• Colabore!
  • Sobre nós
  • Contato
  • Anuncie

Crossfit Mental

chevron_left
chevron_right

Carlinhos Maia, pessoas com depressão dão risada (e muita) – mesmo antes do suicídio

As pessoas não ‘parecem’ deprimidas porque depressão não é uma expressão facial.

Para quem não esteve por dentro dos últimos acontecimentos da internet brasileira, rolou uma mega treta no Twitter entre os gigantes do humor web, Carlinhos Maia e Whindersson Nunes.

Depois de Whindersson publicar uma sequência de “kkkk” (risada de internet), Carlinhos curtiu um comentário de uma seguidora do humorista que questionava o fato dele estar rindo, já que declarou recentemente estar lutando contra depressão.

 

Isso foi suficiente para que uma troca frenética de mensagens entre os humoristas, seguidores e outras celebridades esquentassem os ânimos na rede social. Resultado, Carlinhos Maia bloqueou todas as suas contas.

O comportamento tanto da seguidora quanto de Carlinhos mostra que ambos desconhecem, ou preferiram ignorar, o fato de que estar sorrindo tem absolutamente nada a ver com a presença ou não da doença.

Lembramos o ocorrido de 2017, quando Chester Bennington, então vocalista da banda Linkin Park, foi encontrado morto dentro de sua casa. A causa da morte: suicídio. Chester, que sofria com depressão, tinha 41 anos e horas antes de se suicidar estava assim, rindo à beça, como lembrou uma usuária do Twitter:

Não estamos aqui para fazer julgamentos, mas precisamos ressaltar que a polêmica reflete o que pensa uma parte significativa da população brasileira – e de outros países com tendências conservadoras.

Além desse caso, Carlinhos Maia também está envolvido em denúncias de homofobia (mesmo sendo homossexual). Segundo o humorista, seu comportamento reflete o lugar onde viveu:

“Seria falso da minha parte fazer um discurso diferente. Venho de uma cidade pequena do interior do Alagoas, onde a cultura e o modo de pensar e agir é diferente de tudo que tenho vivido”, escreveu em uma publicação no Instagram.

Pensando no Brasil, isso revela o quanto nossa sociedade é carregada de preconceito e carente de conhecimento – inclusive ao lidar com uma questão tão complexa e séria como a depressão.

Nisso, o dado alarmante: cerca de 6% da população brasileira sofre com depressão (é o maior índice de toda América Latina!). Portanto, mais do que cancelar celebridades e sair xingando tudo no Twitter, a gente precisa conversar. A melhor forma de combater o preconceito é com afeto e informação.

O que é depressão?

A OMS conceitua depressão como um transtorno mental resultante de uma “complexa interação de fatores sociais, psicológicos e biológicos” e afirma que podem ocorrer episódios depressivos em graus leve, moderado e grave – tudo isso varia de pessoa para pessoa e depende da intensidade dos sintomas de cada um.

Pessoas com depressão podem ser felizes?

Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde, a depressão é a principal causa de incapacidade no mundo todo. Talvez por isso, sempre se associe a pessoa depressiva a alguém sempre triste e cabisbaixo. Mas não é o que a ciência afirma.

Estudos indicam que pessoas com diagnóstico de depressão, especialmente quando em tratamento adequado, podem vivenciar todos os sentimentos, inclusive felicidade e bem-estar.

Esse é meu namorado, duas semana antes dele se enforcar.

Nesse mesmo sentido a OMS também afirma que “com cuidados adequados, assistência psicossocial e medicação” pode-se evitar que a depressão leve ao suicídio e garantir que os depressivos levem uma vida normal.

Qualquer pessoa pode ter depressão?

Sim. A OMS afirma que depressão é uma doença que pode afetar qualquer pessoa. Como falar sobre depressão ainda é certo “tabu”, há quem acredite que determinadas pessoas não possam ter depressão ou, pior, quem diga que depressão é “falta de Deus”.

Várias celebridades já falaram abertamente sobre seus quadros depressivos. Dentre elas os padres Marcelo Rossi e Fábio de Melo, a cantora Paula Fernandes, os atores Selton Mello, Adriana Esteves, Heloísa Périssé e Jim Carrey, as cantoras Adele e Demi Lovato e o jornalista Jorge Pontual.

Como diagnosticar depressão?

O diagnóstico da doença é clínico, ou seja: dispensa a realização de exames. Um profissional psiquiatra é quem faz o diagnóstico, considerando as informações relatadas pelo paciente e todo o contexto social e familiar. O Ministério da Saúde elenca alguns sintomas que podem dar indícios da doença, dentre eles destacamos:

  • irritabilidade, ansiedade e angústia;
  • desânimo, cansaço fácil, necessidade de maior esforço para fazer as coisas;
  • diminuição ou incapacidade de sentir alegria e prazer em atividades anteriormente consideradas agradáveis;
  • desinteresse, falta de motivação e apatia;
  • falta de vontade e indecisão;
  • sentimentos de medo, insegurança, desesperança, desespero, desamparo e vazio;
  • dificuldade de concentração, raciocínio mais lento e esquecimento;
  • diminuição do desempenho sexual (pode até manter atividade sexual, mas sem a conotação prazerosa habitual) e da libido;
  • perda ou aumento do apetite e do peso. 

Há alguns anos a Blurt, uma organização americana voltada à conscientização sobre depressão, fez uma importante campanha intitulada #WhatYouDontSee (O que você não vê): “As pessoas não ‘parecem’ deprimidas porque depressão não é uma expressão facial“, dizia a campanha.

“[Foto] Na véspera em que ela acabou no hospital, eles foram para uma festa de pais e filhos e tiveram um experiência maravilhosa. Felizmente, ela ainda está viva hoje e aprendendo a vencer sua doença. Ela tinha 8 anos na época.”

É um alerta para que a gente pare de julgar os depressivos pela fisionomia ou sorrisos e que reflita se vale consentir com celebridades que tratam a doença e outras questões tão sérias de uma maneira tão rasa.

Fonte(s): Correio Braziliense, Nexo Jornal, Folha de São Paulo
Daiane Oliveira
Redatora, feminista e mãe. Discute religião, política, sexo e hábitos sustentáveis. Não discute futebol porque não entende. Quem sabe um dia.

Tá na rede!

Em caso de chefe
clique aqui