• Colabore!
  • Sobre nós
  • Contato
  • Anuncie

Vai, planeta!

Plásticos ‘livre de BPA’ não são tão inofensivos, alerta cientista

‘Sempre que possível, prefira embalagens de vidro’.

Está lá você, encarando a vida adulta e comprando vasilhas plásticas para sua cozinha, quando se depara com uma inscrição no rótulo: BPA Free (ou livre de BPA).

Pessoas acostumadas a lidar com bebês certamente já se depararam com esse termo, até porque no Brasil não é permitido o uso desse componente, o Bisfenol A,  para fabricar mamadeiras.

A proibição foi feita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em setembro de 2011 – dadas as evidências científicas de que o BPA poderia alterar várias funções hormonais nos seres vivos.

A partir disso, outros tipos de materiais passaram a ser fabricados também sem BPA e, a ausência da substância, começou a ser estampada nos rótulos das embalagens – um claro apelo ao consumidor.

Plástico sem BPA é mais seguro… será mesmo?

Em uma publicação para o perfil Saúde Honesta, a cientista e doutora em Morfologia Rossana Soletti fala sobre o assunto e menciona o quanto a comunidade cientista vem pesquisando, há muitos anos, o efeito do BPA no nosso organismo.

Rossana explica que essa substância química é largamente utilizada na produção de plásticos e menciona que vários estudos sugerem que a exposição ao BPA está ligada a maiores chances de desenvolver certos tipos de câncer, obesidade, infertilidade e outros prejuízos à saúde.

É justamente por isso que ele foi proibido em alguns países ou em determinados produtos – como o Brasil fez com as mamadeiras. Em virtude disso, a indústria passou a utilizar substitutos como o Bisfenol F (BFF) e Bisfenol S (BPS).

E aí temos um problema: muitos estudos recentes indicam que o BPF e BPS podem ser tão – ou mais – prejudiciais que o próprio BPA, acumulando-se no organismo e podendo exercer efeitos androgênicos, alterar a função da tireoide e aumentar o risco de câncer“, destacou a cientista na publicação.

A doutora cita, ainda, que o BPF e BPS, chamados de análogos do BPA, já foram inclusive detectados em produtos alimentícios, de higiene pessoal, na poeira doméstica, nos rios, lagos e até em material biológico humano, como urina e fezes.

Para entender melhor os perigos que esses bisfenóis apresentam, consultamos Luiz Ribeiro, Mestre em Toxicologia e doutorando em Biologia Celular e Molecular, que ratificou as informações apresentadas por Rossana.

Luiz, que também é colaborador do projeto de divulgação científica Nunca vi 1 Cientista, afirmou que produtos sem BPA não são necessariamente mais seguros que os demais, visto que podem conter substitutos semelhantes.

O BPA e o BPF são muito parecidos em termos de estrutura, o que faz com que ambos sejam capazes de interagir com os receptores de estrogênio. Estudos mostram que o BPF é um perturbador endócrino ainda mais potente que o BPA“, pontuou.

O que fazer?

Rossana destacou que esses mesmo estudos não tratam com clareza se existe algum nível seguro de exposição a esses compostos e que, na realidade atual, é praticamente impossível evitar 100% a exposição a eles.

O que podemos fazer, sem pânico ou terrorismo, é tentar cada vez mais reduzir o uso de plásticos – uma medida que de quebra ajuda todo o ecossistema“, finaliza a doutora.

Luiz também alerta: “sempre que possível, preferir embalagens de vidro“.

Fonte(s): Anvisa
Daiane Oliveira
Jornalista, feminista e mãe. Discute religião, política, sexo e hábitos sustentáveis. Não discute futebol porque não entende. Quem sabe um dia.

Tá na rede!

Em caso de chefe
clique aqui