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Sem Crise!

Desempregado e com o nome sujo, o que fazer? Especialistas explicam

6 passos básicos para sair dessa o quanto antes.

Se você faz parte dos 12,2 milhões de brasileiros desempregados, as coisas provavelmente estão difíceis. E ficam piores ainda se fizeres parte dos 62,6 milhões de brasileiros que, reza a lenda pesquisa do SPC Brasil, estão com o nome sujo — tornando-se o famigerado inadimplente.

E, sejamos realistas, se você ainda não está atrasado com as contas, sem emprego, uma hora sua família vai acabar entrando para estatística das 1,5 milhões de famílias que, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens (CNC), não têm condições de pagar as dívidas por tempo indeterminado.

Mas calma, podemos até não ser o Ciro Gomes, mas, mesmo que estejas desempregado, vamos te ajudar a tirar o nome do SPC.

Antes de começarmos a enumerar as dicas, vale lembrar que a sua condição não é única, você não é um idiota porque se afundou em dívidas ou se, por problemas da vida, ficou sem conseguir pagar mesmo aquelas mais simples.

Antes de tudo, calma.

  • Primeiro que, ainda segundo as fontes citadas no início do texto, 11,5% da população está desempregada,
  • segundo que pelo menos 59,8% das famílias brasileiras estão endividadas,
  • e terceiro que quase ninguém é bom com finanças neste país, tanto é que, segundo um levantamento do SPC Brasil com Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), somente 9% dos brasileiros afirmaram ter como pagar as despesas de começo de ano, como IPTU, IPVA, material escolar e etc.

E por que isso acontece?

Porque o brasileiro não tem a cultura de se planejar financeiramente. Esta é a conclusão a qual chegaram todos os especialistas que consultamos.

A economista do CNC, Marianne Hanson, ressaltou que as pessoas tomam decisões tão mal pensadas que ao fim do ano quitam todas as dívidas com o 13º, mas já iniciam novas com gastos de presentes no Natal e viagens + festas no Réveillon, iniciando o ano seguinte com dívidas que se prolongam até Junho — e no caminho já se adquire outras —, ao invés de poupar para justamente começar o ano sem sofrer por conta dos gastos sazonais já citados.

E os servidores da Escola de Educação Previdenciária Rioprevidência (até final de 2018 se chamava Escola de Educação Financeira), o economista e gestor da instituição, Herbert Alencar, e o professor de matemática financeira, Willian Pereira. Ambos ressaltam que mesmo quando alguém pretende começar a poupar, as tentações do crédito fácil, frutos da nossa sociedade atual, se sobrepõem no nosso dia-a-dia.

“Há uma instituição financeira em cada esquina, hoje em dia”, aponta Herbert Alencar.

Então, sua condição é parte de uma cultura de gastos, ou, como diria Herbert, “cultura do imediatismo”. Em outras palavras, gasta-se apenas pensando no hoje, sem planejamento para o amanhã — até porque é algo realmente difícil de se fazer quando, segundo o IBGE, metade dos trabalhadores brasileiros ganham menos que um salário mínimo, o que serve só para sobreviver.

E para poder mudar essa realidade, é necessário que você primeiro limpe seu nome, mesmo desempregado. Então, vamos aos conselhos.

 

1. Não é sozinho que você vai se reerguer

Procure ajuda. Não tem jeito, sem dinheiro, sem emprego e com muitas dívidas + o nome sujo, a única forma de conseguir se reerguer é procurando ajuda de especialistas. Existem instituições financeiras que oferecem consultas gratuitas para te ajudar a reorganizar suas contas.

Uma delas, já citada no texto, é a carioca Escola de Educação Previdenciária, cuja sede é no Centro do Rio de Janeiro, na rua Buenos Aires, nº 29. Lá, além você conta com cursos, workshops e consultas com coaches, tudo sem custos.

Segundo Willian Pereira, professor na instituição, quando as pessoas chegam com casos muito graves, como superendividamento — que nada mais é do que você estar tão endividado que não consegue nem se alimentar mais —, ou desemprego com endividamento, a primeira coisa que o consultor faz é indicar uma instituição mais especializada ainda, como o Núcleo de Defesa do Consumidor, da Defensoria Pública (Nudecon).

 

2. Procure auxílio jurídico, renegocie sua dívida e cuidado com a sua avó!

Nem toda cidade tem uma escola de educação financeira, muito menos uma instituição que faça consultas gratuitas, mas todas têm Procon e Defensoria Pública, e elas podem te ajudar para além de dicas, podendo te representar numa renegociação da dívida.

E não só isso, já parou para pensar que a empresa para qual estás devendo pode estar utilizando práticas abusivas, cobrando valores exagerados ou sem fundamento? Pois então, eles — o Procon e a DP — podem te mostrar se esse é o caso, e se for, então você pode sair dessa vitorioso, ou quase isso.

E vale destacar que o Nudecon RJ fez uma análise do perfil das pessoas que procuraram ajuda para lidar com o dito superendividamento e o resultado foi de que 45,65% tinha 60 anos pra cima, 66% eram mulheres e, segundo o relatório, “cerca de 62% dos consumidores encontram-se na faixa de renda com mais de cinco salários mínimos”. Em outras palavras: Fique de olho na sua avózinha.

