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Atitude Coletiva

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Cena de estupro na série “Super Drags”, precisamos falar sobre isso!

Aquela cena que passou batido, foi, sim, uma cena de estupro.

Antes de tudo, se você abriu esse artigo achando que o SOS é um site conservador e que vai cair matando na primeira série animada LGBT da Netflix (e do Brasil), é bom tirar o cavalinho da chuva.

A corajosa animação, que conta com a participação de Pabllo Vittar, deu o que falar já antes do seu lançamento. Diversas pessoas e grupos exigiram o cancelamento da série por conta do conteúdo considerado ofensivo, criando campanhas e notas de repúdio.

A Netflix respondeu prontamente, explicando aos assinantes como bloquear tais conteúdos e evitar toda a treta desnecessária:

 

Apesar de toda a discussão, a série estreou nessa sexta feira (09).

A animação conta a história de três heroínas drags, numa pegada “Meninas Superpoderosas” só que para adultos. E quando falamos isso, é porque o nível da piadas segue isso à risca.

“Super Drags” é uma verdadeira explosão de liberdade, ao mesmo tempo que testa a força da comunidade LGBT. O humor ácido não é para qualquer um. Nem o roteiro – que na nossa opinião deixa muito a desejar. Mas não vamos entrar nesse quesito, afinal, gosto cada um tem o seu.

O que merece a atenção de todos, bem como uma reflexão criteriosa, é uma cena logo nos primeiros minutos do primeiro episódio da série. Uma cena de estupro que passa desapercebida.

Depois de um ônibus cair na ribanceira direto para o fundo de um lado, o motorista desmaia e fica preso pelo cinto de segurança. A personagem Lemon Chiffon resolve salvar o personagem. Mas antes disso, a heroína simplesmente agarra as partes íntimas dele, algo completamente gratuito e desnecessário. Para só então retirá-lo com segurança.

O que nos chamou a atenção é porque a cena traz absolutamente nada à história da personagem, e nem é discutida durante o episódio. Também nos deixou alerta o fato dela não ter sido cortada antes de ir ao ar, e ter passado batido nos debates em redes sociais (até a data dessa publicação). Antes que possa dizer que estamos problematizando a toa, vamos relembrar algumas coisinhas sobre o que é estupro.

Segundo o Artigo 213 do Código Penal, estupro consiste em constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso”. Ou seja, existe o entendimento como “estupro” mesmo para atos em que não aconteçam penetração

Segundo a advogada especialista no tema, Ana Paula Braga, disse ao site M de Mulher, existe ainda uma cláusula chamada estupro de vulnerável, que considera os crimes envolvendo vítimas menores de 14 anos, aquelas que tenham deficiência mental ou que, numa situação momentânea, não tenham plena capacidade de reagir; quando a vítima está desacordada; ou quando simplesmente está dormindo profundamente.

Ou seja, aquela cena que passou batido, foi, sim, uma cena de estupro.

Infelizmente, no Brasil, a forma como a lei foi formulada abre uma enorme margem para a impunidade, pois o texto jamais utiliza a palavra consentimento. Que é justamente o caso da animação.

Para entender a importância dessa questão, recomendamos o divertido vídeo:

Não queremos de forma alguma que a série seja cancelada ou algo assim, até pela sua importância dado o momento que vive o Brasil. Mas é necessário que a Netflix se pronuncie sobre o caso.

– E você, o que achou dessa cena? E da série como um todo, é realmente engraçada ou forçou amizade? Deixe sua opinião.

 

Nota do editor

Depois da repercussão desse artigo, alguns pontos foram revistos. Para começar, nenhuma obra artística merece censura, mesmo que ela venha ferir alguma lei. Por isso retiramos nossa sugestão para que a cena citada fosse cortada do episódio.

Mas reforçamos nossa posição contra a banalização do estupro. Apesar do excesso de piadas estereotipadas, que reforçam o estigma social contra a comunidade LGBTI, esperávamos um pouco mais de responsabilidade da série “Super Drags”, principalmente quanto à violência sexual.

O fato da cena não ter relação com o arco da personagem Lemon Chiffon, nem ser discutida ao longo do episódio, chama muito a atenção. O abuso acontece como mero “alívio cômico”. Independente da notória importância da série – que por estar no ar já é uma conquista – não cabe aprovar automaticamente qualquer escolha de seus criadores. Vamos ficar de olho.

Fonte(s): M de Mulher, Super
Dario C L Barbosa
Fundador e editor do Almanaque SOS. Paulistano, formado em Comunicação Social, trocou os anos em redes de rádio e televisão (SBT, Record, Band, etc.) pela internet em 2012. Vegano e meditante, busca evoluir junto com todos os seres enquanto caminha. ( Twitter - Instagram ).

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