Internacional, publicado no Caderno CHR, da Universidade Federal da Bahia. Nele, cita que a crise pela qual o meio ambiente vem passando é reflexo de como o capitalismo age, transformando tudo – trabalhadores, animais, plantas e bens naturais – em mercadoria, visando apenas o lucro.

O movimento, criado há mais de 40 anos, além de buscar consertar erros cometidos com o meio ambiente, atua sobre questões ambientais com uma ótica equilibrada entre todos os envolvidos no sistema – animais, humanos, plantas, recursos naturais e o planeta. De acordo com a linha teórica, debater de forma conjunta as crises ecológicas e sociais, seria a única forma de evitar uma deterioração maior do planeta, como vêm acontecendo atualmente.

Ecossocialismo não é Ambientalismo

Outro fato importante é saber distinguir ambientalismo e ecossocialismo. Enquanto a segunda vertente busca traçar metas de preservação à natureza e a manutenção da vida sem sistema de classes e com iguais oportunidades, o ambientalismo age de maneira mais pragmática, inserido no sistema capitalista.

Ou seja, o sistema ecossocialista seria revolucionário, pois pretende mudar toda a estrutura social e ecológica, já o sistema ambientalista teria uma característica mais reformista, se encaixando onde tiver espaço – isso se tiver algum.

O consumo sustentável, por exemplo, faz parte da lógica ambientalista. Pois, apesar de alguma redução dos impactos ambientais, outros bens são criados para suprir a necessidade de lucro; um bom exemplo são os canudinhos de plástico, que foram rapidamente trocados na indústria pelos de metal. Desaparece um problema, aparecem outros, pois a lógica de consumo continua a mesma.

Canudinho de metal é fruto de políticas com viés ambientalista.

Além disso, vale lembrar que na lógica ambientalista, as relações de trabalho e exploração dos trabalhadores continuam presentes.

O comércio ambientalista

Um dos exemplos onde o poder financeiro e a busca por lucro está diretamente ligado à natureza são os chamados créditos de carbono. Ainda segundo dados da Global Footprint Network, a emissão de carbono na atmosfera é responsável por cerca de 60% do uso de recursos naturais disponíveis no planeta Terra.

Em 1997, no Protocolo de Quioto, países se reuniram para traçar metas de redução de CO2 na atmosfera pois, naquela época, um assunto que estava nas principais pautas eram as mudanças climáticas no planeta e o efeito estufa. O acordo definiu medidas que reduzissem a emissão desses gases, onde cada país deveria cumprir metas individuais, baseadas em seu grau de desenvolvimento.

Sendo assim, países desenvolvidos teriam taxas maiores a cumprir, visto que produziam mais substâncias nocivas do que países subdesenvolvidos. Nesse tratado surgiram os chamados créditos de carbono, possibilitando que a redução de gases prejudiciais ao planeta fossem comercializados. É isso mesmo. Comercializados.

O tratado, então, foi substituído pelo Acordo de Paris (2015). Nele, foi entendido que países em desenvolvimento, com metas menores, tem maior facilidade em bater a porcentagem determinada pelo acordo internacional, e por isso ganham créditos de carbono.

Esses créditos funcionam como uma moeda, onde as nações que não conseguem bater suas metas (geralmente as super-potências mundiais), possam comprar dos países que estão com as “contas em dia”, mesmo que não tenham realizados projetos que diminuíssem a emissão dos gases em seu próprio território. Essa é a lógica ambientalista em sua melhor forma.

Existência ou extinção

Uma das maiores críticas do movimento ecossocialista é ao produtivismo, não só ao utilizado por sistemas capitalistas. Um dos objetivos do ecossocialismo é trazer uma reflexão profunda sobre a forma como produzimos, gastando recursos naturais e gerando impacto ao meio ambiente, de maneira consciente. Assim, evitaríamos escassez de produtos, sem prejudicar a natureza.

Segundo ecossocialistas, para a manutenção do planeta é necessário pensar em novas formas de produção (como, por quê, como, o quê e quem produz), em uma vida mais saudável, nos impactos diretos que geramos ao planeta, em uma reorganização do trabalho, dentre outros pontos.

O planeta já pede socorro, as visões do movimento são uma alternativa para a crise que vivemos; sem dominar a natureza e sem ser dominado, é possível viver de forma integrada. Afinal, também somos natureza – a gente só se esqueceu disso.

Fonte(s): Tese Onze - Youtube, AJ+'s NewsBroke - Facebook, Ecycle, Almanaque SOS, G1, G1 (2), Redalyc, Brasil Escola, Research Gate, Ecodebate, Brasil Escola, Global Footprint Network, Global Footprint Network (2), ONU, Julia Teles - Youtube, Instituto Pindorama - Youtube
Junio Silva
Jornalista, cronista, e ex-futura promessa do futebol.

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