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Vai, planeta!

Corte o elástico da máscara descartável antes de jogar no lixo

Uma ação simples pode salvar a vida de milhares de animais no planeta.

Bruno Oliveira Publicado: 04/08/2022 10:46 | Atualizado: 04/08/2022 10:54

O mundo produz diariamente toneladas de lixo e boa parte desse lixo vai acabar parando nos mares, florestas e nas ruas. Dentre os demais problemas relacionados ao descarte inconsciente desse lixo, um dos mais terríveis é a imobilização e morte de milhares de animais selvagens e domésticos em todo o mundo.

Neste artigo vamos te dar três dicas práticas para que você possa reduzir o impacto negativo do seu lixo doméstico no ambiente e salvar a vida de alguns desses animais. Se atente às dicas!

 

Animais e o descarte de materiais domésticos

Falaremos mais a frente sobre quais animais são mais afetados pelo descarte inadequado; como e porque esses materiais podem afetá-los e quais são os lugares em que o impacto desse tipo de lixo é mais expressivo; além de sugerir uma dinâmica de descarte ainda mais apropriada.

A seguir citamos três exemplos de lixo (plástico) que devem ter um tratamento especial antes de serem descartados ou reciclados.

 

1. Máscara descartável

Quando não for mais usar a máscara protetora, antes de descartar, corte os fios de elástico, aqueles que ficam presos na orelha.

 

2. Lacre de garrafas PET

Outro cuidado importante é o de cortar o lacre das garrafas PET, aquele anel que envolve o bocal e fazem “crec” quando abrimos a garrafa pela primeira vez.

 

3. Latas de metal

Mais uma dica relevante é a de amassar as latinhas de conserva. O recomendado é que você coloque a tampinha cortante dentro da lata e em seguida amasse com cuidado até que a área afiada não esteja mais acessível.

 

Mas como esse lixo pode ser perigoso para os animais?

Se engana quem pensa que a culpa desse problema é exclusivamente de quem descarta lixo e objetos na rua, no mar ou numa casinha sapê. A questão afeta qualquer um, inclusive você que separa o lixo reciclável.

Um estudo divulgado pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) apontou que apenas 9% dos 353 milhões de toneladas de resíduos plásticos do mundo foram reciclados em 2019. Ou seja, 91% do restante desse descarte vai parar em qualquer outro lugar – como aterros a céu aberto, lixões e na natureza mesmo.

Vale dizer que – mesmo você fazendo a sua parte – o índice de reciclagem no Brasil é de apenas 4%, segundo Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).

Pois bem.

A maioria dos animais confundem o lixo com comida, outros interagem com eles por curiosidade, pelo objeto chamar atenção, enquanto em outros casos o lixo interfere com tamanha potência no habitat natural deles que evitar o contato se torna uma tarefa praticamente impossível.

Ao tratar dos três objetos plásticos que abordamos neste artigo, queremos enfatizar que eles podem não apenas machucar como também matar vários tipos de espécies.

  • Máscara: quando descartada de forma irregular, pode imobilizar e até estrangular os animais, principalmente as aves, que podem ter com o bico, pescoço, patas e até as asas presas a esse material, impossibilitando-as de comer, se defender ou voar.
  • Lacre: já falamos aqui no Almanaque SOS como as aves são uma das mais afetadas pelo lacre de plástico, apesar de não serem as únicas. Além do lacre também ter a capacidade de prender e sufocar os animais, ele também pode ser confundido com comida, trazendo alto risco de engasgo e morte de várias espécies, inclusive marinhas.
  • Latas: um dos maiores afetados por elas são os animais de rua, visto que esses atuam diariamente na busca por comida, enquanto esse material carrega um cheiro mais relacionado ao que eles procuram. Cães, gatos e aves urbanas em contato com latas de conserva abertas no lixo podem ser gravemente feridos e até ficarem presos dentro da embalagem e morrer de asfixia, sangramento ou fome.

 

Quais tipos de animais são mais afetados pelo lixo

A variedade de animais que são afetados pelo lixo humano é enorme, desde os animais selvagens até os animais de rua. Não entenda mal, o bichinho que vive na sua casa também pode ser ferido, a diferença é que esse costuma ter assistência de um humano, além de acesso a um veterinário.

Entretanto, segundo estudo publicado pelo instituto Marine Pollution Bulletin, as espécies mais afetadas pelo efeito negativo dos lixos domésticos são as marinhas, dado que atualmente uma parte significativa desse lixo vai ser despejada de uma forma ou de outra no mar, principalmente o plástico.

