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Vai, planeta!

Diminuir o churrasco no Brasil pode salvar o planeta; é sério!

Relatório lançado na ONU propõe reduzir o consumo de carne vermelha para 40%.

O churrasco faz parte da culinária brasileira, principalmente, no final de semana ou em datas comemorativas. Muita gente adora assar uma picanha, fraldinha e maminha na brasa. Mas, o que poucas pessoas sabem é que esse churrasquinho clássico da família brasileira faz mal para o meio ambiente. Muito mal mesmo.

Isso porque, a carne desde a criação do gado até a mesa do brasileiro, é uma das principais responsáveis pela emissão de gases que causam o aquecimento global, desmatamento das florestas e até a seca.

Segundo o Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima, no Rio de Janeiro. A agropecuária é responsável por 69% das emissões de gases de efeito estufa do Brasil. Nessa conta, estão incluídos os poluentes decorrentes do processo digestivo e dejetos de rebanhos, o uso de fertilizantes e o desmatamento (43% das emissões nacionais).

Dourar uma “carninha” no final de semana é tudo de bom, mas entender como este hábito brasileiro é responsável por causar danos ao planeta inteiro, impactando diretamente na sua vida, é urgente!

O Brasil é um dos maiores consumidores de carne do mundo, disputando com Austrália, Estados Unidos e Rússia. Isso porque, em média, cada brasileiro consome cerca de 330 gramas desse alimento por dia – são cerca de 90 kg por ano, provavelmente por conta do churrasco de fim de semana.

De acordo com a nutricionista Manuela Ribeiroa gente consome mais do que deveria ou do que precisa”. Isso porque a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda um consumo de 300g por semana.

Como a produção de carne impacta o meio ambiente

De forma resumida, vamos apontar em tópico os principais dados que você precisa saber sobre isso:

Água: Para produzir 1 kg de carne são utilizados, em média, 17 mil litros de água. Se o brasileiro consome 330g carne por dia, em uma semana terá comido 2.310 kg de carne. O que soma em 39.100 litros de água por semana, por pessoa – isso só de carne bovina.

Produtividade: Além disso, de acordo com levantamento do Ambiental Brasil, cerca 83% das áreas cultiváveis no país são usadas apenas para criação de animais. Vamos fazer uma comparação: Em um hectare pode ser plantado 22.500 kg de batatas ou outra hortaliça, sendo que no mesmo espaço são produzidos 185 kg de carne.

CO2: Para produzir 1 kg de carne no Brasil, são emitidos 335 kg de CO2 no ar, o equivalente às emissões geradas ao dirigir um carro médio por 1.600 km. Sem contar o gás metano, liberado pelos animais, um dos principais responsáveis pelo efeito estufa.

Desmatamento: Outro dado importante é que cerca de 70% da terra desmatada da Amazônia é utilizada como pasto, e uma grande parte do restante é coberta por plantações cultivadas para produção de ração. Segundo o pesquisador, Joseph Poore, da Universidade de Oxford, “a agricultura é um setor que abrange todos os problemas ambientais”.

Quanto o brasileiro precisa comer de carne vermelha para salvar o planeta?

A estimativa da ONG World Resources Institute (WRI) é que em 2050 o mundo deverá ter em torno de 10 bilhões de pessoas. Para que seja possível alimentar a todos sem destruir o planeta, traçaram algumas orientações.

Para os brasileiros, assim como estadunidenses e russos, há uma proposta de mudança drástica de hábitos alimentares: reduzir o consumo de carne vermelha para cerca de 1/3, exatamente 40% em relação ao ano de 2010.

Na prática, ao invés de ingestão de 140 calorias desse alimento por dia, o que é consumido hoje, o brasileiro deveria consumir 52 calorias. Veja a tabela de calorias da carne aqui.

O relatório do WRI, chamado Criando um Futuro Alimentar Sustentável, foi lançado na Conferência do Clima da ONU (COP-24) em Katowice, na Polônia.

Com isso, espera-se evitar uma crise alimentar e uma catástrofe climática. A redução proposta é menor que a indicada em outros estudos. No entanto, para os autores, é um limite realista. Ao mesmo tempo, para conter o aquecimento global a agricultura industrial precisará diminuir em 2/3.

Para os que afirmam que a ingestão de carne é a forma de conseguir as proteínas necessárias ao corpo, cientistas desmentiram esse argumento. Segundo estudos, carnes e laticínios geram apenas 37% de toda a proteína que precisamos. Falamos tudo sobre isso aqui.

Para que no futuro seja possível alimentar todas as pessoas, o relatório afirma que será necessário aumentar a produtividade por hectare, diminuir o consumo de carne e acabar com o desperdício de alimentos, que atinge 1/3 da produção.

Precisamos mudar a forma como produzimos e consumimos alimentos, não somente por questões ambientais, mas porque isso é uma questão existencial para o ser humano, destacou Janet Ranganathan, vice-presidente do WRI.

Mas para quem pensa que em 2050 não vai estar aqui e pretende adiar a mudança de hábitos. O secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl alerta que o aquecimento global é responsável por ondas de calor cada vez mais fortes, como uma sensação térmica de 50ºC no verão. Além de diversos outros desastres ambientais que já estão acontecendo.

Cada bife que a gente come é responsável por impacto ambiental. Não comemos camarão e lagosta todo o dia, por que temos a necessidade de comer uma quantidade diária de carne bovina?, questionou a coordenadora de Clima e Agropecuária do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), Marina Piatto.

Afinal, o que é mais importante salvar o planeta ou churrasco de domingo?

Fonte(s): Sociedade Vegetariana Brasileira, Portal Uol, Green Me, Ecycle, Revista Galileu, Portal Terra, O Globo, Hypeness, DW, Exame, Gazeta do Povo
Aline Vilela
Jornalista, se acha blogueira de Instragram. Gosta de tirar selfies e fotos do look do dia. Não come queijo, só se for na pizza (como é que é?). Arroz é por baixo e feijão por cima. Ama ler e passou a adolescência entretida com romances água com açúcar.

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