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3. Se quiser facilitar o processo, vai precisar comprovar renda

Essa é meio óbvia, mas… você tem que arranjar um emprego. E por “arranjar emprego” não estamos nos referindo apenas a trabalho em escritório com ar condicionado, nem a caixa de supermercado.

Marianne Hanson, a economista do CNC, lembra que dificilmente você vai conseguir um empréstimo para pagar suas outras dívidas se não puder comprovar renda. E o Herbert Alencar dá a letra: “tem que arranjar um emprego, nem que seja informal.”

Acredite, novamente, você não será o único. Em 2017, 37,3 milhões de pessoas trabalhavam na informalidade, segundo o IBGE. Em outras palavras, 40,8% da população ocupada está nesse mesmo barco.

Ou seja, tá na hora de começar a fazer aquele freela que você não gosta muito ou, se tiver um carro na garagem, ser motorista de transporte por aplicativo. Pois, infelizmente, essa é a nova realidade brasileira: a precarização. E, na necessidade — como limpar um nome sujo — a gente faz o que dá.

Então, a quanto tempo você dirigir Uber?

 

4. Sim. Mutirão pode salvar sua pele!

Vira e mexe, bancos como a Caixa Econômica Federal e instituições de defesa do consumidor, como o Procon, realizam mutirões de renegociação de dívidas. Essa é uma das formas mais simples e eficazes de se livrar desse predador financeiro. 

“A tendência é que quanto mais antiga for a dívida, mais fácil de conseguir descontos melhores nos mutirões. Isto porque nas dívidas antigas, todo o juro aplicado compensa o pagamento devido. Os devedores que optarem por pagamentos à vista, recebem descontos maiores. Os abatimentos variam entre 60% e 80%, chegando até 85%, se o pagamento for realizado à vista”, segundo o Procon Online.

 

5. Empréstimos para desempregados

Lembra que eu falei que quase nenhuma instituição financeira emprestaria dinheiro para uma pessoa que não tem como comprovar renda? Bem, há exceções. Na verdade, há duas exceções: microcrédito e empréstimo com bens como garantia.

Antes que pergunte se faz sentido alguém endividado se endividar ainda mais, saiba que estas são opções para quem tem mais de uma dívida e prefere ficar devendo a uma única instituição, ou para quem quer limpar o nome o mais rápido possível, para só então focar em procurar emprego.

Basicamente, microcréditos são empréstimos de pequenas quantias, com juros baixos, cujo pagamento deve vir a médio prazo. Ideal para quem tem uma dívida longa, mas mediana em valor.

Enquanto o empréstimo com bens como garantia é o que o nome diz: você negocia com o banco que eles te darão um valor “X” e em troca você põe como garantia algum bem de valor, como a casa ou o veículo, que poderá ser tomado pelo banco em caso de inadimplência. Por isso, pense bem antes de fazer!

 

 

6. E por favor, evite novos gastos!

Supondo que haja ainda alguma reserva financeira, provavelmente utilizada para coisas como alimentação e energia elétrica, evite adquirir coisas novas, supérfluas ou luxuosas, mesmo no que se refere à alimentação.

Uma pessoa altamente endividada deve utilizar ao máximo tudo que conseguir. Ou seja, “comeu uma banana? Procure receitas com a casca, evitando assim o desperdício e necessidade por mais comida ainda”, informam os representantes da Escola de Educação Previdenciária.

No caso, eles se referem ao aproveitamento integral dos alimentos, que significa fazer receitas com os restos de comida. O SOS já ensinou algumas dicas deliciosas, como: “Carne Louca”  com casca de Banana” e “Como aproveitar a Melancia inteira (inteira mesmo!)”

E não para por aí. Saiu de um cômodo? Tire da tomada os aparelhos eletrônicos, aparelhos eletrônicos em stand by equivalem a 12% dos gastos da da conta de luzEssas dicas podem não te ajudar a recuperar grana, nem a pagar uma dívida propriamente dita, mas ajuda a salvar dinheiro e evitar mais cadastros negativos no SPC e no Serasa.

 

Uma vez que você conseguiu se recuperar financeiramente, está empregado e se estabilizando, comece uma poupança, vá a alguma instituição financeira e estude como ter um bolso mais saudável.

Assim, sairá de devedor para investidor, ficando muito mais preparado para adversidades, como crises financeiras e desemprego. Se possível também, faça aulas de educação financeira com toda sua família — principalmente sua avó superendividada.

 

Fonte(s): Confederação Nacional do Comércio de Bens
Matheus de Moura
Jornalista no fim da graduação, engajado na causa negra no país. Oriundo daquele estado que as pessoas só conhecem pelas praias, Santa Catarina, mais especificamente da ilha que de fato só tem as praias a oferecer, Florianópolis. Grazadeus que hoje mora em Niterói, também conhecida como a cidade ligada ao Rio de Janeiro por um cordão umbilical.

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