De acordo com o estudo, os cientistas encontraram resíduos de fragmentos plásticos em 86% de TODAS as espécies de tartarugas marinhas, em 45% de TODAS as espécies de aves e 43% em TODAS as espécies de mamíferos marinhos.

A pesquisa também indica que centenas de milhares de animais morrem ao ingerir plástico, pois esse material pode bloquear o sistema digestivo deles, os impedindo de digerir ou de comer naturalmente, os matando de fome. Além disso, o plástico contém produtos químicos tóxicos que podem prejudicar a saúde desses animais.

 

Onde o problema do lixo é mais agravante

A resposta rápida seria: no mundo todo. Mas tem países, como o nosso, que ganham destaque.

Curioso fato é que o país que mais produz lixo no planeta é considerado o supra-sumo de sucesso capitalista, os Estados Unidos. Os habitantes estadunidenses são de longe os que produzem mais detritos por pessoa: em média 773 quilos por ano, mais de três vezes mais que a média mundial.

Segundo o Fundo Mundial para a Natureza (WWF), a lista seria: Estados Unidos (1 º lugar), China (2º lugar), Índia (3º lugar), Brasil (4º lugar), Indonésia (5º lugar), Rússia (6º lugar), entre outras regiões do Leste Asiático e Pacífico.

Alguns países da “periferia do capitalismo” tomam o protagonismo na retenção de lixo global, pois recebem importação do lixo de países mais ricos em troca de um “bem estar social” falsificado; seja pela lógica de produção e consumo irracional incentivado e patrocinado também pela lógica capitalista.

É justamente esse o tipo de lógica que intoxica, imobiliza, asfixia, mutila e mata milhares de animais selvagens e domésticos no mundo inteiro, todos os dias.

 

O que fazer para evitar que o lixo chegue até os animais

Por fim, agora que sabemos como, quando, onde e por que esses materiais são tão nocivos aos animais, a boa notícia é que podemos fazer algo a respeito. Porém, não de forma individual.

A maioria (um eufemismo para todos) dos aspectos que permitem a manutenção dessa dinâmica com o lixo que temos hoje vem da esfera política, por isso o efeito mais significante a longo prazo é se politizar.

Entretanto, para evitar que O SEU lixo prejudique ainda mais os animais, lembre-se sempre de descartar materiais como plástico, papel, vidro, metais e os demais materiais recicláveis em postos ou agentes de coleta seletiva. É melhor do que descartar no lixo comum (ou na rua).

Procure pelo posto de coleta mais próximo na sua região e, na dúvida, consulte a Cartilha da Coleta Seletiva Solidária, disponibilizada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).

 

Seguidores contam como eles lidam com esse tipo de descarte

Alguns seguidores do Almanaque SOS compartilharam suas rotinas de descarte com a gente nas nossas redes sociais:

“Já amasso as latas há mais de 30 anos para evitar que nossos companheiros trabalhadores que coletam o lixo se cortem. As de sardinha, coloco as tampas de corte dentro da lata e amasso muito bem. Protejo os companheiros trabalhadores e, agora, também os bichinhos. Vamos proteger a todos. 👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾😄😄😄😄😄😄😄”, disse Cristina Victor em nosso canal no Youtube.

“As máscaras eu tiro também o arame que fica na parte do nariz, limpo com álcool e reaproveito organizando cabos de eletrodomésticos.”, conta Helane Ribeiro em nosso TikTok.

Apesar do programa de coleta seletiva ser a principal solução a nível nacional, nem tudo são flores, como bem explicou o amazonense Mateus Maia em nosso Instagram:

“Gente, qual a realidade de vocês? Quase não existe coleta seletiva no Brasil, eu moro no Amazonas e nunca vi isso, o lixo vai tudo no mesmo bolo… fora que tem muitos animais abandonados na rua e eles reviram lixos e se ferem.”

Isso só reforça a necessidade e importância dos catadores de materiais recicláveis. Se existe algum grupo na sua cidade, trate-os com o carinho e o respeito que esses profissionais merecem.

Fonte(s): Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), RSPCA, Environment America, The Washington Post, RBPD, Recicla Sampa, Agencia Brasil, UOL
Bruno Oliveira
Atleta virtual, jornalista, podcaster e gamer de esquerda nas horas vagas. Acredita piamente na capacidade do ser humano de ser melhor, sempre. Dog person e pernambucano, observa o mundo em camadas.

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