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Atitude Coletiva

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É melhor pensar duas vezes antes de dar o teu CPF na Farmácia

Você pode até ter desconto, mas o preço no futuro será bem alto.

Não é de hoje que a gente vem fazendo vários alertas sobre a coleta de dados pessoais na internet e suas consequências negativas. Você até pode dar uma olhadinha nesse artigo para entender melhor.

Porém, ainda não havíamos falado que esse perigo também ronda o mundo offline, ou seja, mesmo fora da internet tem gente descobrindo e provavelmente vendendo informações sobre sua vida. E o problema não para por aí.

Como que é?

Provavelmente em algumas de suas idas à farmácia, o atendente já te pediu o número do seu CPF com a justificativa de lhe dar um descontão, certo? Bom, infelizmente esse dinheirinho economizado acabou saindo bem caro para a sua privacidade.

O jornalista Brunno Marchetti publicou um artigo na Vice onde questiona para que de fato, é usado o nosso número do CPF nessas ocasiões, mesmo porque, como revelou Rafael Zanatta, advogado especialista em direitos digitais do Instituto de Defesa do Consumidor, esse tal desconto não deve estar associado ao número do documento e sim à um produto.

Ou seja, essa história de descontinho é pura balela.

Qual seu CPF, por favor?

Um dos motivos para sempre solicitarem nosso CPF em farmácias ou outros estabelecimentos é um sistema de cota de registro utilizado por estes estabelecimentos. Em uma farmácia da Vila Madalena, em São Paulo, por exemplo, cada atendente é obrigado a incluir 100 novos cadastros no sistema por mês.

Mas que sistema é esse? Para que ele é usado? Por quem? Sexta-feira no Glob… não, pera. Essas respostas ainda são difíceis de responder, porém, de acordo com especialistas entrevistados pela publicação, essa prática obscura é extremamente perigosa.

Para Lucas Teixeira, membro da direção de tecnologia da Coding Rights, projeto especializado em direitos humanos do mundo digital, o fato de não sabermos qual o verdadeiro uso dos nossos dados, em especial pelas farmácias, é uma situação extremamente crítica, já que problema de saúde é algo privado e sensível; e pelo nosso CPF consegue-se ter acesso a essas informações.

Uma vez que você coleta o CPF da pessoa, você consegue não apenas associar o histórico de compras das pessoas, mas também comprar dados diversos sobre outros fatos da vida delas.” – revela o especialista à publicação.

Eu sei quem você é, e o que você tem

Apesar de haver normativas, como está aqui da Anvisa, que proíbem o uso desses dados para fins de publicidade, anúncios, etc., prezando pela privacidade do cliente, para Zanatta isso ainda não é o suficiente para nos garantir que as informações conseguidas através de nosso CPF não sejam usadas para tais fins.

Para o advogado, além de não existir fiscalização, esse assunto não é muito discutido pela sociedade, o que colabora para o abuso.

Mas por incrível que pareça, usar nossas informações para “aumentar as vendas” da indústria farmacêutica não é a pior faceta dessa prática polêmica.

Isso é muito Black Mirror

O principal problema encontrado pelo uso de nossos dados de forma ilegal pelas farmácias é o que chamam de “Score de Crédito e do Profiling“, a ação de discriminar uma pessoa com base em informações pessoais ou sigilosas.

De acordo com o professor de comunicação da ECA-USP, Luli Radfahrer, o uso de informações sobre a saúde para a criação de um perfil dos consumidores é algo extremamente grave e pode impactar de forma muito negativa a vida das pessoas.

“Uma pessoa pode não ser contratada pelos dados de saúde dela, mesmo que esses dados sejam coisas efêmeras ou que não as afetem de fato”, revelou o professor à Vice.

Em uma visão distópica sobre o assunto, podemos concluir que se empresas comprarem esses dados coletados pelas farmácias, elas poderão saber que você compra quase toda semana um “kit ressaca” e concluir que provavelmente você tem problemas com álcool e não te contratar, por exemplo.

Ou então pode acontecer se pessoas portadoras de HIV ou depressão, doenças ainda discriminadas pela sociedade, serem prejudicadas seriamente se essas informações caírem em mãos erradas.

A Vice procurou as redes de farmácia, como a DrogaRaia, Drogasil, Drogaria São Paulo, etc., para descobrir qual a real finalidade e como é o tratamento das informações privadas que eles tem acesso através de nosso CPF, porém nenhuma delas respondeu à publicação.

Só nos resta ficar com o alerta de que, além de cuidar da nossa privacidade online, o mundo offline também tem suas armadilhas. Temos que ficar ligados à elas. A decisão é sua, pagar mais barato pode ter um custo alto no futuro.

Fonte(s): Vice
Redação - Almanaque SOS
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