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Bela, aventureira e do mundo: Como fui tratada ao viajar (sozinha) em diferentes países do globo

Quanto mais mulheres na estrada, mais nos sentiremos seguras nela.

No último dia 12, além do Dia dos Namorados, também foi dia do 2º “aniversário” da Copa do Mundo no Brasil. Entre memes, a fraca cerimônia de abertura e o inesquecível 7×1, fui lembrada da repórter que foi beijada por torcedores duas vezes, ao vivo.

Na época, todo mundo achou engraçadinho mas o raio problematizador de hoje – e muito necessário, de vez em quando – me faz ver mais além e ir de encontro àquela velha história de que alguns homens ainda acham que podem fazer o que quiserem com as mulheres, até mesmo enquanto estão ali, apenas fazendo o seu trabalho.

Aí, uma coisa levou à outra e eu comecei a pensar nas minhas experiências como mulher sozinha pelo mundo.

Caminhada solitária no Prospect Park, em Nova York.

Um dos torcedores em questão era português e vivendo aqui há pouco mais de um ano, percebo como a sociedade portuguesa é machista e conservadora. Entretanto, sinto que eles não externam tanto quanto os brasileiros. Assim que cheguei, andava na rua com aquela paranóia que toda garota carioca tem: não importa quando, onde ou o que esteja vestindo, ela vai ouvir gracinhas. Felizmente, isso não acontece.

Nos EUA, fui tratada como se eu fosse um ser superior ou algo do tipo. Apesar das cantadas na rua serem completamente desnecessárias, eram de um tom menos agressivo. Eu também percebia olhares de admiração e, por algumas vezes, me foram oferecidas coisas (especialmente, doces e comidinhas), como “cortesia da casa”. Foi a primeira vez que eu senti, de verdade, que recebia privilégios apenas por ser mulher.

Homens brigavam para ver quem ia tirar a minha foto e algumas quadras à frente, sorvete de graça quando eu disse que não tinha trocado, em Little Italy, Nova York.

No Marrocos, vi que muitas mulheres são tratadas como “um nada” por seus parceiros e parecem que são invisíveis no meio da multidão. Porém, o tratamento é diferente com as turistas que estão lá, gastando dinheiro e movimentando a economia marroquina. A história de que os caras dizem que querem te comprar por x camelos é real mas eu não reconheci como afronta, e sim como uma brincadeira enraizada na cultura antiquíssima deles.

E, por falar em cultura, reconheço meu erro e inexperiência ao levar roupas pesadas demais para lá. Com o calor, eu não aguentava ficar coberta por muito tempo e andei em trajes normais para nós, mas considerados inadequados por eles. Os homens me olhavam com um certo pavor, fui tratada como uma invisível e esbarrada e atropelada por bicicletas, como se fosse uma represália.

Sou feminista e defendo a ideia de vestir o que quiser, mas num ambiente do qual eu não faço parte e sabendo que é sinal de respeito, sei que deveria ter aguentado mais o calor. Até porque, ao viajar, estamos em posição de turistas e não de ativistas.

Ao mesmo tempo, conheci muitas meninas que estavam sozinhas e surpresas por se sentirem seguras num país islâmico.

Sendo coberta pelo guia antes de entrarmos em uma das vilas, a caminho do Deserto do Saara. Ao lado, você podem ver a mega potência do Sol.

Quando fui para o Sudeste Asiático, confirmei o que tinha lido antes. No geral, toda a população é mais tímida e respeitosa, não se atrevendo a assediar turistas. Mulheres solteiras que viajam sozinhas são vistas com curiosidade e até pena, porque lá o comum é casar muito cedo. Então, enxergam o fato de você não ter um companheiro como “uma grande desgraça na sua vida”.

No México, as ruas mal iluminadas me colocaram medo e o fato de me abordarem na rua com sorrisinhos enquanto eu parecia perdida também.

Fui a Teotihuacán, no México, sozinha sim! Mas, com um leve medo de ir parar numa cidade qualquer desconhecida e ser assediada.

Conclusão

O medo das mulheres em viajar sozinha sempre existirá, principalmente quando ainda vemos notícias como essas, mas, acredito que, cada vez mais, estamos mais fortes e dispostas a encará-lo e não deixar que ele nos impeça de ver o mundo.

De acordo com pesquisa feita esse ano pelo Ministério do Turismo, 17% das brasileiras intencionam viajar solo. O número ainda é pequeno, porém animador. Não podemos deixar de observar que quanto mais mulheres na estrada, mais nos sentiremos seguras nela.

E, quando perguntada se eu não tinha medo de estar sozinha num país estranho, eu respondia que até que sim, mas com tristeza de que, infelizmente, o lugar que eu mais me sentia insegura por ser mulher era na minha própria casa: o Rio de Janeiro.

I am (Eu sou): forte, corajosa e mulher. – Letreiro em Amsterdã.

*Ainda que o assédio feminino seja uma coisa mundial, a relação de cada mulher com ele é muito pessoal. O relato acima foi feito todo baseado nas minhas experiências e pode ter acontecido muito diferente com você nesses lugares e, eu espero que tenha sido para melhor.

Thaís Aragão
Designer e viajante solo por acaso e por opção. Criou a série de ilustrações "Procura-se um amor que goste de" e lançou o livro homônimo. Muda de assunto com a velocidade de uma chita aloprada, mas tenta manter tudo em ordem no site Oh, Thaís!

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